Braga, quarta-feira

A cascata que cura os males e a grandiosa barragem

Regional

09 Julho 2021

Rui Miguel Graça Rui Miguel Graça

O concelho de Vieira do Minho é presenteado com uma queda de água única e cheia de misticismo, as Fragas da Pena Má. Rezam as lendas que as suas águas curam os males das crianças. Salamonde é igualmente famosa pela barragem. O cenário que a envolve é comparado aos alpes suíços.

Conta a lenda que iam sempre meia dúzia de pessoas de cada vez e num silêncio profundo. Iam por um caminho e voltavam por outro diferente para os males perder. Trata-se de uma queda de água com cerca de 80 metros de altura, numa apertada garganta aberta pelo pequeno regato que tem o nome de rio Mau. Em torno da sua cascata e de toda a sua deliciosa envolvência há essa crença.

“O que é que tu me dás?

Doenças das Penas-Más

Passam a pobre creança por entre os pés da passadeira

Repetem a oração três vezes

Em seguida tiram a camisa que a creança leva vestida, vestem-lhe uma nova em folha, que já vae de casa de proposíto para isso, entregam a creança á mãe ou á pessoa que a levou.

Raios de parta e a Satanaz

Na rocha das Penas-Más

Camisa maldita

Camisa proscripta...

Camisa doente

Quel o mal não sente

Na tua viagem para o mar

A doença levarás

Que esta creança traz...”

Estas são apenas algumas passagens da lenda em torno desta cascata que, acima de tudo, prima por uma beleza encantadora e que, naturalmente, os antigos conferiram-lhe um toque de mistério.

Das Fragas viajamos para a barragem. Foi inaugurada em 1953 e também tinha como objectivo a produção hidroeléctrica. Ao todo são 75 metros que integram uma albufeira bastante estreia, entre as vertentes a norte do Gerês e as vertentes a sul da Cabreira. De lá a vista é de cortar a respiração. Entre recortes e sombras, desenhos dignos de quadros, são muitos que a comparam aos alpes suíços.

Salamonde tem ainda o Outeiro da Coroa. Um povoado implementado a cerca de 450 metros de altitude, na vertente baixa da Cabreira, na margem esquerda do Cávado e sobranceiro às Fragas.

Apresenta vestígios de ocupação antiga, sendo que há já alguns anos foi inclusivamente recolhida uma mó e uma moeda, elementos que, segundo a cronologia, apontam para a romanização. Todavia também há ruínas de edifícios e também já foi encontrado ali um pote de cerâmica micácea.

Esta freguesia é composta pelos lugares de Alamela, Aldeia, Além Rio, Almas, Bairro, Cimo de Aldeia, Fundevila, Nelas, Orijais e Trapa, num puzzle multifacetado, mas onde o sorriso das suas gentes impera e é a tónica dominante para quem os visita.

Movimento associativo com enorme vitalidade

É uma imagem de marca de Salamonde. O seu rico e vasto movimento associativo é uma marca forte e muito positiva da freguesia. A dinâmica dos diferentes grupos contribui fortemente para a vitalidade e para a identidade das suas gentes.

Grupo Desportivo Cultural e Recreativo de Salamonde, Rufeiros da Pena Má, Cruz Vermelha Portuguesa - Delegação de Salamonde, Associação Sócio-Cultural de São Gens de Salamonde, Associação de Caça e Pesca de Salamonde e Conselho Directivo de Baldios de Salamonde são exemplos da concretização de inúmeras iniciativas que transportam inclusivamente o nome da freguesia além-fronteiras, de um trabalho ao nível social, territorial, cultural, desportivo e de lazer.

O encontro de bombos ‘RufaSalamonde’ tem vida própria, tal como as grandiosas festividades em honra de Nossa Senhora de Fátima e o Sagrado Coração de Maria, que decorre tradicionalmente no primeiro fim-de-semana de Agosto e, para além de atrair, geralmente milhares a Salamonde, junta os filhos da terra que estão no estrangeiro, e já levou à aldeia alguns dos nomes mais incontornáveis da música portuguesa.

Nos últimos doze anos o Executivo da Junta, liderado por Domingos Cerqueira, tem conduzido os destinos da freguesia, com uma intervenção em dois sentidos: melhoria da qualidade de vida com a concretização de diversas obras e requalificações e, uma série de acções que preservam a identidade local e, ao mesmo tempo, têm contribuído para o bem-estar da comunidade. Nesse âmbito há, igualmente, uma preocupação crescente com as pessoas da freguesia.

Dentro desse cenário, diga-se que a Associação Sócio-Cultural de São Gens é responsável pela gestão do lar de idosos. A infra-estrutura tem capacidade para acolher 19 utentes pertence à junta e foi financiada pela EDP, como contrapartida do reforço de potência. O?lar veio colmatar uma necessidade sentida pela população da parte norte de Vieira do Minho.
Marcas que viajam nos séculos

São várias as marcas que perduram ao longo dos séculos em Salamonde. Parte do seu património ainda sobrevive e outro foi edificado ao longo dos tempos. Da via militar que ligava Braga a Chaves. Das referências em documentos. Dos saques das invasões. E, ainda, da fama que lhe deu o ababe de Salamonde.

A igreja paroquial é dedicada a São Gens. Da primitiva igreja medieval, que já existiria no século XI, não restam quaisquer vestígios. A actual edificação data de meados do século XVIII, como testemunha a data de 1760 gravada na porta.

Há ainda a capela das Almas. Construída em alvenaria granítica. A cobertura telhada, de duas águas, é coroada com pináculos e cruz latina. Na padieira da porta gravou-se a data 1867.

Há ainda o Espigueiro de Fundo de Vila. Tem seis pés e mós individuais circulares. É o único espigueiro identificado em Vieira do Minho que apresenta balaústres horizontais de granito, uma solução arquitectónica de influência galega.

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