Braga, quarta-feira

Câmara de Braga marca para 14 de fevereiro hasta pública da fábrica Confiança

Regional

29 Janeiro 2020

Lusa

A hasta pública para a alienação do edifício da fábrica Confiança, em Braga, terá lugar em 14 fevereiro, sendo o valor base de 3,6 milhões de euros, anunciou hoje o município.

Em comunicado, o município acrescenta que elaborou um caderno de encargos que, “além de salvaguardar integralmente” a volumetria da antiga fábrica, prevê a construção, nos terrenos adjacentes, de um novo edifício destinado exclusivamente a residência universitária, com capacidade para 300 unidades de alojamento.
 

O documento prevê também a criação, no edifício principal, de um centro interpretativo/museu da memória da Confiança e serviços de apoio à residência universitária.
 

“Com esta estratégia arquitectónica, será possível repor a integridade do antigo edifício, salvaguardando-se a memória e o espaço da Via Romana XVII, e retomar a Rua do Pulo, que havia sido interrompida no passado com a ampliação das instalações fabris”, sublinha o comunicado.
 

Refere ainda que o caderno de encargos “garante a memória e integridade do edifício e potencia a ligação à cidade, em especial à Universidade do Minho”.
 

O caderno de encargos foi elaborado após a aprovação do pedido de informação prévia (PIP), que contou com parecer favorável do Conselho Nacional de Cultura.
 

O edifício está em processo de classificação.
 

A alienação do edifício é contestada por PS, CDU e Bloco de Esquerda e também pela Plataforma Salvar a Fábrica Confiança, que defendem que o imóvel deveria continuar na esfera pública e ser convertido num equipamento cultural.
 

Alegam que será um “negócio da China” para o privado que comprar, já que pagará, em 2020, o mesmo valor que a câmara pagou em 2012 quando adquiriu o edifício.
 

Dizem ainda que o argumento da residência universitária é um “embuste”, sublinhando que, “quando muito”, o que poderá ali nascer será “uma residência para universitários”, a preços elevados.
 

PS, CDU e Bloco de Esquerda e a plataforma criticam igualmente a alienação “do último reduto da memória industrial” da cidade.
 

A fábrica Confiança foi desenhada por José da Costa Vilaça e inaugurada em 1921, tendo produzido perfumes e sabonetes até 2005.
 

Em 2012, foi adquirida pela câmara, então presidida pelo socialista Mesquita Machado.
 

Chegou a ser aberto um concurso de ideias para o edifício, mas entretanto em 2013 a câmara mudou de mãos e em setembro de 2018 a nova maioria PSD/CDS-PP/PPM votou pela venda, alegando que, por falta de fundos disponíveis para a reabilitação, o edifício se apresenta em “estado de degradação visível e progressiva”.

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