Braga, quinta-feira

Bracarense cria chinelos como marca de superação da quarentena

Regional

20 Dezembro 2020

Redação

Chineleiras é a nova marca de chinelos criada por Ana Rita Malheiro. Uma história de superação de desemprego, fruto da pandemia e, sobretudo, de amor e de homenagem à avó que era mestre na arte da fazer chinelos para os ranchos.

Chineleiras é uma marca que ainda vai dar muito que falar. Assim espera Ana Rita Malheiro, de 26 anos, e que viu o seu projecto ser reconhecido no concurso New Talent, iniciativa que procura dar a conhecer jovens talentos ligados ao lifestyle.

Ana Rita Malheiro é uma das dez finalistas da edição deste ano do concurso, cuja final está marcada para o dia 30 deste mês.

Inspirada na história de vida da sua avó, conhecida, em Vila Verde, pela chineleira, Ana Rita Malheiro criou uma marca de chinelos com o mesmo nome, em homenagem à avó, recentemente falecida. “ A minha avó fazia chinelos à mão para os ranchos e era conhecida pela chineleira”, contou ao ‘Correio do Minho’ a jovem criadora, confessando uma “profunda admiração” pela avó com quem viveu até à idade adulta.

O produto das ‘chineleiras’ é mais um caso de sucesso, fruto da pandemia que ‘empurrou’ Ana Rita Malheiro para o desemprego.

Confinada em casa e a vontade de dar a volta levou Ana Rita Malheiro a arregaçar as mangas e começar a sua criação de chinelos. “Inspirada nos chinelos que a minha avó fazia, comecei a ver uns vídeos e fui aprendendo”, afirmou Ana Rita Malheiro. “Mas nem tudo foi fácil”, prossegue a criadora “falei com o sapateiro e um artesão local especialista em cestaria para ver as melhores técnicas a aplicar na base dos chinelos e hoje trabalho em parceria com eles”.

Assim, toda história das ‘Chineleiras’ anda à volta da avó, diagnosticada com a doença de Alzheimer e que não chegou a conhecer o projecto da neta.

A morte da avó fez Ana Rita Malheiro repensar se continuaria com o projecto, mas eis que surge “um sinal”, conta a criadora. “A minha avó faleceu no dia 15 de Setembro e a 15 de Outubro soube que era finalista do concurso. Foi uma mensagem de que deveria continuar a investir no meu projecto e assim aconteceu”.

Ana Rita Malheiro não está sozinha neste projecto. Conta com a colaboração da ex-colega de trabalho Liliana Ribeiro, de 28 anos, que, entretanto, já se encontra a trabalhar, mas continua ligada à marca.

Ideias não faltam a estas duas jovens criadoras. “Se ganharmos o prémio, vamos investir em marketing, aumentar a equipa de trabalho, possibilitando dar emprego a mais desempregados”, disse Ana Rita Malheiro, acrescentando um propósito maior: “caso venha a ganhar o prémio, é minha intenção doar dez por cento do valor à investigação da doença de Alzheimer”.

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