Braga, quarta-feira

BIG é exemplo da Cultura “não franchisada”

Diversos

17 Janeiro 2023

José Paulo Silva José Paulo Silva

Bienal de Ilustração de Guimarães foi ontem apresentada. Evento arranca em Outubro, mas já estão abertas inscrições para principal prémio nacional nesta disciplina artística

Com o figurino de edições anteriores, a 4.ª edição da Bienal de Ilustração de Guimarães (BIG), que decorrerá de 20 de Outubro e 31 de Dezembro, é, na opinião do seu director artístico, prova de que a cidade “não é aberta ao franchisado da Cultura”. Ontem, na apresentação do evento, Tiago Manuel sublinhou o “crescimento sustentável” da BIG, garantindo que a mesma é “uma referência” no panorama cultural local e nacional.


O artista plástico declarou que o investimento do Município na BIG reforça “a vocação de Guimarães como cidade cultural”, considerando que “os eventos que nascem em Guimarães podem não ser pomposos, mas nascem de forma serena e segura, criam raízes”.
 

Para o vereador da Cultura na Câmara Municipal de Guimarães, Paulo Lopes Silva, também presente na apresentação da 4.ª BIG, esta “é um bom exemplo de como um evento cultural pode crescer de forma sustentada”, afirmando-se junto dos criadores.


O Município de Guimarães investe 80 mil euros na BIG, reconhecendo Paulo Lopes Silva a importância da bienal de ilustração “num contexto alargado das artes visuais em crescimento em Guimarães, nos últimos dez anos, com a criação do Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) e do curso de Artes Visuais da Universidade do Minho”.
 

A BIG é uma iniciativa do Município de Guimarães, com a organização da cooperativa MOTOR – Produção Cultural, e tem como objectivo dignificar o papel dos ilustradores no desenvolvimento cultural, no campo da edição, livros, revistas, jornais, cartazes, suportes clássicos de comunicação de massas e no domínio das novas tecnologias.


Segundo Rui Bandeira Ramos, o seu director técnico, chegados à 4.ª edição, “foram atingidos os objectivos deste evento “de referência nacional”.


O director artístico defende que “iniciativas desta natureza são fundamentais para mostrar os trabalhos dos ilustradores e dessa forma consolidar a profissão e a carreira”, difíceis em Portugal, onde todos os anos sao formados cerca de três centenas de pessoas nesta área.


“A BIG ajuda à estabilização do trabalho dos ilustradores portugueses”, declara Tiago Manuel, que elogia “a persistência da Câmara Municipal de Guimarães no projecto”.


Um dos destaques da BIG deste ano, ontem revelados, é a exposição ‘A Sensibilidade de Ilustrar’, dedicada ao artista Júlio Resende, que estará patente na Sociedade Martins Sarmento, com curadoria de António Gonçalves, que fez votos para que as ilustrações feitas para livros de escritores como Sophia de Mello Breyner Andresen, Eugénio de Andrade, Fernando Namora e Ilse Losa sejam “uma via para voltar à escrirta e revisitar a obra de Júlio Resende”.


Outros dos pontos do programa da BIG é ‘A Teia da Ilustração’, um ciclo de palestras com a ilustradora Mariana Rio, o cartoonista e escritor Luís Afonso e o editor de banda desenhada Marcos Farrajota.

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