Braga, quarta-feira

Braga vai quadruplicar número de vacinações diárias no Altice Forum

Regional

24 Fevereiro 2021

Paula Maia

Estão previstas 800 aplicações diárias, em vez das 200 até agora realizadas. Nas próximas oito semanas serão vacinados perto de 19 mil utentes integrados na primeira fase. Mas todo o processo ficará dependente do número de vacinas disponível.

A transferência do processo de vacinação para para o Altice Forum Braga promete garantir maior comodidade e conforto para os utentes mas, sobretudo, ampliar exponencialmente a capacidade de resposta, permitindo triplicar o número de doses administradas diariamente.


Das 200 doses diárias que eram aplicadas no Largo Paulo Orósio aos utentes integrados nesta primeira fase (com mais de 80 anos ou mais de 50 com patologias associadas) passar-se-á para uma média de 800 inoculações por dia, prevendo-se que nesta semana sejam vacinadas cerca de 2500 mil pessoas.
 

Nas próximas oito semanas deverão ficar vacinadas os 19 mil utentes integrados nesta primeira fase, mas todo o processo ficará dependente - tal como acontece a nível nacional - do número de vacinas disponível, facto que poderá provocar algum retrocesso ou aceleração do mesmo.
 

 De visita ao Centro de Vacinação do Altice Forum Braga, que entrou ontem em funcionamento, o presidente da câmara de Braga adiantou que nem sempre tem chegado a cada um dos territórios o número de vacinas que seria desejável, facto que está dependente ao acesso às mesmas a nível nacional. No entanto, Ricardo Rio diz que mantendo-se a disponibilização que está prevista para o ACES de Braga “teremos capacidade para manter esta cadência, apontando-se oito semanas para cumprirmos esta etapa onde todos os cidadãos com mais de 80 anos com 50 anos e algumas patologias serão vacinados”.
 

 O autarca adianta que gostaria que o processo fosse mais acelerado, garantindo que o Altice Forum Braga tem todas as condições, em termos e recursos humanos alocados e de espaço, para ampliar a capacidade de resposta “caso houvesse a disponibilização de mais vacinas”.


O acesso ao centro de vacinação do Altice Forum Braga é feiro através do Parque de Estacionamento, pela Rua Monsenhor Airosa (em direcção a Lomar).
 

 As pessoas com limitações em termos de mobilidade podem utilizar cadeiras de rodas que são disponibilizadas no local, usufruindo de um acesso mais privilegiado ao local de vacinação através de elevador. “Uma pessoa que tenha muitas limitações pode vir em transporte privado ou em ambulância e nem sequer sair da sua viatura, sendo-lhe administrada a vacina nesse veículo”, explicou Ricardo Rio, garantindo que estão criadas todas as condições para “o processo fluir normalmente”.


A convocatória é feita preferencialmente por SMS.


O autarca admite ainda que numa fase posterior, quando estiver em causa outro tipo de público, o processo possa ser descentralizado, mais próximo de cada um dos territórios, apontando como exemplo os centros ou extensões de saúde, sedes de junta de freguesia ou farmácias.
 

Ricardo Rio: “É fundamental a transparência e o escrutínio da gestão do processo”


Não obstante o factor incontornável a nível nacional que é o do acesso ao número de vacinas, o presidente da câmara de Braga assume que, do ponto de vista da gestão, o processo de vacinação em Portugal, sobretudo no que à seriação diz respeito, foi mal conduzido. “Há várias questões que são discutíveis, desde a priorização, do leque de seriação que foi feito, o porquê incluir determinados profissionais e não outros”, diz Ricardo Rio.
 

 Já no diz respeito à alocação das vacinas ao desenvolvimento do processo, o autarca de Braga garante que na passada semana teve oportunidade de transmitir ao responsável da Task Force que é necessário respeitar uma dimensão que considera fundamental para que as pessoas depositem confiança no processo: a transparência e os escrutínio de como está a ser gerido. “Da mesma maneira que temos acesso ao número diários de infectados e àquela que é a territorialização dessa informação, o mesmo deveria acontecer em relação às vacinas. Acho que isso é importante para que as pessoas se sintam confiantes”, referiu.
 

Quanto ao plano de desconfinamento, Ricardo Rio concorda que, em termos de seriação, a primeira fase incida sobre os níveis de ensino e, concretamente, os mais baixos “não só pelo menor grau de exposição ao risco dessa franja da população, mas também, indirectamente, pelos condicionalismos que a sua permanência em casa têm sobre as respectivas famílias” .
 

 Do ponto de vista do desenvolvimento económico, reabrir esses níveis é, segundo Ricardo Rio, ajudar a uma retoma da normalidade. “Ainda assim acho que esse processo deve ser feito com algumas cautelas. Não sinto nenhuma urgência de que haja uma reabertura muito próxima de qualquer a valência”, adianta o autarca de Braga, apelando à cautela mesmo com a evolução muita positiva do números nas últimas semanas, sobretudo no concelho.
 

Vacina é o “primeiro passo para a liberdade” que promete regressar
 

Teresa Oliveira, de 95 anos, viu chegar a sua vez para aquela que foi a primeira dose da vacina contra o Covid. “Já há muito tempo que não saio de casa. Estou farta de uma situação que nunca pensei viver”, diz-nos a bracarense que se fez acompanhar pela neta. “Apesar da idade, a minha avó é uma pessoa com mente aberta e estava ansiosa pela chegada da vacina para ver se recupera alguma normalidade”, conta.


Também com 95 anos completos, Manuel Gomes confessou o seu “fraco apetite” para ser vacinado, mas reconhece que é a única forma de recuperar “a vida que tinha”.
 

“Há meses que não saio de casa por causa desta pandemia, nem para visitar o cemitério onde está a minha esposa”, diz-nos visivelmente emocionado. A filha, que o acompanhou a este centro de vacinação, revela que não tem sido fácil gerir estes dias de isolamento. “Está saturado por estar em casa e pergunta porque é que não pode sair”, conta, adiantando que o pai chegou mesmo a perguntar ao enfermeiro que lhe administrou a vacina se era possível passar uma declaração assim como estava vacinado e podia sair de casa.
 

 Não fosse o pequeno quintal que possui, o último ano teria sido bem mais difícil para António, residente em Este S. Pedro, por causa da pandemia. “Trabalhar um pouco a terra tem sido o meu refúgio, o meu entretenimento. É o meu desporto”, diz sorridente. A filha, que o acompanhou neste processo, diz que o pequeno terreno que possui foi fundamental para ajudar gerir as restrições impostas, sobretudo nesta faixa etária. “Gosta de ler, ver televisão nos dias de chuva, mas o contacto com a terra foi crucial. Sentia-se útil”, confirma ainda a filha.
 

“Estou contente por levar a vacina. E ansioso também. Deposito nela grande confiança”, confidencia António.


Já no espaço de recobro, onde os utentes aguardam trinta minutos após a toma da vacina, José Sampaio Lopes, de 89 anos e natural de S. Victor, diz que a toma da vacina representa uma “obrigação” para um possível retorno à normalidade. Confessa também que o último ano, além dos problemas de saúde que teve de enfrentar, foram difíceis de gerir emocionalmente. “Há cinco meses que não saio de casa. E isso mexe muito com a cabeça”, desabafa José. “Tenho a esperança que de esta seja a luz no fundo do túnel. Para toda a gente”, remata.

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