Braga, sexta-feira

Camiões nos portos de Leixões e Viana do Castelo menos poluentes até 2024

Regional

09 Dezembro 2020

Lusa

Os camiões que operam nos portos de Leixões e Viana do Castelo vão ter de ser menos poluentes até 2024 sob pena de interdição, de acordo com um protocolo hoje assinado com a Associação de Transportadores de Mercadorias.

Em comunicado, a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) esclarece que, no âmbito do protocolo firmado com a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), foi decidido “interditar a entrada e circulação de viaturas Euro I, II [as mais poluentes], III e IV nos portos de Leixões e Viana do Castelo já no próximo ano”.
 

Para o efeito, “está previsto um período de transição para as viaturas que, a 31 de dezembro deste ano, estejam registadas nos respetivos portos”, sendo que, “para os camiões EURO I e II, classificados como mais poluentes, este período será de 24 meses e as viaturas EURO III e IV terão 36 meses para a adaptação”.
 

Segundo a APDL, o acordo prevê também “a redução do tempo das operações, designadamente o levantamento e entrega de contentores marítimos ou outras mercadorias, contribuindo para a diminuição da emissão de gases para a atmosfera e para a redução da emissão de ruído provocado pela circulação e pela atividade de camiões dentro da área portuária”.
 

Na base do protocolo está “uma série de medidas que a APDL tem vindo a implementar com vista à melhoria da qualidade do ar na área portuária e, consequentemente, nas áreas envolventes, minimizando os impactos da sua atividade nas cidades e implementando as melhores práticas na gestão dos recursos, de modo a reduzir a pegada ambiental dos seus portos”, sustenta a autoridade portuária.
 

Na semana em que se assinalam “cinco anos da aprovação do Acordo de Paris”, a APDL aponta como “grandes objetivos” para os próximos anos “servir de exemplo aos restantes portos portugueses na implementação de medidas que tornem as infraestruturas portuárias mais sustentáveis”.
 

“Estamos a desenvolver um verdadeiro roteiro para a descarbonização, com um conjunto de medidas que visam reduzir a pegada ecológica da nossa atividade, até 2030. Mais uma vez, estamos na vanguarda do setor portuário no que concerne ao respeito ambiental e social”, explica Nuno Araújo, presidente da APDL, citado pelo comunicado.
 

Pedro Polónio, presidente da ANTRAM, frisou o “grande objetivo [da empresa] de redução das emissões atmosféricas das viaturas dos seus associados e, igualmente, a melhoria das frotas por estes utilizadas”.
 

Luísa Salgueiro, presidente da Câmara de Matosinhos, também citada pela nota de imprensa, defendeu que a “assinatura de um protocolo que pretende reduzir substancialmente as emissões de Gases com Efeito Estufa que contribuem para as Alterações Climáticas e o impacto ambiental de uma infraestrutura tão proeminente e relevante como é o Porto de Leixões, traz consigo, não só a melhoria das condições de vida dos cidadãos, como um sinal importante de que este motor económico de Matosinhos está em linha com os objetivos do município de cumprir com as metas de descarbonização da economia”.
 

Segundo a APDL, entram diariamente no Porto de Leixões mais de 1.500 viaturas de transporte de mercadorias, que libertam um total de 1,189 toneladas de CO2 para a atmosfera, sendo cerca de 27 % das viaturas pesadas classificadas como EURO I, II, III e IV.

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