Braga, sexta-feira

Assembleia aprova Relatório de Gestão e Contas da Câmara de Braga

Regional

27 Junho 2021

Marlene Cerqueira Marlene Cerqueira

Assembleia Municipal aprovou, anteontem, o Relatório de Gestão e Contas de 2020 da Câmara de Braga. Deputados do PS, CDU e BE votaram contra.

Sem surpresa, a Assembleia Municipal de Braga aprovou anteontem o Relatório de Gestão e Contas de 2020 da Câmara Municipal. O documento foi aprovado com 53 votos da favor, 14 contra e uma abstenção.


A favor votaram os deputados municipais que integram os partidos da Coligação ‘Juntos por Braga’ e os presidentes de Junta de Freguesia, com excepção de um do PS. Contra votaram os eleitos do Partido Socialista, CDU e Bloco de Esquerda.
 

 Na apreciação dos documentos, Alexandra Vieira, pelo BE, realçou que “os problemas estruturais do concelho mantêm-se”, notando que grande parte das obras “continuam inacabadas” e que a autarquia se continua a escudar na desculpa de que “as contas não se endireitam por causa do Estádio Municipal”. Entre outras críticas, Alexandra Vieira aponta a “ausência de uma política cultural” e as medidas de apoio à pandemia” que para o BE poderiam e deveriam “ter ido mais longe”.

Também a CDU criticou o relatório da Câmara, defendendo que poderia ter feito mais na resposta à pandemia. Criticou a ausência de investimento, “sempre justificada com a SGEB e com as contas do Estádio, esquecendo que o PSD aprovou a sua construção”. Para a CDU, os documentos em análise demonstram que a Câmara faz “gestão de navegação à vista” e que “2020 foi mais uma oportunidade perdida para os bracarenses”.


Já o PS, por João Nogueira, optou por fazer a avaliação da gestão da Coligação desde a sua chegada ao poder, em 2013. Área a área, foi criticando a actividade da autarquia. Se na educação os socialistas esperavam “mais”, na mobilidade esperavam “muito mais”. João Nogueira apontou os constrangimentos que se vivem a nível de trânsito, referindo que as soluções que têm vindo a ser implantadas acabam por ter um efeito contrário ao pretendido, nomeadamente quando se encurtam as vias para aumentar passeios. Realçou ainda que não foi aberta qualquer nova via para resolver os problemas do trânsito, lembrando que no tempo do PS não houve um mandato em que não se construísse uma variante, um viaduto, um túnel ou outra solução para melhorar a circulação viária. “Anunciam-se estudos, mas as soluções tardam em aparecer”, disse.
 

 Sobre as Sete Fontes, João Nogueira reconheceu que tem havido evoluções, mas considera que “são poucas para tanto tempo”. Na Cultura, aponta “um desinvestimento significativo”, criticando o esvaziamento do pelouro ao retirar-lhe processos como a candidatura a Capital da Cultura. Os grandes eventos da cidade, lembra que foram todos herança do PS, como a Noite Branca e a Braga Romana.


O socialista criticou ainda o “desmantelamento” Gabinete de Apoio às Freguesias, que era uma “ferramenta essencial” na ligação às autarquias locais.


“O PS não se revê neste projecto para o Município. Tem coisas naturalmente positivas, mas fica muito longe dos compromissos assumidos”, disse, anunciando o voto contra dos deputados do PS e liberdade de voto para presidentes de Junta.
 

Pelo PSD, Rui Marques veio elogiar a acção da Câmara em 2020, um ano marcado pela pandemia. O deputado elencou algumas das principais medidas com que a autarquia respondeu à pandemia e que já foram consideradas exemplo de boas práticas a nível das políticas locais por várias organizações internacionais. Elencou ainda algumas das principais medidas de apoio às famílias, instituições e tecido empresarial, medidas que tiveram em conta o equilíbrio entre a saúde pública e a economia local. Lembrou ainda que a Câmara se teve de substituir ao Estado em algumas respostas e sem qualquer apoio.


Rui Marques realçou também a liquidação da SGEB, que “vai permitir ganhos de 52 milhões” ao município, uma poupança “que vai beneficiar a acção dos próximos executivos”.


Apesar das dificuldades, “2020 foi também um ano marcante em termos do investimento que atingiu os 16,1 milhões de euros”, salientou. Recordou que, nos primeiros três anos deste mandato já foram investidos 54 milhões de euros.

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