Braga,

Centenas participaram no Banho Santo com muita fé e sem receio da pandemia

Regional

25 Agosto 2020

Redação

Mesmo sem os habituais banheiros, devido à Covid-19, foram vários os que participaram no banho santo de S. Bartolomeu do Mar. A fé no santo curador de medos foi o principal motivo apontado. O programa oficial limitou-se à missa.

“Venho cá porque tenho muita fé e acho que é uma tradição que se deve manter”. A explicação foi dada por um dos elementos da família Oliveira, que se preparava para entrar na água, para dar o banho Santo aos mais novos, ontem de manhã, na praia de S. Bartolomeu do Mar, em Esposende.


Mesmo sem a tradicional romaria do dia de S. Bartolomeu, mutos foram os que procuraram a praia para proporcionar aos mais novos os três mergulhos do ‘banho santo’, perante o olhar atento de centenas de curiosos no areal. “É uma tradição que já vem da minha mãe. Eu fiz isto há 25 anos e fiz hoje ao meu sobrinho. É preciso haver fé e o que nos move é a fé”, disse Maria Lopes, de Viana do Castelo.
 

Vindo de Londres (Inglaterra), Miguel Linhares, natural de Barcelos, aproveitou as férias para “manter a tradição, É a primeira vez que venho com o meu filho. ‘É importante acreditar e manter esta tradição”.


Ricardo Loureiro e a família, residentes em Braga, deslocaram-se ao ‘banho santo’ pela primeira vez porque “já ouvimos falar várias vezes deste banho e é um dia diferente. O banho é para tirar o mau olhado e os medos”.


As três voltas à Igreja de S. Bartolomeu eram cumpridas apenas por algumas famílias cujas crianças levavam a galinha preta ao colo. “Eu já vinha com a minha mãe e agora trouxe a minha filha, para tirar os medos” disse Fátima Araújo, residente em Barcelos.
 

O fraco movimento junto ao galinheiro era também notado pela Comissão de Festas.


António Barbosa, presidente da comissão revelou que o programa das festas em Honra de S. Bartolomeu teve de ser completamente alterado devido à pandemia. “Estamos a respeitar as regras todas, mas este ano tivemos só cerca de 50 por cento a menos das pessoas. O negócio das galinhas (aluguer a 10 euros cada uma) está muito lento.”


Ainda assim, António Barbosa salientou que deu muito trabalho preparar a festa porque “é muita coisa a organizar e temos uma organização pequena.”


O presidente da Câmara Municipal de Esposende, Benjamim Pereira, fez notar que a festa de S. Bartolomeu do Mar é de extrema importância. “S. Bartolomeu do Mar é muito mais do que um convívio, é também um sentimento religioso e isso não desapareceu. É uma clara manifestação de fé.” O autarca exposendense realçou ainda que foram mantidas todas as normas de segurança. “A romaria não se realizou como se fazia há muito tempo. Não houve a procissão nem nenhum concerto, apenas decorreu a Missa”.
 

Uma opinião partilhada pelo presidente da União de Freguesias de Belinho e Mar, Manuel Abreu. “Este ano não podemos dizer que houve festa. Dentro das normas de segurança que foram criadas, a festa foi muito bem organizada”, disse Manuel Abreu.


As pessoas que se dirigiam para o recinto da igreja eram convidadas a colocar máscara e a desinfectar as mãos, o mesmo acontecendo a quem pretendia entrar na igreja para passar por baixo do andor de S. Bartolomeu. Foram criadas zonas devidamente identificadas de entrada e saída e na instalação sonora eram recordadas com frequência as normas de segurança. Os vendedores eram em número inferior a uma dezena na zona da igreja e mais dois ou três junto ao monumento da praia.

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