Braga, sexta-feira

Afluência intensa às urgências do Hospital de Braga provoca aumento de camas para doentes não Covid

Regional

08 Janeiro 2021

Redação

O Serviço de Urgência do Hospital de Braga tem sentido uma maior pressão nos últimos dias, devido também às condições climatérias adversas que se têm feito sentir. O director do serviço apela aos utentes que recorram 1.º à Linha de Saúde 24.

O Serviço de Urgência (SU) do Hospital de Braga registou nos últimos dias uma maior afluência, motivada não só pelo aumento dos doentes respiratórios, mas sobretudo pelos doentes não respiratórios devido à vaga de frio que se faz sentir. Embora ainda longe de um cenário de ruptura, a unidade hospitalar foi obrigada a “abrir” uma nova ala no SU e a aumentar o número de camas no internamento.

“Nos últimos dias registou-se o uso muito intenso do Serviço de Urgência do Hospital por parte de todas as pessoas e com todo o tipo de queixas”, esclarece o director Jorge Teixeira. “Aumentou o número de doentes respiratórios, mas também aumentou muito os outros, que não são doentes respiratórios e dada a vaga de frio, a minha perspectiva é que vamos continuar com este fluxo aumentado de recurso à urgência”, disse o responsável, indicando que, entretanto, também o Hospital se voltou a readaptar para dar resposta a todas as solicitações.

“Estamos a tentar lidar com este aumento de fluxo na urgência e já abrimos uma ala nova para doentes não Covid, de forma a responder a este aumento do número de doentes que recorreu à urgência e estamos a aumentar o espaço para acomodar e atender melhor os doentes”, indicou o director do SU, olhando para uma percentagem de mais de 20 por cento de adultos que recorreu ao serviço de urgência nos últimos dias.

“Também aumentámos o número de camas de internamento”, frisou, reflectindo que o ‘pico’ de doentes Covid foi atingindo em Novembro. “No ‘pico’ tivemos à volta de 150 doentes Covid e agora estamos bem abaixo disso, à volta de 100”.

Embora a capacidade da unidade hospitalar bracarense esteja garantida, seja para os doentes Covid ou não Covid, Jorge Teixeira, director do SU, deixa o apelo para que só os doentes realmente “urgentes” recorram ao serviço.

Confirmando que os sintomas e sinais de gripe e de Covid são praticamente “indiferenciáveis”, pois trata-se de dois vírus que atacam as vias aéreas superiores com tosse, dor de garganta, febre e dores musculares, o director da Urgência do Hospital de Braga apela para que os utentes se dirijam apenas ao hospital se forem encaminhados pelos serviços de saúde.

“Uma pessoa com gripe ou com Covid não deve ir ao Serviço de Urgência do Hospital, a não ser que seja encaminhado pela Linha de Saúde 24 (808 24 24 24) ou pelo centro de saúde, pois na maior parte das vezes são situações não muito graves e podem ser tratadas no respectivo centro de saúde. Apenas os mais graves é que são encaminhados para tratamento hospitalar”, refere Jorge Teixeira.

“Se a pessoa tiver sintomas de tosse, resfriado, febre aguda deve contactar em primeiro lugar a Saúde 24 e explicar os sintomas”, asseverou, indicando que, a perda de olfacto e de paladar, e, nos mais novos, a diarreia, podem ser indicadores de Covid.

“Neste momento, a minha maior preocupação é com os doentes não Covid. Aquelas pessoas que se deixam ficar em casa com sintomas realmente graves”, alerta o director do Serviço de Urgência do Hospital de Braga.

Jorge Teixeira indica que a ida ao hospital é obrigatória em situações que indiquem sintomas como apertos torácicos, dores no peito, perda da força subitamente do lado esquerdo ou deixar de falar, febre de 40º, tensão muito baixa e não conseguir ficar em pé.

“Estes são sintomas de emergência hospitalar e aí é que deve ser accionado o sistema de emergência hospitalar - CODU e o 112, pois nestas situações é que é mesmo obrigatório vir para o hospital, porque à partida, trata-se de uma doença grave”.

O director da Urgência da unidade hospitalar bracarense indica que até agora estes doentes, com sintomas graves de doença, não estavam a recorrer tanto ao serviço, embora o cenário tenha mudado também nos últimos dias.

Jorge Teixeira indica que, actualmente, a pressão que o serviço sente é na área não Covid.

“Hospital de Braga mantém capacidade de internamento”

Actualmente com 111 doentes com Covid-19 internados e embora após o Natal se tenha registado um “ligeiro aumento” do número de casos (mais 11), o Hospital de Braga está “longe da ruptura” e “mantém a sua capacidade”, garante João Oliveira, presidente do Conselho de Administração da unidade hospitalar.

Neste momento, o Hospital tem 89 doentes Covid-19 em enfermaria e 22 em Cuidados Intensivos.

Apontando para este aumento ainda “pouco significativo” do número de casos Covid na última semana, João Oliveira destaca o facto de “desde o final do mês de Novembro até ao final do mês de Dezembro, tivemos uma descida sucessiva do número de casos, quer em enfermaria, quer em cuidados intensivos”, algo que, a seu ver, está relacionada com as medidas implementadas de protecção adoptadas no país.

“Dada a situação climatérica, tem aumentado muito o número de doentes não Covid, essencialmente de pessoas de idade avançada e com doenças respiratórias, que tem pressionado de forma algo significativa o internamento e urgência, mas algo que já é normal nesta altura do ano”, frisou o administrador, garantindo que o Plano de Contingência do Hospital de Braga continua ‘de pé’. “Mantemos a nossa capacidade de ter 150 doentes com Covid-19 internados, como já tivemos em Novembro e essas camas continuam protegidas para essa eventualidade, que esperamos que não venha a ser preciso com as medidas de protecção”.

João Oliveira indica, no entanto, que as cirurgias têm sido “reequacionadas”, de acordo com o grau de prioridade, e que as cirurgias de ambulatório, que não implicam internamento, têm sido em maior número, em relação às cirurgias convencionais, mas refere que “as cirurgias que não podem aguardar mais de 30 dias estão sempre garantidas e nunca foram postas em causa ao longo do ano”.

O presidente do Conselho de Administração do Hospital de Braga sublinha também o plano de contratação de bloco operatório fora de portas, “o que nos permitiu continuar com uma produção cirúrgica bastante significativa, mesmo no período mais crítico Covid e neste momento estamos já em processo de contratação para este ano de 2021 - um processo que esperamos ver concluído até ao final deste mês”.

Um milhar de doentes com Covid-19 tratados em 2020

Desde Março e até ao final do ano de 2020, o Hospital de Braga tratou um milhar de doentes com Covid-19. Um número destacado por João Oliveira, presidente do Conselho de Administração da unidade hospitalar.

“Ao longo do ano de 2020, o Hospital de Braga mostrou que tem capacidade de transformação e adaptação absolutamente exemplar para dar vazão e capacidade de tratamento a todos os doentes Covid”, frisou o responsável hospitalar.

“Estes mil doentes Covid que tratámos e que já tiveram alta é um número muito significativo e até muito comparável aos grandes hospitais do país”, referiu João Oliveira, apontando para ‘parcerias’ importantes neste trabalho como é o caso da Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Lanhoso, onde muitos doentes acabaram a recuperação.

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