Braga, sexta-feira

Bastonários dos Enfermeiros e dos Médicos dizem que escolas já deviam ter fechado

Nacional

21 Janeiro 2021

Lusa

Os bastonários das ordens dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, e dos Médicos, Miguel Guimarães, lamentaram que só hoje o Governo tenha decidido encerrar as escolas, considerando que é uma decisão tardia.

Ouvidos por videoconferência numa audição conjunta na Comissão Eventual para o acompanhamento da aplicação das medidas de resposta à pandemia da doença covid-19 e do processo de recuperação económica e social, os bastonários defenderam que as escolas já deviam ter encerrado mais cedo.
 

Em resposta a questões levantadas pelos deputados, Ana Rita Cavaco afirmou que “a nova variante [do Reino Unido] é determinante para o combate à pandemia, mas não era determinante para a decisão do encerramento das escolas”.
 

“Nós não sabíamos em 87% dos casos onde é que ocorrem os contágios para tomarmos essa decisão, nem é determinante para combater a teimosia do senhor primeiro-ministro, porque isto efetivamente custa vidas aos portugueses e nós devíamos ter arranjado uma estratégia diferente de confinamento e não podemos querer agora, para desculpar essa teimosia, escudarmo-nos com a nova variante”, salientou a bastonária da Ordem dos Enfermeiros.
 

Também para Miguel Guimarães esta decisão é tardia: “A cada dia que passa com as escolas abertas maior é transmissibilidade da infeção e há vários estudos que comprovam exatamente isto”.
 

Segundo o bastonário, “o nível de jovens estudantes infetados, sobretudo a partir dos 12 anos, é neste momento muito elevado o que significa que eles podem se infetar na escola, mas depois trazem a infeção para casa e a seguir infetam os pais e os avós”.
 

Portanto, alertou, “isto nunca mais termina e depois há um descontrolo total de infeção que, é aliás, o que está a acontecer. Portanto, fechar as escolas é uma boa medida, já devia ter acontecido há mais tempo”.
 

Sobre as escolas encerrarem durante 15 dias e não haver ensino à distância, o bastonário da OM disse que é uma matéria sobre a qual se vai ter de debruçar em breve.
 

“O confinamento geral é provavelmente a medida que tem mais impacto naquilo que é a diminuição da transmissibilidade da infeção, mas temos que juntar ao confinamento geral, saúde pública, inquéritos epidemiológicos e testes massivos de vários grupos”, sublinhou.
 

Para Miguel Guimarães, estas são duas “medidas fundamentais” para rastrear as pessoas infetadas, para as isolar e diminuir a transmissibilidade da infeção, mas, lamentou “não está a ser feito. Aliás, há um descontrolo grande naquilo que é a identificação das cadeias de transmissão”.
 

Relativamente àquilo que pode ser feito para aliviar a pressão do SNS, defendeu que é usar “os vários recursos” na saúde que há no país.
 

“Neste momento, a saúde e a vida está acima da economia. Nós sabemos que a economia também pode ter impacto na vida das pessoas, é verdade, mas se nós não resolvemos o problema da saúde, nunca mais conseguimos recuperar a economia”, vincou.
 

“As meias medidas não servem à saúde nem servem a economia, e, portanto, nós temos que neste momento ter de facto uma posição muito firme naquilo que são as medidas restritivas”, advogou.
 

A covid-19 já matou em Portugal 9.686 pessoas dos 595.149 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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