Braga, sexta-feira

Cerveira: Cooperação transfronteiriça "é claramente uma prioridade"

Regional

30 Junho 2021

Patricia Sousa

Encontro de Cooperação Transfronteiriça juntou, em Vila Nova de Cerveira, governantes dos dois lados da fronteira. Ministra da Coesão Territorial mostrou-se incomodada com proposta do POCTEP.

O Governo está “mais do que nunca disponível e mobilizado para promover a cooperação e através dela a coesão social e territorial”. A garantia foi deixada ontem pela ministra da Coesão Territorial, que participou no Encontro de Cooperação Transfronteiriça, que se realizou em Vila Nova de Cerveira. Ana Abrunhosa assumiu a cooperação transfronteiriça como uma “clara prioridade” para o Governo, mostrando-se “insatisfeita e incomodada” com a proposta do mapa do programa de cooperação Interreg V-A Espanha - Portugal (POCTEP) apresentada pela Comissão Europeia.


A ministra, que encerrou o encontro que juntou governantes e especialistas dos dois lados da fronteira, confirmou que o Governo “não está satisfeito” com a proposta apresentada pela Comissão Europeia em relação ao mapa do programa de cooperação Interreg V-A Espanha - Portugal (POCTEP). “O mapa inclui regiões que não são trans- fronteiriças e os projectos e o impacto do programa têm que ser na fronteira. O Governo não está contente com esta proposta, porque é uma proposta que nos deixa muito incomodados”, lamentou a ministra, não conseguindo perceber a lógica do mapa apresentado.


Vivemos um “momento único” e “verdadeiramente extraordinário” em termos de recursos financeiros disponíveis e para a ministra o que fará a diferença será “a vontade política”. Ana Abrunhosa deixou o recado: “temos de estar juntos nas escolhas que fazemos, termos uma estratégia, alimentarmos essa estratégia com projectos concretos que envolvam as comunidades e que esses projectos signifiquem um impacto positivo das nossas gentes da raia. Não será a falta de recursos que impedirá de fazer muitos e bons projectos. Tenhamos a visão, a força e a vontade política de trabalhar em conjunto”.


A ministra foi mais longe: “é hora de remover os obstáculos ao investimento, é hora de reduzir a burocracia, é hora de continuar esta forte parceria entre Espanha e Portugal para termos respostas privadas e públicas mais abrangentes e com mais impacto”.


Ainda no discurso de encerramento a ministra assegurou: “sabemos o que queremos para estes territórios e a estratégia comum de desenvolvimento que vamos estreitar com um cunho político ainda mais forte para aparecermos juntos na União Europeia. A estratégia comum de desenvolvimento transfronteiriço resulta do trabalho realizado no terreno, sem o vosso trabalho e inspiração não seria possível”.


Esta cooperação, continuou a governante, faz parte da estratégia, que deve ser alimentada com projectos e fundos. “Vamos fazer este processo com os autarcas que têm sido verdadeiros parceiros na cooperação transfronteiriça, dando exemplo ao Estado de como se deve fazer, resolvendo os problemas comuns”, aplaudiu.


O director do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Rio Minho, Fernando Nogueira, aproveitou para apresentar alguns números associados ao encerramento das fronteiras. “Os territórios de fronteira são áreas territoriais funcionais que não deviam ser interrompidas sempre que há uma crise”, apelou.


O também presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira reforçou a ideia de operacionalizar a criação de um cartão transfronteiriço. “Este cartão serviria de base para o desenvolvimento de um programa para promover a simplificação da vida, em especial dos trabalhadores transfronteiriços”, explicou Fernando Nogueira, admitindo que seria “uma eurocidadania plena com a oferta de diversos serviços ali existentes”.


Os territórios de fronteira, continuou o autarca, “aguardam com muita expectativa e esperança que haja um plano real e efectivo, porque é aqui que a Europa se constrói todos os dias”.

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