Braga, terça-feira

Banco Montepio reduz lucros em 77% para 3,6 ME no 1.º semestre

Economia

20 Setembro 2019

Lusa

O Banco Montepio teve lucros de 3,6 milhões de euros no primeiro semestre, quatro vezes menos do que os 15,8 milhões de euros dos primeiros seis meses de 2018, o que o banco atribui à "menor eficiência fiscal", segundo divulgado em comunicado ao mercado.

De acordo com o banco, no comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), para a queda do resultado líquido em 77% contribuíram fatores como "menor contribuição do Finibanco Angola (-5,0 milhões de euros) e menor eficiência fiscal face à verificada no primeiro semestre de 2018 (+8,5 milhões de euros em impostos)".
 

O Banco Montepio justifica também os resultados com a "diminuição do produto bancário (-18,5 milhões de euros face junho a 2018) e a sua conjugação com "os impactos positivos resultantes da redução dos custos operacionais (-7,3 milhões de euros em relação ao período homólogo de 2018) e da diminuição das dotações para imparidades e provisões (-12,4 milhões de euros em relação ao período homólogo de 2018)".
 

Assim, a descida do produto bancário, que passou de 134,2 milhões de euros no período homólogo de 2018 para 120,1 milhões no primeiro semestre deste ano,"foi determinada pelo contributo desfavorável da margem financeira" (diferença entre juros pagos em depósitos e recebidos em créditos).
 

A descida deveu-se "à redução dos juros recebidos na carteira de crédito dos clientes, bem como pelo menor contributo dos resultados de operações financeiras que ascenderam a -0,4 milhões de euros, quando comparado com o montante realizado no primeiro semestre de 2018 (5,2 milhões de euros)", explica o banco em comunicado à CMVM.
 

De resto, os juros da carteira de crédito do banco decresceram "no montante de 24 milhões de euros (efeito volume e preço)", mas foram "parcialmente compensados pela redução dos juros pagos nos depósitos", no valor de 13,2 milhões de euros, nos recursos de outras instituições de crédito, de 3,7 milhões de euros, e na dívida emitida", de 1,6 milhões de euros.
 

A receita com comissões aumentou 0,5% no semestre comparativamente ao período homólogo de 2018, totalizando 57,7 milhões de euros, graças ao aumento nos "serviços de pagamento e com mercados", apesar das comissões de crédito e outras prestações de serviços terem diminuído, aponta o banco detido pela Mutualista Montepio.
 

O montante previsto para imparidades e provisões totalizou os 47,7 milhões de euros, uma diminuição no primeiro semestre correspondente a 20,8%, graças a reduções nas imparidades para crédito (3,8 milhões de euros), outros ativos (6,0 milhões) e outras provisões (3,0 milhões), que foram contrariadas pelo aumento de imparização de ativos financeiros (0,5 milhões).
 

Os custos operacionais reduziram-se em 7,3 milhões de euros (5,5%) no primeiro semestre de 2019 face ao período homólogo de 2018, alicerçados "na diminuição dos custos com pessoal em 6,4 milhões de euros (-7,6%), na diminuição dos gastos gerais administrativos em 5,2 milhões de euros (-14,2%) e no aumento de 4,3 milhões de euros (+35,4%) das depreciações e amortizações", de acordo com o Banco Montepio.
 

Assim, o rácio 'cost-to-income' (entre custos operacionais e produto bancário) "situou-se em 68,2%, que compara com os 66,5% apurados no período homólogo de 2018".
 

O Banco Montepio revelou também que, depois da venda da sua participação no BTM de Moçambique, a “atividade internacional do grupo está agora concentrada em duas jurisdições, Angola e Cabo Verde, de onde se destaca o menor contributo do Finibanco Angola", que registou resultados de 5,9 milhões de euros no primeiro semestre de 2019, menos do que os 11,9 milhões no período homólogo de 2018.
 

Há várias semanas que há notícias sobre problemas no Banco Montepio, tanto por críticas à estratégia do banco como ao prolongar da indefinição sobre Dulce Mota, que desde fevereiro é presidente executiva interina.
 

Dulce Mota substituiu Carlos Tavares, que passou a ser apenas presidente não executivo ('chairman'), e desde então não foi decidido definitivamente se fica ou não como presidente da instituição.
 

Em 06 de setembro, foi conhecido que Luís Guimarães apresentou a renúncia aos cargos de administrador não executivo do banco Montepio.
 

Segundo o jornal Público, Luís Guimarães comunicou ao presidente não executivo do Banco Montepio, Carlos Tavares, a demissão, “alegando, entre outros aspetos, falta de condições para exercer a função de forma independente”.
 

O Jornal Económico noticia hoje que o Banco de Portugal enviou uma carta à Associação Mutualista Montepio Geral e ao Banco Montepio a pedir soluções de estabilidade governativa no banco, remetida na sequência da demissão daquele administrador.
 

Tanto o Banco Montepio como a Associação Mutualista Montepio Geral têm recusado fazer comentários sobre estes temas e o clima de tensão no interior do banco.

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