Contabilistas devem assumir mais tarefas na área da gestão

Economia

21 Fevereiro 2021

Marta Amaral Caldeira

No arranque da 2.ª edição da pós-graduação em Contabilidade Financeira Empresarial no IPCA defendeu-se que os contabilistas devem assumir novas funções ao nível do apoio à gestão empresarial.

“A Contabilidade é muito mais do que o cumprimento das obrigações fiscais”, alertou, ontem, João Rodrigues, revisor oficial de contas, especialista em Gestão, durante o lançamento da 2.ª edição da Pós-Graduação em ‘Contabilidade Financeira Empresarial’ do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA), desafiando os contabilistas a assumir “tarefas de valor acrescentado” na área da gestão.


Com os olhos postos no presente e futuro da Contabilidade, o especialista João Rodrigues, deixou várias mensagens aos estudantes e profissionais da área da Contabilidade, no sentido de não se resignarem, apenas, “ao cumprimento das obrigações fiscais” das empresas, mas irem mais longe, mudando de funções deslocando-se para a área da Gestão “para assumir tarefas de valor acrescentado”. “Estes profissionais podem e devem trabalhar a informação (análise de dados, monitorização, reporting, etc.) para ajudar os gestores das empresas à tomada de decisão”, frisou o responsável.
 

 “A fiscalidade não conduz a contabilidade. É precisamente ao contrário”, assinalou João Rodrigues, criticando o facto de, em Portugal, ainda não ter mudado esta cultura. “Temos que acabar com isso. A Contabilidade tem que ser um instrumento de gestão, pois só aí é que ela tem valor”.


No seminário online que o IPCA promoveu, ontem, para acompanhar o lançamento da Pós-Graduação em Contabilidade Financeira Empresarial, João Rodrigues, que é também especialista em Normas Internacionais de Contabilidade, advertiu que a profissão de contabilista, tal como muitas outras profissões, é uma das que está “em risco” nesta era de tecnologia avançada em que hoje se vive - uma situação que, aliás, considera que a pandemia de Covid-19 veio até acelerar a nível mundial em várias áreas.
 

O especialista diz que é preciso uma “mudança de paradigma” ao nível da Cultura da Contabilidade e, por isso, é cada vez mais importante a “formação ao longo da vida” - uma formação que, na área contabilística, neste momento, tem que ser feita a vários níveis, com a aquisição de mais competências tecnológicas também, no sentido de automatizarem muitas das tarefas fiscais a que se dedicam com o suporte de softwares para fazer lançamentos e escrituração, enquanto ele, profissional de Contabilidade, assume novas tarefas ao nível do auxílio que pode dar aos gestores das empresas, no apoio às estratégias a seguir e à tomada de decisões que garantam a sustentabilidade da empresa.
 

 João Rodrigues, que também é docente no Ensino Superior, deixou, ainda, o repto para que o sistema formativo superior se modernize e adquira uma vertente mais prática e menos teórica, com cursos que respondam de facto às necessidades do mercado empresarial.
 

A presidente do IPCA, Maria José Fernandes, corroborou as palavras de João Rodrigues e disse que, hoje, “não podemos dissociar as tecnologias da Contabilidade” e que “estas ferramentas devem ser colocadas ao serviço dos contabilistas”.


A responsável disse que o IPCA está envolvido no projecto de “flexibilização curricular”, considerando que deve existir uma “abertura de currículos” aos alunos, os quais devem fazer as suas escolhas. Apontou ainda para as “responsabilidades” que cabem à Ordem dos Contabilistas quanto à preparação para os desafios actuais.
 

O IPCA é uma das instituições de Ensino Superior que tem apostado na inovação da sua oferta formativa e ainda este ano lectivo lançou nesta área a pós-graduação em ‘Fintech’ - para desenvolver competências relevantes a quem trabalha nas áreas de gestão, finanças, contabilidade, recursos humanos, seguros, banca, solicitadoria, etc.

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