Casos de tuberculose continuam a descer em Portugal

Nacional

24 Março 2021

Lusa

A notificação de casos de tuberculose manteve uma trajetória descendente em 2018 e 2019, segundo o Relatório de Vigilância e Monitorização da Tuberculose em Portugal, publicado hoje pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

Em 2019 foram notificados 1.848 casos de tuberculose, menos 38 face aos 1.886 verificados em 2018, equivalendo a uma taxa de notificação de 18 por 100 mil habitantes em 2019 e de 18,4 por 100 mil habitantes em 2018.
 

Quanto a novos casos, 2019 registou 1.696, além de 152 retratamentos; enquanto em 2018 foram registados 1.740 novos casos e 146 retratamentos. A taxa de incidência (número de novos casos) seguiu igualmente a tendência de descida, com 17 casos por 100 mil habitantes em 2018 e 16,5 em 2019.
 

Em termos regionais, Lisboa e Vale do Tejo, com 22,9 casos por 100 mil habitantes em 2019 (884 casos), e o Norte, com uma taxa de notificação de 19,8 (707 casos), permanecem como as regiões com maior incidência da doença no país.
 

Na distribuição por sexos, há um maior impacto nos homens, sendo do sexo masculino 66,9% dos casos notificados em 2019.
 

A nível etário, há uma clara prevalência da tuberculose em idade adulta. Apenas 3% do total de casos de 2019 surgiram em crianças e jovens até aos 15 anos. A idade mediana registada em 2019 foi de 49 anos, mais um do que os 48 anos estimados para 2018.
 

Em relação à caracterização clínica e bacteriológica dos casos, a maioria continua a ter a forma pulmonar, com 74,1% do total de casos de 2019. Por outro lado, formas graves de tuberculose disseminada, meníngea ou do sistema nervoso cifraram-se em apenas 92 casos em 2019 (87 no ano anterior), representando 5% do total de casos.
 

Paralelamente, 79,9% dos casos notificados em 2019 foram também testados para VIH (88,1% em 2018), sendo que 9% apresentavam coinfeção tuberculose/VIH.
 

De acordo com os indicadores, o sucesso dos tratamentos situou-se em 83%, enquanto a letalidade da doença não foi além dos 7,1%.
 

O relatório alerta para o elevado tempo de diagnóstico e para os riscos que isso levanta em termos de disseminação social. “A demora mediana entre o início de sintomas e o diagnóstico tem vindo a aumentar na última década, o que se relaciona com um menor índice de suspeição de tuberculose por parte dos profissionais e da própria população e que justifica a necessidade de melhorar a literacia em tuberculose”.
 

Entre as explicações, o documento indica que o “atraso no diagnóstico se relaciona em dois terços dos casos com o atraso do utente na valorização dos sintomas e procura de cuidados de saúde e em um terço dos casos com a resposta dos cuidados de saúde”. A nível nacional, o tempo entre o início dos sintomas e o diagnóstico foi em 2019 de 74 dias, o que traduz uma evolução positiva face aos 79 dias de 2018, mas está muito aquém dos 60 dias que se verificavam em 2010, o ano com o valor mais baixo da última década.
 

“Os resultados atuais significam a necessidade de otimização das ferramentas de vigilância para maior acuidade dos resultados e o planeamento de estratégias futuras de melhoria da literacia em tuberculose pela população e pelos profissionais”, refere a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, no relatório.
 

Na definição das perspetivas para 2021 e 2022, o Programa Nacional para a Tuberculose “define como prioridade a reorganização da resposta assistencial à tuberculose, a otimização das plataformas de notificação e a melhoria da literacia em tuberculose na população em geral e nos profissionais de saúde e por fim, a interligação entre as várias estruturas da saúde e sociais, permitindo uma resposta integrada”.
 

O impacto da pandemia de covid-19 não é esquecido no documento, que lembra que o investimento financeiro realizado para travar a propagação do vírus SARS-CoV-2 “terá um impacto previsível” no controlo de doenças como a tuberculose. “O acesso aos cuidados de saúde poderá ser mais difícil sendo necessário estratégias de ajuste na resposta dos cuidados de saúde, mantendo a resposta centrada no doente e envolvendo a comunidade”, conclui.

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