Braga, segunda-feira

Consultórios de dentistas estão abertos mas há cada vez menos clientes

Regional

23 Janeiro 2021

Redação

Inicialmente por medo, mas sobretudo por questões financeiras, os clientes não têm marcado consulta nos dentistas. Obrigados a fechar no primeiro confinamento, desta vez as portas dos consultórios continuam abertas com toda a segurança.

Depois de ter sido o primeiro sector a fechar em Março e em Abril, neste segundo confinamento os consultórios de médicos dentistas continuam de portas abertas. Para a Ordem dos Médicos Dentistas esta decisão é “sinal de confiança” e demonstra que “as normas e protocolos estão a funcionar”. Mas o certo é que faltam clientes. “Se inicialmente, os pacientes não marcavam consulta por medo, o certo é que agora as questões financeiras e a incerteza falam mais alto”, assegurou o médico dentista Nuno Fernandes.


Têm sido tempos “muito difíceis” com a agenda vazia e muitas vezes com as poucas consultas agendadas a serem desmarcadas à última hora. “As pessoas, logo em Maio quando reabrimos, tinham bastante medo. Confesso, que inicialmente a preparação talvez não fosse a mais adequada. Agora, com estes meses passados estamos completamente preparados para trabalhar normalmente em segurança”, garantiu o também proprietário de uma clínica dentária, acreditando que, “se se cumprirem os planos de contingência e os protocolos instituídos, a probabilidade de ser infectado com Covid-19 num consultório dentário é muito diminuta”.
 

O facto de ser proprietário de uma clínica dentária na aldeia, Nuno Fernandes não nota “grande diferença” em relação às clínicas da cidade.


“A minha percepção é que a queda de pacientes vai ser ainda maior. Muitas pessoas ficaram sem rendimentos, mas também há muita gente que até tem e não o gasta devido à imprevisibilidade que estamos a viver. As pessoas até são sensatas nesse sentido, é preciso esperar para ver o que vai acontecer”, referiu o médico dentista, sublinhando que quando se pensava que “ia melhorar acabou por piorar e agora vive-se uma situação catastrófica e ninguém sabe onde isto vai parar”.
 

Vive-se numa “incerteza” e para o médico dentista mais do que nunca temos de “viver um dia de cada vez”. “Vamos tentar aguentar até isto estabilizar e conseguir uma imunidade de grupo para ver se volta tudo ao normal”, sublinhou. A clínica dentária de Nuno Fernandes contou com o apoio do Governo para comprar material com 80% a fundo perdido, no âmbito do programa Adaptar. “Foi uma boa ajuda sem dúvida”, aplaudiu.


Entretanto, os preços dos materiais de protecção e higienização “desceram um pouco, mas ainda não chegaram aos preços que se praticavam pré-pandemia. Continuam bastante elevados, mas não aquele exagero inicial”, contou. Também o médico dentista Pedro Fonseca nota que o mercado “está muito fraco”, admitindo que o facto dos consultórios continuarem abertos neste segundo confinamento “não vai trazer mais clientes”.


Cada vez menos as pessoas vão ao dentista, mas para Pedro Fonseca esta situação já era previsível.
 

“As pessoas têm medo de vir ao dentista e em primeiro lugar vão resolver problemas mais agudos, mais sérios e de dor e estão a atrasar tudo o que podem. Nota-se medo, nota-se menos dinheiro. Já estamos a trabalhar com muito menos, perde- mos um volume muito grande de consulta”, confirmou o médico dentista, assegurando que “houve um regresso, mas muito mais fraco do que existia pelo medo e pela parte económica”. Pedro Fonseca foi mais longe: “psicologicamente as pessoas andam abatidas e não pensam sequer ir ao dentista, só se doer alguma coisa”.
 

“Estamos a sentir uma nova quebra”
 

“Muito mais assustada” nesta fase do que no primeiro confinamento, a médica dentista Leonor Cruz confirmou que no consultório que também é proprietária com o marido já se nota “uma quebra de clientes desde o início deste mês”.


Com clínica em Lamaçães, Leonor Cruz trabalha com o marido que é protésico e depois do primeiro confinamento a situação normalizou rapidamente.


“No primeiro confinamento fomos os primeiros a fechar as portas e estivemos dois meses sem facturar nada. Mas quando abrimos não sentimos muita quebra de trabalho”, referiu a médica dentista, adiantando que no laboratório de próteses o marido até teve mais trabalho do que é habitual. “Parece que as pessoas ficaram com a sensação que tinham que fazer tudo a correr e no Verão tivemos muito trabalho”, contou Leonor Cruz, referindo que em Dezembro tam- bém tiveram muita procura. “Por altura do Natal é sempre normal termos mais procura, por causa dos emigrantes que vêm passar as festas cá”, justificou a dentista.


Desde o início deste mês o cenário mudou. “Começamos logo a sentir uma quebra”, afirmou Leonor Cruz.
 

Após o primeiro confinamento e quando os consultórios de dentistas abriram, as pessoas “faziam muitas perguntas quando marcavam a consulta por telefone”, contou Leonor Cruz, admitindo que “era normal”, pedindo até “para serem as primeiras a serem atendidas no dia”.


Com máscara, com as mãos desinfectadas e a medição da temperatura tudo ficou “mais tranquilo” a partir do passado mês de Junho.


Em relação ao futuro “é muito incerto”, mas a médica dentista optou, por enquanto, ficar em casa com os dois filhos menores. “Desta vez estou muito mais assustada e acredito que o próximo Verão ainda vai ser pior do que o do ano passado”, lamentou a dentista.
 

Ainda “é difícil” comprar luvas e continuam a “preços caríssimos”
 

O início do ano passado adivinha-se “um ano de excelência” para o sector da medicina dentária, mas com a pandemia tudo mudou. Depois da quebra na compra de material dentário no primeiro confinamento, neste momento, “volta a sentir-se uma nova quebra”, confirmou Carlos Branco Pacheco, proprietário de um armazém que se dedica ao comércio e representação de produtos e equipamentos dentais, podológicos e protésicos. “Continuamos com dificuldades em arranjar produtos para protecção Covid-19, sobretudo luvas”, confirmou Carlos Branco Pacheco, informando que além de “haver muita falta, as luvas ainda estão caríssimas”.


Neste momento, o empresário tem luvas no armazém, mas confessou que é “uma lotaria e uma luta constante andar à procura de onde há e onde têm os melhores preços”.
 

Outra das dificuldades que Carlos Branco Pacheco sente junto dos médicos dentistas é a questão da fiscalização. “As fiscalizações e encargos estão a deixá-los aflitos. Não podem ser só dentistas, têm de ser também empresários e isso dificulta bastante a vida”, confidenciou.


Carlos Branco Pacheco adiantou que as clínicas mais centrais da cidade “tiveram quebra nos meses do primeiro confinamento, mas entretanto foram recuperando”. Agora com o novo confinamento “ainda ninguém sabe como vai ser o futuro”, lamentou.

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