Braga, sexta-feira

Cheiro do livro em papel ainda vende

Diversos

05 Julho 2019

Redação

Alfarrabistas continuam a ter um espaço privilegiado na Feira do Livro de Braga. E os bracarenses, muitos deles jovens, gostam de comprar livros, sobretudo, de autores portugueses. Mas ainda é o cheiro do livro antigo que conquista quem ali vai.

Os livros amarelecidos com o tempo e o cheiro que lhes é tão característico continua a conquistar clientes. Apesar das novas tecnologias ‘atrapalharem’ o negócio, alguns expositores presentes na Feira do Livro de Braga confessam que ainda há muitos jovens à procura de livros em papel e o cheiro do livro continua a conquistar na hora da compra.


As grandes superfícies não ajudam ao negócio, os e-books também atrapalham e as redes sociais, que permitem “a toda a gente vender livros”, trouxe consigo “uma concorrência desleal”. Mesmo assim, há clientes fiéis e habituais que mantém bem vivo o negócio dos alfarrabistas. Até porque, são os alfarrabistas que guardam livros antigos e obras raras que nenhum computador pode substituir.


A participar na Feira do Livro de Braga há cinco anos, a responsável da Livraria Alfarrabista Varadero, do Porto, admite que esta “é uma boa feira”. E Paula Cântara é peremptória: “ainda há muitos jovens a pegar nos livros e a sentir o cheiro, ainda há muitos jovens que pelo menos gostam de comprar um livro na feira”. Claro que o facto de muitas pessoas já estarem de férias ou as férias estarem a aproximar-se também não é alheio ao aumento da procura, já que este tempo convida à leitura.


O que os bracarenses mais procuram naquele expositor é o livro barato. Claro que hoje, continua aquela responsável, “toda a gente vende livros e as redes sociais vieram trazer uma enorme concorrência desleal, porque aí ninguém paga impostos”.


Esta livraria tem clientes habituais, que recebem o catálogo quinzenal. “Todos os nossos clientes de Braga já passaram por cá e levaram livros”, contou Paula Cântara, referindo que no expositor tem dois tipos de livros. “A parte interior é mais direccionada para os nossos clientes, já a parte exterior é para o público que passa e quer levar um livro para casa”, explicou.


A participar pelo segundo ano consecutivo na Feira do Livro de Braga, está também a Livraria ler.com.gosto. Em tempos, a livraria teve um espaço físico em Ponte de Lima, hoje tem um escritório em Braga para receber os clientes, por isso, parte do trabalho é feito on-line.


“Temos todo o tipo de leitores. José Saramago, Agustina Bessa-Luís e António Lobo Antunes são os autores portugueses mais procurados”, contou Conceição Norberto.


Para a responsável da livraria, “o mundo alfarrabista é um mundo à parte, porque tem dois tipos de mercadoria”. E Conceição Norberto explicou: “temos as obras de selecção e primeiras edições, bem como livros antigos e depois aqueles livros com triagens muito elevadas, que são vendidos a preços mais interessantes”. Logo o tipo de clientes também é diferente. “Quem procura livros antigos e publicações específicas não vem a uma feira do livro. Temos clientes habituais durante todo o ano. Temos muitos coleccionadores que procuram primeiras edições. Aqui também temos clientes esporádicos de literatura clássica e de autores nacionais”, destacou.


Clientes chegam e saem de saco na mão. “É engraçado ver as pessoas a pegarem no livro e a cheirá-lo. Ainda há muita gente que acaba por levar o livro, porque gosta de sentir o cheiro do livro antigo”, confidenciou a responsável daquela livraria.


Apesar de tudo, para Conceição Norberto, as novas tecnologias e as redes sociais “vieram facilitar o trabalho”.