Braga, sábado

Confinamento até final de Março é 'trágico' para os comerciantes

Regional

14 Fevereiro 2021

Paula Maia

Director-geral da Associação Comercial de Braga diz que é necessário criar uma nova geração de apoios robusto e ágil para evitar insolvências. Moratórias terão de ser prolongadas.

A notícia de que o confinamento pode durar, pelo menos, até final de Março está a deixar os empresários dos vários sectores económicos de Braga muito apreensivos. Além da quebra abrupta de receitas, os apoios tardam em chegar. “Não tenho notícias de pagamento do layoff, não há programas de apoio. Há muitas empresas que não têm acesso a qualquer tipo de instrumento de apoio”, afirmou ao CM o director-geral da Associação Comercial de Braga (ACB), garantindo que o programa APOIAR (programa de subsídios a fundo perdido), um dos principais instrumentos lançados pelo governo em Novembro de 2020, cancelou as candidaturas na passada semana por ter esgotada o orçamento previsto. “Aquele que era o principal instrumento à data foi suspenso”, diz Rui Marques, adiantando que as empresas estão com grande dificuldade em cumprir com os compromissos mais básicos, como os salários e as obrigações e contributivas. “É trágico”, assume Rui Marques.

É perante este cenário que Rui Marques defende uma nova geração de apoios “robusta, muito ágil, para que as empresas consigam encontrar solução e não entrarem numa situação de insolvência”.

“Não faz sentido, neste momento, continuarmos a falar no apoio à retoma. Qual retoma? Estamos confinados, encerrados”, diz o dirigente.

Rui Marques avança que além de uma parte muito significativa de empresas não conseguir aceder aos apoios, o valor destes continua a ser “insuficiente”, para não falar dos atrasos na tramitação. “Isto faz com que as empresas fiquem completamente sem capacidade de resposta e a começar a falhar com as coisas mais básicas, como seja pagar salários e impostos” já que “estão sem reservas”.

Para o director-geral da ACB, nesta fase não há outra solução senão “estender o período das moratórias”, além de abrirem a possibilidade das empresas diferirem quer capital, quer juros. “Não há forma de fugir a isso. Não era uma boa solução para as empresas, nem para e economia, nem sequer para os bancos porque seguir-se-iam situações de incumprimento generalizado”, remata o dirigente que se mostra apreensivo com a situação.

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