Braga, quarta-feira

António Salvador: todos me conhecem e sabem o quanto defendo este clube

Desporto

19 Abril 2020

Redação

António Salvador avisou o Sporting de que os contratos são para cumprir e prometeu não descansar até ver encerrado o problema relacionado com a transferência de Amorim para Alvalade.

Desta vez, a rúbrica ‘Duas de Letra’ ofereceu aos adeptos a oportunidade de colocarem ao presidente do clube as questões que gostariam de ver respondidas. Desde o crescimento dos últimos anos à contratação mais especial, passando pelo desenvolvimento do projecto da Cidade Desportiva e os maiores desafios à frente do SC Braga, tudo foi abordado por António Salvador, até a mais recente polémica com os leões, que não honraram o compromisso de pagar a primeira prestação de Rúben Amorim aos arsenalistas. Os adeptos pediram que não haja qualquer perdão de juros e Salvador foi peremptório.

“O negócio do Rúben é simples. O Sporting mostrou-se interessado e nós sempre transmitimos que não estávamos interessados em perdê-lo. Vinha a fazer um campeonato fantástico e soube tirar o melhor dos nossos jogadores. Transmiti ao Sporting que só sairia pela cláusula e o Rúben mostrou-se receptivo a aceitar o convite. Todos me conhecem e sabem o quanto defendo este clube. Os contratos são para cumprir e é isso que farei sempre”, garantiu o presidente, que admitiu algumas dificuldades para lidar com este período marcado pela pandemia Covid-19.

“São momentos difíceis aqueles que atravessamos no país, na Europa e no Mundo. Uma fase que requer lideranças fortes. Felizmente o SC Braga tem uma grande estrutura, que lhe permite aguentar e ultrapassar este complicado desafio. Temos uma organização que nos vai permitir sair reforçados deste período tão complicado”, sublinhou o presidente dos Guerreiros do Minho.

Jorge Jesus sempre a torcer o nariz e Pinto da Costa importante na chegada de Alan

António Salvador explicou o complexo processo que trouxe Alan para o SC Braga, em 2008, muito por ‘culpa’ de Jorge Jesus, que já tinha tudo planeado com os jogadores que estavam. Aí, emergiu uma ajuda preciosa, conta o líder do SC Braga.

“Houve uma [transferência] que me deu um gozo especial, pela forma como aconteceu. Foi na época do Jorge Jesus. A contratação do Alan. Primeiro porque fez temporadas brilhantes, depois porque no ano anterior estava no Vitória SC. Na altura havia um diferendo entre a direcção do Vitória SC e o FC Porto. O meu amigo Pinto da Costa ligou-me a expor a situação, dizendo que não estava disponível para emprestar novamente o Alan ao Vitória SC.

Pediu-me para ficar com ele. Eu e o Jorge Jesus começamos a planear bastante cedo a equipa e já tínhamos a equipa definida. O mister torceu um pouco o nariz quando lhe coloquei esta hipótese. Pinto da Costa voltou a ligar-me a perguntar “Presidente, preciso de decidir. Não perca esta oportunidade”. Disse-lhe que estava a falar com o meu treinador e pedi-lhe tempo para o fazer ver a importância que poderia ter. Voltei a receber uma chamada dele e, estando com Jorge Jesus, passei-lhe o telefone. Eles conversaram os dois e ficou resolvida a situação. O Alan veio e foi um jogador que marcou uma era.”

Segunda fase arranca no próximo mês

Após algum atraso no lançamento da 2.ª fase da Cidade Desportiva, Salvador garantiu que as obras vão arrancar já no início do próximo mês. “Todos sabem que um dos grandes projectos do SC Braga, e um sonho de todos os nós, era criar a Cidade Desportiva. Em breve vamos iniciar a segunda fase. Houve atrasos, derivados de alguma situações que já se encontram resolvidas. No próximo mês as obras irão arrancar. É um projecto do clube, financiado pelo mesmo, que vai encher de orgulho todos os adeptos”, perspectivou, sem deixar de assinalar uma novidade. “Como sabem, na segunda fase está contemplado um mini-estádio que será construído num local distinto do inicialmente apresentado no projecto. Em breve anunciaremos o local, adiantando também que se chamará Estádio Centenário, em homenagem a todos aqueles que durante estes cem anos contribuíram para este clube”, frisou.

Salvador abordou também a questão do Estádio Municipal e o lamento por este não ser adequado às necessidades e ao conforto dos adeptos. “O nosso estádio é um problema complicado, por muito que o queiramos tornar mais cómodo. Não é fácil, porque o estádio não é nosso, não podemos alterá-lo como pretendemos. O estádio é da câmara e o arquitecto tem uma patente que faz com que seja difícil fazer alterações. É uma guerra que temos há algum tempo”, explicou, realçando a vontade do clube em fazer tudo para alterar uma situação que não beneficia ninguém. “Estamos a trabalhar com as autoridades para que seja possível alterar o regulamento de segurança do estádio. Assim poderemos abrir a alameda e ter uma fanzone com bares para que os nossos adeptos possam conviver. Queremos fazer mais mas não conseguimos. Custa-me não termos o estádio direccionado para as pessoas que amam o nosso clube. É algo que me dói na alma”, lamentou.

Final da Taça em 2015 e I Liga 09/10 estão atravessadas na garganta

O campeonato 2009/10, que o SC Braga disputou até à última jornada com o Benfica na luta pelo título nacional, foi para Salvador uma injustiça.

O líder dos arsenalistas escolheu esse momento, assim como a derrota na Taça de Portugal em 2015 frente ao Sporting como os momentos que mais lhe custaram a digerir.

“A Taça de Portugal pela forma como perdemos e o campeonato porque fizemos um campeonato fantástico. Não fomos campeões mas merecíamos. Foi o ano da invenção dos túneis. No jogo contra o Benfica ficamos sem o nosso capitão Vandinho. Foi uma injustiça aquilo que nos fizeram. Por ironia do destino, na segunda volta a dez jornadas do fim, precisamente contra o Benfica, perdemos o Mossoró com uma lesão grave. Perdemos ‘só’ dois dos jogadores mais importantes. Acredito que com eles teríamos sido campeões nesse ano”, refere Salvador, que abordou ainda os momentos mais complicados que vive ou viveu à frente do clube.

“Foram dois. O primeiro ano quando cá cheguei. Cheguei com espírito de missão e nunca me passou pela cabeça ser presidente. Na altura pediram-me e eu acedi. O clube estava um caos em termos desportivos e financeiros. Completamente perdido. Foi uma fase muito difícil, que exigiu um trabalho árduo. O segundo momento é o actual, não há que esconder. Por toda a conjuntura nacional e mundial. É um momento que exige união, força e uma organização enorme. Só assim ultrapassaremos este momento difícil”.

Já sobre a recente parceria negocial com clubes da dimensão do Barcelona, Salvador explicou que tudo se deve a uma estratégia de sustentabilidade financeira e desportiva.

“É gratificante para um clube como o nosso fazer negócios com o Barcelona. Este é o caminho que traçámos, fruto de uma década de planeamento. Começamos com a criação de sustentabilidade financeira e desportiva. Depois com a criação de infra-estruturas como a Cidade Desportiva, para que no futuro possamos fazer negócios com clubes desta dimensão. Estou certo que a venda do Trincão nos vai abrir portas no futuro. O nosso caminho é formar, potenciar, fazer sentir o amor pelo nosso clube e vender. Não sobreviveremos se não o fizermos”, destacou ainda o presidente do Sporting Clube de Braga.

Plantel terá cada vez mais atletas da formação

O futuro vai passar, cada vez mais, por uma aposta real e bem vincada na formação. Os casos recentes de sucesso são muitos e os nomes de Pedro Neto, Xadas ou, claro, Trincão, sustentam uma vontade indesmentível da estrutura do SC Braga.

“É um facto. O nosso plantel, cada vez mais, vai ter jogadores da nossa formação. Temos uma formação excepcional e muito se deve às condições de trabalho que criámos. Temos muito talento e nos próximos tempos vai-nos dar mais soluções de qualidade. Queremos no nosso plantel um núcleo de jogadores forte que sustente todos os jovens que possam subir da formação. Este é o futuro e hoje sentimo-nos orgulhosos por vermos os jogadores que temos na formação, por termos cada vez mais jovens nas selecções e por termos cada vez mais talentos a aparecer”.

Num outro âmbito, os adeptos quiseram saber por que o futebol de praia e o futebol feminino contam com orçamentos maiores por comparação com as restantes modalidades do clube.

“Orgulhamo-nos de todas as modalidades que temos. Todas elas têm somado muitas conquistas. Como em tudo na vida e como em todos os clubes, há modalidades que são mais aposta que outras. As conquistas de cada uma delas tem demonstrado que o critério tem sido o mais correcto. Somos Bicampeões do Mundo, Tricampeões da Europa, Tricampões Nacionais, vencedores da Taça de Portugal, número um do ranking mundial… Seja em que modalidade for, ser número um do mundo é um grande feito que nos deve deixar orgulhosos. Temos que fazer escolhas porque nem todas as modalidades são profissionais… Nem podem ser”, advertiu o presidente, que realçou o orgulho pelo desempenho de todas as modalidades do clube.

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