Braga, sábado

Centros de Dia reabrem as portas lentamente e com muitas cautelas

Regional

27 Agosto 2020

Redação

Reabertura dos Centros de Dia está a acontecer de forma lenta e faseada. As regras impostas pelo Governo são exigentes. IPSS?com Centros de Dia independentes de outras valências sociais são os primeiros a retomar a actividade.

O Centro de Dia da Associação de Solidariedade Social, Cultural e Recreativa de Santa Maria de Braga foi o primeiro do concelho a reabrir as portas, logo que o Governo autorizou o funcionamento destas valências sociais, encerradas desde meados de Março em consequência do surgimento da pandemia da Covid-19.


No dia 17 de Agosto, parte dos 23 utentes daquela instituição particular de solidariedade social (IPSS), sediada na freguesia da Sé, terminaram um longo período de confinamento social forçado, regressando a uma ‘casa’ onde voltam a combater o isolamento e a solidão dos dias.
 

São ainda poucos os Centros de Dia que voltaram a funcionar, aproveitando a autorização concedida pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social em meados deste mês, com regras muito apertadas para os que funcionam acoplados a outras respostas sociais.


Não é caso do Centro de Dia da Associação de Santa Maria de Braga, a única valência desta instituição fundada em 2002, nem do Centro de Dia da Casa do Areal, uma IPSS gerida pelo Fundo Social do Município, que no próximo dia 1 de Setembro volta a receber grande parte dos seus 25 utentes.
 

Em Braga, como no resto do país, a reabertura dos centros de dia está a decorrer de forma lenta e faseada. Para a maioria das IPSS?que têm os Centros de Dia associados a outras valências sociais, nomeadamente lares de idosos, o Governo exige total separação entre utentes e colaboradores e a não partilha de espaços comuns como refeitórios e instalações sanitárias.


Roberto Rosmaninho, presidente da União Distrital de Braga das IPSS, reconhece a dificuldade que muitas instituições estão a ter para separar circuitos e equipas de trabalho, condição essencial para as entidades oficiais nas áreas da Saúde e da Segurança Social darem luz verde à reabertura dos Centros de Dia que não funcionam de forma isolada.
 

Voltemos ao Centro de Dia da Associação de Santa Maria de Braga, onde o seu presidente, José de Castro, regista já alguma reabilitação física e mental de utentes que, nos últimos cinco meses, sofreram com a impossibilidade de saírem de casa. “Alguns vieram de casa debilitados, física e mentalmente, mas já recuperaram com este regresso ao centro de dia”, atesta, recordando que, enquanto as portas da associação estiveram fechadas, os idosos foram acompanhados nos domicílios, com a garantia de alimentação e de cuidados de higiene pessoal.
 

Do mesmo apoio beneficiaram, nos últimos meses de confinamento social, os utentes da Casa do Areal. Marta Sousa, directora técnica da instituição, diz-nos que o apoio domiciliário prestado visou “colmatar ao máximo as suas necessidades”, não só as alimentar e de higiene pessoal, mas também as de estimulação cognitiva. Programas de leitura, musicoterapia, jogos da memória e jogos tradicionais foram proporcionados nas residências dos idosos, que beneficiaram igualmente de passeios ao ar livre.


“Os utentes e familiares esperam com muita ansiedade a reabertura do Centro de Dia. A vontade deles é voltar”, assegura Marta Sousa, coordenadora de uma equipa envolvida na programação de um dia a dia um pouco diferente, a partir de agora, na Casa do Areal como nos restantes Centros de Dia.


Algum distanciamento social terá de manter-se, as actividades serão mais individualizadas e as refeições poderão ter de ser repartidas por turnos.
 

IPSS vão demorar tempo a criar condições para cumprir exigências
 

O presidente da União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social (UDIPSS -Braga) reconhece que grande parte dos Centros de Dia vão demorar tempo a criar condições de reabertura. Roberto Rosmaninho, em declarações ao Correio do Minho, admite que as IPSS mais fragilizadas financeiramente sentirão bastantes dificuldades para adaptarem as suas instalações às exigências que constam de guião orientador para a reabertura apresentado pelo Ministério do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social.
 

Entre muitas outras normas, os Centros de Dia devem garantir o distanciamento físico de cerca de dois metros entre os utentes e circuitos de circulação pré-definidos desde a entrada até aos espaços/salas.


A retoma de actividade dos Centros de Dia carece de parecer obrigatório da Segurança Social e da autoridade local de Saúde, pelo que o processo de consulta destas entidades por parte das IPSS é outro factor que condiciona uma rápida normalização destas valências sociais.


Enquanto o funcionamento dos Centros de Dia não estabiliza, as IPSS reforçam os serviços de apoio domiciliário aos utentes que têm protocolados com a Segurança Social.
 

“Com o primeiro embate da pandemia houve uma aprendizagem para enfrentar uma realidade desconhecida”, constata o presidente da UDIPSS-Braga, reconhecendo que “esse conhecimento adquirido às cegas” é importante para actuar nesta fase de retoma de alguma normalidade na vida das instituições sociais.
 

Neste contexto, Roberto Rosmaninho entende como fundamental uma eficaz integração da medicina familiar no quotidiano das instituições com valências de apoio à terceira idade. Segundo o presidente da UDIPSS-Braga,a protecção da saúde dos idosos exige, cada vez mais, que haja um acompanhamento dos utentes dos lares e centros de dia pelos seus médicos de família dentro das instituições, evitando assim a saída dos idosos aos centros de saúde. “É precisa uma articulação mais efectiva e mais presente com a Saúde. Não está totalmente generalizada essa articulação”, reforça Roberto Rosmaninho, sacerdote que preside actualmente à direcção do Centro Social da Paróquia de S. José de S. Lázaro.

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