Braga, quinta-feira

CEB da UMinho desenvolve bioprocesso de produção de lípidos a partir de resíduos orgânicos e efluentes

Regional

28 Setembro 2020

Redação

Aquilo que até agora era lixo vai passar a ser reaproveitado para produzir energia renovável e compostos de interesse industrial. Esta é a base de um dos projetos que está a ser desenvolvido no Centro de Engenharia Biológica da UMinho que visa transformar resíduos orgânicos e efluentes em matéria-prima renovável para as indústrias química, alimentar e de produção de energia, sendo a aplicação mais significativa a produção de biodiesel.  

Aquilo que até agora era lixo vai passar a ser reaproveitado para produzir energia renovável e compostos de interesse industrial. Esta é a base de um dos projetos que está a ser desenvolvido no Centro de Engenharia Biológica da UMinho que visa transformar resíduos orgânicos e efluentes em matéria-prima renovável para as indústrias química, alimentar e de produção de energia, sendo a aplicação mais significativa a produção de biodiesel.  

A maior parte do biodiesel produzido utiliza como matéria-prima os óleos vegetais. Uma alternativa capaz de diminuir a necessidade de utilização de óleos comestíveis, contribuindo para reduzir os preços de alguns alimentos, são os lípidos microbianos (produzidos por microrganismos a partir de matéria orgânica presente em resíduos e efluentes) e que são produzidos de forma ecológica e sustentável. A investigação desenvolvida pelo CEB utiliza a levedura oleaginosa - Yarrowia lipolytica - para produzir lípidos microbianos, e outros compostos como por exemplo lípases, a partir de substratos de baixo custo, como o glicerol bruto proveniente da indústria do biodiesel ou matéria orgânica existente em efluentes e resíduos.

Esta investigação resulta de uma parceria entre investigadores do CEB com larga experiência na levedura oleaginosa Yarrowia lipolytica e um grupo da Universidade Técnica de Istanbul, Turquia, especialista no tratamento de resíduos. Da sinergia entre as duas entidades, consegue-se uma abordagem integrada da valorização da matéria orgânica existente nos resíduos, juntando estratégias de pré-tratamento e de bioconversão.

No âmbito do Projeto Waste4Lip (financiado pela FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologia), os investigadores do CEB selecionaram as estirpes da levedura oleaginosa Yarrowia lipolytica com maior capacidade de acumulação de lípidos, e estudaram a dependência da composição dos lípidos produzidos (semelhante aos de fontes vegetais) em função dos substratos utilizados (açúcares, glicerol, ácidos gordos voláteis, gorduras animais e vegetais). Os processos continuam a ser otimizados em biorreator (equipamento que controla as condições necessárias no processo biológico) utilizando diversas misturas (pré-tratadas ou não) provenientes de efluentes e resíduos reais.

A necessidade de incorporação de biocombustíveis, como o biodiesel, obtido de recursos renováveis para substituição parcial ou total de combustíveis fósseis é uma realidade cujas metas a atingir tendem a subir. Este trabalho de investigação vai ainda contribuir para a redução do impacto ambiental de resíduos orgânicos municipais e agroindustriais, convertendo-os em matéria-prima para a produção de energia renovável, contribuindo assim para o desenvolvimento da economia circular em Portugal.


Sobre o CEB

A atuar nas áreas da biotecnologia e bioengenharia para os setores ambiental, saúde, industrial e alimentar, o CEB – Centro de Engenharia Biológica – é um dos mais dinâmicos centros de investigação do país e está integrado na Escola de Engenharia da Universidade do Minho. 

No centro estão reunidos mais de 400 investigadores, de 20 nacionalidades diferentes, e é realizada uma elevada atividade científica, que se reflete no número de publicações, 400 no último ano, incluindo 300 artigos em revistas internacionais de renome. 

Desde 2002, o CEB obtém a classificação Excelente nas avaliações periódicas realizadas pela FCT, uma das principais entidades financiadoras de ciência do país. Arrecada, anualmente, uma média de 5 milhões de euros de financiamento.

A colaboração em projetos com empresas nacionais e internacionais também é um aspeto a destacar, sendo que 40% das publicações têm coautoria internacional.

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