Braga, sábado

Avanço do mar não assusta alguns moradores da Praia de Cedovém, em Apúlia

Regional

16 Dezembro 2020

Redação

O avanço do mar não assusta alguns moradores da Praia de Cedovém, em Apúlia. Cresceram e viveram do mar, servindo de alimento a toda a família. Para aquele lugar está previsto um projecto de reabilitação que implica a demolição das habitações.

“Mar que és traiçoeiro
fazes-me chorar,
levaste o amor,
deixa-o voltar.”
 

Uma quadra cantarolada por Elvira Palmeira e que reflecte a forte ligação que tem com o mar.


Elvira Palmeira, tem 79 anos, é uma das moradoras na praia de Cedovém, nas Pedrinhas, em Apúlia, no concelho de Esposende, lugar que viu esta semana o mar destruir uma casa desabitada.

 “A minha tristeza é se me tiram daqui. Eu queria morrer aqui. Adoro este lugar!”, contou ao Correio do Minho Elvira Palmeira, a propósito do projecto de reabilitação de toda aquela zona que prevê a demolição de algumas habitações junto ao mar.


“Fui tantas vezes ao mar com o meu homem e depois ia vender o peixe para Fonte Boa, Aguçadoura e por esses lugares fora”, recordou Elvira Palmeira, afirmando que “o mar mudou muito, ele não chegava às dunas, ainda tínhamos de andar a pé um pedaço para chegar às rochas para apanharmos as lapas e os mexilhões”.


À pergunta sobre o avanço do mar, Elvira Palmeira contou que nunca teve receio. “Eu furei tantas vezes o mar, eu ia no barco com o meu homem para criar os quatro filhos”.


Clemente Lourenço Palmeira, marido de Elvira Palmeira, mostrou-se tranquilo, assegurando que a sua casa está legal. “Se tiver que recuar, eles têm que me pagar uma casa”, disse ao Correio do Minho/Antena Minho.


Clemente Palmeira conhece o mar como a palma das suas mãos. Pescador durante 60 anos, andou na pesca do bacalhau nas águas do Alasca até ao Atlântico. “Se não fizerem uma protecção como temos aqui em frente às nossas casas, aí não tenho dúvidas que o mar vai avançar”, disse Clemente Palmeira, argumentando que “a prova que o mar não avança se houver protecção está à vista. Com esta protecção em madeira que está aqui na praia que foi feita por nós moradores, o mar não comeu aqui”. No final, deixou um apelo: “olhem por este lugar e avancem com a protecção que garantidamente o mar não avança. É preciso é fazer alguma coisa pela nossa praia”.

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