Braga, quarta-feira

Covid-19: Davidson diz que é mais difícil lidar com pandemia no Brasil devido à pobreza

Desporto

16 Abril 2020

Redação

O futebolista Davidson, do Vitória de Guimarães, afirmou hoje que a pandemia da covid-19 é mais difícil de controlar no Brasil do que em Portugal, por ser um país com mais população e com mais gente pobre.

O futebolista Davidson, do Vitória de Guimarães, afirmou hoje que a pandemia da covid-19 é mais difícil de controlar no Brasil do que em Portugal, por ser um país com mais população e com mais gente pobre.

Criado numa favela em Duque de Caxias, na região metropolitana do Rio de Janeiro, o extremo revelou que o surto do novo coronavírus já causou a morte de um primo, de 32 anos, há duas semanas, mas frisou que é mais difícil impor o isolamento à maioria de um país com uma população 20 vezes superior à portuguesa, com muitos pobres que poderiam passar fome nessa situação.

"O Brasil é muito grande. Portugal tem uma certa maioria de pessoas em confinamento. No Brasil, há muita gente pobre, que mora em locais muito delicados. Se se colocasse tudo de quarentena, muita gente morreria de fome", disse, numa videoconferência promovida pelo clube da I Liga portuguesa de futebol.

O Brasil registou, segundo a atualização mais recente, de quarta-feira, 28.320 casos de covid-19 (Portugal tem 18.841, hoje) e 1.736 mortes (629 em Portugal), com o presidente Jair Bolsonaro a privilegiar, em algumas declarações, o funcionamento da economia face ao combate à pandemia.

Davidson avisou, porém, que é necessário "pensar no todo" e deu o exemplo das dificuldades que os pais podem atravessar com um isolamento obrigatório.

"O meu pai trabalha e a minha mãe fica em casa. A minha mãe tem algumas doenças. Se o meu pai ficar 15 dias ou 30 sem trabalhar, isso pode gerar fome. Há pessoas desesperadas, sem saberem o que fazer", explicou.

Apesar do plantel do Vitória de Guimarães estar de férias até 30 de abril e da autorização dada aos jogadores para voltarem ao país de origem nesse período, o ala decidiu permanecer em Guimarães, com a esposa e o filho, por ser "mais seguro".

Para escapar a algum "tédio" provocado pelo confinamento, Davidson contou que algum do tempo dentro de casa é passado a jogar futebol com o filho, na esperança de que voltará a fazer as "coisas normais da vida", incluindo o regresso aos relvados ainda na presente época.

Com 10 golos marcados na época 2018/19, a primeira em Guimarães, e outros tantos na temporada em curso, o jogador admitiu que gostaria de melhorar a marca do ano passado e de chegar aos 40 golos em Portugal - marcou 11 no Chaves e oito no Sporting da Covilhã - , se se disputarem as 10 jornadas do campeonato em falta.

Davidson considerou ainda que o Vitória tem condições para melhorar o sexto lugar que ocupa na classificação, com 37 pontos, pela "qualidade" já demonstrada nas várias competições, contra "adversários de nível muito alto".

Questionado sobre uma eventual redução de salários no plantel, o jogador adiantou que o clube ainda não "comunicou nada" nesse sentido, mas reiterou que "não vai ser um impedimento" para essa medida, até porque a "situação [económica] é difícil para o país todo".

O novo coronavírus, responsável pela covid-19, já infetou mais de dois milhões de pessoas em 193 países e territórios, tendo morrido mais de 137 mil e recuperado mais de 450 mil.

Para combater a pandemia, os governos já mandaram para casa quatro mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), encerraram o comércio não essencial e reduziram drasticamente o tráfego aéreo, paralisando setores inteiros da economia mundial.

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