Braga, sexta-feira

Bombeiros Famalicenses querem fortalecer laços com comunidade

Regional

28 Junho 2021

Marta Amaral Caldeira Marta Amaral Caldeira

Fundada em 1927, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Famalicenses exibe-se como uma das mais pujantes, correspondendo ao segundo maior corpo do país. Hoje, no pós-pandemia, quer ver reforçados os laços com a comunidade.

Foi com o juramento de bandeira de novos elementos, condecorações e entrega de divisas e, ainda, com a inauguração de duas novas viaturas que a Associação Humanitária dos Bombeiros voluntários Famalicenses celebrou, ontem, com ‘pompa e circunstância’ o 94.º aniversário perante o “orgulho” de dezenas de famalicenses que, além das entidades oficiais, entre as quais o presidente da Câmara Municipal de Famalicão, Paulo Cunha, fizeram questão de marcar presença na cerimónia e de aplaudir o corpo de ‘saldados da Paz’.

As bandeiras içaram-se no Quartel Aníbal Alves Oliveira para dar início às comemorações oficiais do 94.º aniversário da corporação, seguindo-se a celebração de uma eucaristia na Igreja Matriz de Famalicão, sita na Praça 9 de Abril, que esteve reservada apenas para os elementos dos bombeiros. Mas foi no regresso a ‘casa’ e tendo como palco o quartel que decorreu a primeira parte da cerimónia oficial, marcada pelas condecorações, pelo juramento de bandeira e pela bênção das duas novas viaturas - uma viatura de operações especiais e um barco.

Fundada em 1927, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Famalicenses, que teve origem numa cisão na velha Associação dos Voluntários, criada em 1890, exibe-se hoje como uma das instituições de maior relevância do país, assumindo-se mesmo como a segunda maior corporação do país, a seguir aos bombeiros sapadores de Lisboa.

Com 162 elementos no corpo de bombeiros, mais de 50 por cento jovens, os Bombeiros Famalicenses, também conhecidos como ‘guitas’, mostram-se aptos para combater todas as ocorrências, sempre com a missão maior de “não deixar ninguém para trás” e tendo sempre na mira o lema de ‘vida por vida’.

O presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Famalicenses, António Meireles, afirmou que esta é “uma instituição que muito deu, muito dá e muito dará a Famalicão”.

Indicando que estes tempos de pandemia de Covid-19 exigiram um “grande esforço pessoal, institucional e financeiro” da instituição, o presidente da direcção dos Bombeiros Famalicenses apontou para os “gastos suplementares” para que o socorro continuasse a ser prestado à população e os serviços pudessem ser mantidos para garantir a sustentabilidade da própria instituição. António Meireles destacou ainda que o aniversário tem como principal intuito “fortalecer ainda mais os laços que nos unem com a comunidade, que já são fortes, mas que nós queremos ainda mais fortes e cada vez mais profícuos em termos de eficácia”.

“É preciso melhorar sistema da protecção civil”

“Vamos aproveitar a oportunidade que a pandemia nos trouxe para melhorarmos o sistema de protecção civil em Portugal começando por dar ênfase ao mérito dos intervenientes e à boa gestão dos dinheiros públicos”, apelou António Meireles, presidente da direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Famalicenses, indicando que “os bombeiros de Portugal provaram, mais uma vez, ser uma peça fundamental para o bom funcionamento da protecção civil”.

António Meireles garantiu que os Famalicenses não vivem da subsídio-dependência, mas assinala que devem ser as próprias entidades públicas a dar-lhe essa valorização por via de mais apoios financeiros.

“Hoje em dia não há mecenas. Há pessoas simpáticas e amigas dos bombeiros que reconhecem o esforço que é feito e que nos vão ajudando com pequenas lembranças e todos os investimentos que esta casa faz, como é o caso destas duas novas viaturas. Este ano já foram investidos 160 mil euros em viaturas, com capitais próprios, que advêm dessas pequenas ajudas mas fundamentalmente dos serviços que prestamos e é aí que nós apostamos em prol da nossa sustentabilidade”, afirmou.

Comandante exorta Paulo Cunha a melhorar Regulamento de Benefícios aos Bombeiros

O comandante do Bombeiros Voluntários Famalicenses, Bruno Alves, pediu, ontem, publicamente, ao presidente da Câmara Municipal de Famalicão, Paulo Cunha, para que melhore o Regulamento de Benefícios aos Bombeiros de Vila Nova de Famalicão, antes de cessar o mandato, uma vez que não se recandidata à Câmara Municipal.

No discurso da cerimónia oficial do 94.º aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Famalicenses, o comandante Bruno Alves apontou para o Regulamento dos Benefícios aos Bombeiros do concelho de Famalicão que foi aprovado recentemente e exortou o ainda autarca famalicense a melhorá-lo e aprová-lo antes de cessar as suas funções “para que tenhamos efectivamente um regulamento que beneficie os bombeiros e que responda às suas necessidades”.

“Somos uma instituição de entrega, serviço e dedicação à comunidade famalicense. Uma instituição que resolve problemas, não os causa”, disse o comandante da instituição. Dirigindo-se especialmente ao presidente da Câmara de Famalicão e apontando-o como responsável pela protecção Civil Municipal, Bruno Alves instou o autarca Paulo Cunha a orgulhar-se dos Bombeiros Famalicenses - um corpo “que é top 3 em termos de Bombeiros do Quadro Activo e top 10 em termos de prestação de serviços a nível nacional”.

Lembrando “o ano difícil” que a sociedade em geral atravessou com a pandemia de Covid-19, em que também o corpo de bombeiros que sofreu um ‘surto pandémico’ e recordando a perda do próprio pai, também ele um ‘guita de fibra’, o comandante dos Bombeiros Voluntários Famalicenses, Bruno Alves, afirmou que “foi duro”, mas que “nunca um pedido de socorro ficou por atender ou um doente deixou de ser transportado aos seus tratamentos”. Assumindo o seu “orgulho” pela corporação que lidera, o comandante fez questão de agradecer a todos o empenho e sentido de missão.

Bruno Alves fez questão de destacar o “trabalho de articulação” que tem vindo a ser desenvolvido com a direcção da associação humanitária e parabenizou todos os que fizeram ontem o respectivo juramento de bandeira, bem como todos os que foram promovidos.

Centro de Formação em Outiz é projecto para realizar no futuro

A formação e a prevenção são duas das grandes apostas da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Famalicenses e é com vista a potenciar estas vertentes que a instituição pretende construir, num futuro próximo, o Centro de Formação e Treino em Outiz.

“Com vista a consolidar esta vertente da prevenção e da formação, iniciámos em 2015, o processo para a construção em Outiz do Centro de Formação e Treino e Base de Apoio Logístico. Desde então e após a aprovação do licenciamento por parte da Câmara Municipal de Famalicão, a obra esteve empatada pela falta de decisão do governo quanto à distribuição das bases de apoio logístico em território nacional”, apontou António Meireles, presidente da direcção da associação humanitária.

“Apesar de a nossa base logística, que estava agregada ao projecto do centro de formação e prevenção, não ter sido considerada, nós vamos avançar com o projecto deste centro de formação, embora ligeiramente reformulado e assim que as nossas finanças estejam recompostas do esforço adicional que teve que ser efectuado ao nível do combate à pandemia de Covid-19”, garantiu António Meireles, projectando o futuro.

Durante a sua intervenção nas comemorações do 94.º aniversário da corporação, António Meireles apontou, ainda, para a “reconversão dos corpos de bombeiros”, considerando “uma necessidade” tornar os corpos de bombeiros voluntários em mistos. “É uma premissa incontornável a fim de podermos responder de um modo rápido e eficaz, na primeira intervenção”, afirmou.

O presidente da direcção dos Bombeiros Famalicenses disse ainda que é, hoje, imperioso “tornar cada vez mais atractiva a carreira de bombeiro voluntário, dando a estes homens e mulheres todos os sinais de carinho e apoios que pudermos dispensar”.

Ao nível do financiamento da protecção civil, onde se enquadram os bombeiros, António Meireles disse que esta “é uma responsabilidade do poder central, mas também das autarquias locais, comunidades intermunicipais, comissões de coordenação de desenvolvimento regional, seguradoras e outras tantas entidades interessadas em que haja uma eficaz protecção civil”.

Paulo Cunha diz que Bombeiros Famalicenses são “um exemplo”

Paulo Cunha, presidente da Câmara Municipal de Famalicão, afirmou, ontem, a sua “enorme satisfação” por ver que o corpo de bombeiros dos Voluntários Famalicenses é diverso, em idades e género, sendo “um exemplo”.

Considerando que as condecorações realizadas são também um motivo de orgulho para a autarquia famalicense, uma vez que significam também “mais qualidade”, o autarca sublinhou que “esta é uma corporação bem apetrechada e melhor preparada”, assinalando que, hoje, o trabalho da protecção civil “é cada vez mais exigente e diversificado e é muito importante que as associações continuem o seu caminho”.

Quanto a mais apoios, Paulo Cunha garantiu que a câmara tem essa sensibilidade para com os bombeiros e disse tudo fazer para a estender à sociedade em geral.

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