Braga, sábado

Chuva de rebuçados na festa de Reis da Eurocidade Valença e Tui

Regional

06 Janeiro 2020

Redação

Cavalgata de Reis voltou a percorrer as ruas das duas cidades para encanto da pequenada. Ao longo de 3,5 kms, os Reis Ma-gos, acompanhados por 150 figurantes, fizeram desta festa um exemplo único no panorama transfronteiriço.

É uma das expressões culturais mais populares da eurocidade Valença-Tui que, desde 2011, constrói pontes culturais e institucionais entre “irmãos” unicamente separados pelo Rio Minho.


A Cavalgata de?Reis é uma tradição espanhola, mas rapidamente contagiou os vizinhos da raiana portuguesa, especialmente os habitantes de Valença que há dez anos fazem desta uma festa emblemática e única no panorama transfronteiriço e a nível internacional.


A Cavalgata tem um significado especial para as crianças e a justificação é simples: ao longo de um percurso de 3,5 km que une as cidades de Valença e Tui os mais novos- e também os graúdos - são banhados por uma autêntica ‘chuva’ de rebuçados oferecidos não só pelos Reis Magos, mas também pelos cerca de 150 figurantes que deram corpo a esta festa que levou milhares de pessoas à eurocidade Valença-Tui.


Foram mais de 1500 quilos de rebuçados, sem glúten e lactose, que foram literalmente atirados pelos Reis Magos e pelos figurantes dos 15 carros alegóricos que integraram o cortejo que iniciou no?Largo da Estação de Valença e terminou no Passeio da Corredoira, em Tui, com a recepção dos Reis Magos.
 

Um autêntico delírio para a pequenada que se deliciou com as ofertas.“Os nossos irmãos do outro de lado do rio fazem o favor de compartilhar connosco as coisas boas. E este é uma delas”, assume o presidente da Câmara Municipal de Valença, Manuel Lopes, que apelida os cidadãos de Tui como “irmãos gémeos”.


O alcaide de Tui revela que este é um evento único na Europa e no mundo. “A tradição de Reis é uma tradição festiva de Espanha e quando a celebramos com este carácter transfronteiriço transforma-se, desde logo, num evento único no mundo que não se repete em mais lugar nenhum”, comenta Enrique Cabaleiro, revelando que a iniciativa é demonstrativa da boa relação entre os cidadãos da eurocidade Valença e Tui.
 

Sendo o Dia de Reis um dia “mágico” para as crianças espanholas, o alcaide de Tui acredita que, fruto desta relação de proximidade entre as duas cidades transfronteiriças, este passe a ser uma data de especial significado também para os valencianos.
 

Os autarcas de Valença e Tui concordam que a Cavalgata tem crescido de forma exponencial ao longo dos anos, através do aumento do número de associações que tem participado no desfile. “É um evento aberto e susceptível de crescer ainda mais”, diz ainda o alcaide de Tui.
 

Este ano foram 15 os carros alegóricos que deram a vida a este desfile, integrando instituições dos dois lados do rio.“De ano para ano damos mais importância a esta festa. Não me cansarei de repetir que Valença e Tui serão irmãos para sempre”, remata Manuel Lopes.
 

Evento “único” espelha a boa relação entre irmãos separados pelo Rio Minho
 

A celebrar dez anos, a Cavalgata de Reis constitui já um marco na cultura raiana, espelhando a boa relação entre dois irmãos que apesar de pertencerem a países distintos, perceberam que é muito mais aquilo que os une do que o que os separa.


Quem assiste a esta festa de Reis percebe que os protagonistas - uma centena e meia no total- vêm dos dois lados do rio para dar corpo a uma festa que é todos os habitantes da eurocidade. Até aos reis da festa - os Reis Magos - são oriundos das duas margens do rio.
 

André Martins, de Valença, voltou a dar vida a Baltazar. Já lá vão dez anos. “Enquanto houver Cavalgata de Reis estarei cá. Gosto de partilhar alegria, felicidade e uma tonelada e meia de rebuçados! São quatro quilómetros de pura diversão”, diz o valenciano que assume ter uma “excelente” relação com Melchior e Gaspar, personagens assumidas por dois irmãos - Ismael e Samuel Gomes - desta feita vindos de Tui.


“É maravilhoso. Estou encantado. O ano passado viemos à festa e gostámos tanto que dissemos que queríamos ser os reis este ano. E aqui estamos”, diz-nos Ismael, revelando que esta cavalgata retrata muito bem o espírito de comunidade que os habitantes de Valença e Tui comungam. “Toda a vida cruzamos a fronteira que, no nosso caso, é o rio. Um rio que é tanto nosso como deles”, diz.
 

Samuel acrescenta que vivem a um quilómetro e meio de Valença e, por isso, “não há fronteiras”.
 

Tal como manda a tradição, os Reis Magos chegaram do Oriente à Estação de Valença e foi daqui que saíram em cortejo pelas ruas da cidade até atravessarem a Ponte Internacional seguindo até Tui, num percurso de 3,5 kms.


Além dos três carros alegóricos magnificamente adornados para transportar suas majestades os Reis Magos, a cavalgata contou ainda com a participação de carros alegóricos de várias instituições de Tui e Valença que foram enfeitados com motivos infantis, bem ao gosto dos mais novos.


Também os 150 figurantes trajaram a rigor, a maioria ‘encarnando’ personagens de filmes e histórias infantis.
 

A assistir a este desfile estavam milhares de pessoas, minhotos e galegos, que, uma vez mais, voltaram a atravessar a fronteira para viver uma das principais festas desta eurocidade.


Salvador e Tamara são um jovem casal natural de Tui, mas a viver actualmente em Valença. Ontem trouxeram o seu filho de três anos para assistir a uma festa que é agora de portugueses e espanhóis.


De Tui, Rosana e Carla vieram pela primeira vez a Valença para assistir ao início do percurso da Cavalgata. “Falaram-nos muito bem da Cavalgata Real e viemos ver. É bom ver os nosso amigos minhotos gostarem de uma tradição que é muito querida para as nossas crianças”, diz a espanhola.

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