Braga, quarta-feira

A medicina de precisão aplicada ao perfil genético de cada doente é o futuro no combate ao cancro

Regional

03 Fevereiro 2020

Redação

A medicina de precisão aplicada ao perfil genético de cada doente é o futuro no combate ao cancro, mas para avançar há um conjunto de desafios pela frente como questões regulatórias, capacitação de médicos e acesso à população.

A opinião de vários investigadores que participaram ontem, no INL (Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia) no no encontro de Tecnologias de Saúde no âmbito das celebrações do Dia Mundial de Luta Contra o Cancro que se assinala hoje.


“A medicina personalizada é o conceito de que cada pessoa vai ser tratada com o fármaco certo para a sua doença, no momento certo e para isso é preciso um conhecimento muito profundo de várias facetas do tumor e também do hospedeiro, explicou Joana Ribeiro, oncologista da Unidade de Mama do Centro Clínico Champalimaud, frisando que “no caso do cancro que é uma doença de genes torna-se importantíssimo percebermos as bases de alteração genética de cada tumor que é diferente de pessoa para pessoa e da própria forma como o genoma da pessoa interage com aquele tumor. Esse será um grande passo para nós concretizarmos a medicina de precisão”.


Joana Ribeiro apontou ainda o desenvolvimento de novas soluções tecnológicas “para avaliar de forma rápida a sequenciação de genes dos tumores a tempo de tomar uma decisão clínica e termos essa informação disponível para desenvolver fármacos que sejam selectivos para aquelas alterações e ao mesmo tempo que não sejam tóxicos para os outros órgãos, juntamente com a imunoterapia que é estimular a resposta do sistema imunitário contra o tumor”.


O INL tem vindo a desenvolver tecnologias inteligentes e soluções inovadores no diagnóstico precoce da doença para conseguir tratamentos cada vez mais eficazes, menos evasivos e com uma redução significativa dos efeitos secundários.


RubyNanomed é o nome do dispositivo que foi desenvolvido  no INL e visa acelerar o diagnóstico de situações de cancro. Para isso, criaram um dispositivo que consegue recolher e analisar 7,5 ml de sangue em 45 minutos, tecnologia com uma eficácia oito vezes maior em comparação com o que já existe no mercado. Em Portugal, o sistema vai ser testado clinicamente para que daqui a cerca de dois a três anos possa chegar ao mercado.


Outra linha de investigação do INL consiste na combinação do diagnóstico e da terapêutica num único passo. Esta tecnologia inovadora chama-se ‘Theranostic’ e permite detectar o cancro e ao mesmo tempo tratar num único passo.

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