Braga, segunda-feira

Camionistas acarinhados com palmas e alguns miminhos por onde passam

Regional

12 Abril 2020

Redação

Gonçalo Gião é um dos muitos camionistas que continua a trabalhar. Há anos que percorre praticamente todos os países da Europa e, por estes dias, o cenário é completamente diferente. Nas estradas, apenas se cruza com outros camiões.

Camionista há seis anos, Gonçalo Gião sente um “orgulho enorme” no trabalho que faz, muito mais por estes dias. Percorre praticamente todos os países da Europa e, por estes dias, o cenário é “completamente diferente” do habitual. “Faço quilómetros e quilómetros sozinho. Cruzo-me apenas com outros camionistas”, confirmou o barcelense, mostrando-se “emocionado” com as palmas que recebe nas fronteiras e portagens e com os ‘miminhos’ que lhe oferecem nas estações de serviço.

A trabalhar para uma multinacional, com sede em Espanha, Gonçalo Gião transporta para toda a Europa legumes e frutas produzidas na zona sul de Espanha, em Almeria. “Esta zona, junto ao Mediterrâneo, tem um micro-clima, em que as temperaturas rondam, no Inverno, os 23 ou 24 graus. Por isso, há tomates, pepinos e outros legumes durante todo o ano e sempre frescos”, contou o camionista, referindo que Marrocos também já está a entrar no mercado, comercializando, sobretudo, pepino e pimento.

Gonçalo Gião, por norma, trabalha três semanas e regressa a casa, por onde fica três a quatro dias. “Quando saio de casa já sei qual vai ser o meu percurso e destino. Fazemos quase todos os países da Europa, sobretudo, França, Inglaterra, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Suécia, Alemanha, República Checa e até a Grécia”, adianta o camionista, que conta com a companhia, durante a viagem, de outro colega de profissão.

Como a pandemia Covid-19 surgiu “de forma tão rápida” pelos vários países da Europa, Gonçalo Gião admite que fica “alarmado” ao ver as notícias. Por isso, desde logo, o camionista tomou todas as precauções que as autoridades de saúde recomendam. “Coloco sempre máscara e calço luvas. Antes de regressar ao camião, tiro a máscara e as luvas e desinfecto as mãos. Não consigo tirar a roupa sempre que saio e entro no camião, por isso, tento não ter contacto com ninguém nas minhas saídas”, confirma Gonçalo Gião, garantindo que cumpre a distância mínima e está sempre a desinfectar as mãos.

Sobre as medidas aplicadas, Gonçalo Gião confirma que mudam de país para país. “Por exemplo, em Madrid, Espanha, nota-se que está todo o mundo muito assustado. Foi uma propagação muito rápida e nas grandes cidades é sempre pior”, refere o camionista, notando uma “enorme mudança” nos últimos 15 dias em quase todos os países por onde tem passado.

No caso da França, continua o camionista, “as medidas estão a ser levadas muito a sério e as autoridades não têm problema em multar as pessoas que desobedecem às leis que, entretanto, entraram em vigor por causa da Covid-19”, descreve o camionista, retratando um pouco aquilo que se vai apercebendo durante as viagens que tem realizado nas últimas semanas.

Claro, que o facto de conduzir um camião frigorífico facilita a passagem nas fronteiras e portagens. “Há muito controlo nas portagens e, sobretudo, nas fronteiras entre países. Mas aqui controlam mais os carros particulares para saber se as pessoas vão trabalhar ou andam a passeio”, sublinha.

Mas o que tem deixado “emocionado” Gonçalo, e outros camionistas, são os gestos de carinho que tem recebido pelo ca- minho. “Quando passamos nas fronteiras e portagens, as pessoas começam a bater palmas e a agradecer o nosso trabalho e a coragem que temos em continuar a trabalhar para distribuir os alimentos por vários países”, agradece o camionista, confessando que “assim dá gosto trabalhar”.

Além disso, nas estações de serviço, sobretudo, em Espanha, França e Alemanha já estão a oferecer alguns ‘miminhos’ aos camionistas. “Estes locais mantém as casas-de-banho abertas e quando parámos para encher o depósito ou para ir à casa-de-banho, os funcionários oferecem- -nos água e alguns alimentos”, conta Gonçalo Gião, referindo ainda que quando estão parados nas estações de serviço, apenas para descansar, também lhes vão oferecer café e chocolate.

“Um bem-haja a todas pessoas que têm estes gestos a título particular e nos deixam emocionados. É gratificante ouvir os aplausos e as pessoas a agradecerem o nosso trabalho”, confessa.

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