Braga, sábado

Braga e Guimarães esquecem 'rivalidades ancestrais' e unem-se pelos sacromontes

Regional

14 Dezembro 2020

Redação

Os municípios de Braga e Guimarães puseram de lado antagonismos históricos e rivalidades ancestrais e decidiram avançar com o Programa Intermunicipal dos Sacromontes, que visa reabilitar e preservar o património construído e natural que os une.

Os municípios de Braga e Guimarães puseram de lado “antagonismos históricos” e “rivalidades ancestrais” e decidiram avançar com o Programa Intermunicipal dos Sacromontes, que visa reabilitar e preservar o património construído e natural que os une.

O vereador do Planeamento, Património e Regeneração Urbana na Câmara de Braga, Miguel Bandeira, disse hoje à Lusa que se trata de um programa “inédito no país”, que junta dois municípios que integram comunidades intermunicipais diferentes.

“São dois municípios que vão olhar para as serranias contíguas como uma só. A ideia é que essas serranias, em vez de separarem, unam os dois territórios”, referiu o autarca.

Hoje, a Câmara de Braga aprovou o envio do projeto para a ratificação da Assembleia Municipal, após o que ficará “desbravado” mais um “pedaço de caminho” para o avanço do projeto.

Denominado “Dois territórios, uma paisagem”, o programa será elaborado por uma equipa multidisciplinar, coordenada pela arquiteta paisagista Teresa Andresen, que será assessorada por uma equipa interna de cada município e uma externa a contratar.

Em causa uma área florestal com mais de 2.600 hectares, pontuada por imóveis de valor patrimonial “de grande significado”, como o Bom Jesus do Monte, em Braga, classificado em 2019 como Património Mundial da Unesco, na qualidade de Paisagem Cultural.

Esta classificação, como adiantou Miguel Bandeira, impulsionou ainda mais o Programa Intermunicipal dos Sacromontes.

“A classificação obriga a que há um maior enquadramento e uma maio proteção de uma envolvente mais alargada”, explicou.

A citânia de Briteiros, os povoados castrejos de Santa Marta das Cortiças e Sabroso, a Basílica do Sameiro e as igrejas de Santa Maria Madalena e de Santa Marta do Leão são outros dos monumentos presentes naquela área.

O programa tem, precisamente, como ponto de partida a Igreja de Santa Maria Madalena, monumento administrativamente partilhado pelos concelhos de Braga e Guimarães.

“Inicialmente, o programa foi pensado sobretudo para a vertente do património edificado, mas, entretanto, e depois dos grandes incêndios ali registados, foi alargado também para a área florestal, porque pensamos que faz todo o sentido aliarmos uma coisa à outra, numa perspetiva de salvaguarda e preservação de todo um património valiosíssimo”, adiantou Miguel Bandeira.

Na proposta hoje levada à reunião da Câmara de Braga, lê-se que este programa consubstancia um instrumento legal que derruba limites meramente territoriais, anula “antagonismos históricos” e dilui “rivalidades ancestrais”.

O programa, acrescenta, “passa pela reafirmação do valor icónico dos sacro-lugares, estrategicamente posicionados no terreno e aconchegados numa vasta envolvente florestal”.

O programa já tem o aval da Secretaria de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, tendo também merecido o acolhimento e o elogio da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN).

Para a CCDRN, trata-se de uma iniciativa “única e inédita” que terá “grande importância” para o norte do país.

“Mais do que um instrumento territorial, é uma vontade comum de salvaguarda do património de uma paisagem construída, fruto de uma particular relação do homem com a natureza que ultrapassa limites administrativos e antagonismos históricos, com um propósito e um sentido: a preservação e salvaguarda de um território singular”, refere a CCDRN.

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