Braga, quinta-feira

Covid-19: Diretor de lar em Caminha queixa-se de ineficácia de equipa de intervenção rápida

Regional

08 Outubro 2020

Redação

O diretor do lar de Seixas, em Caminha, disse hoje que a equipa de intervenção rápida atribuída à instituição está a "falhar redondamente", confirmando que o número de utentes infetados subiu para 33, e de mortes para duas.

O diretor do lar de Seixas, em Caminha, disse hoje que a equipa de intervenção rápida atribuída à instituição está a "falhar redondamente", confirmando que o número de utentes infetados subiu para 33, e de mortes para duas.

"Não sei o que se passa a nível nacional, mas no caso do lar de Seixas esta medida está a falhar redondamente. Após o aparecimento do surto, na terça-feira, pedimos sete funcionárias e cinco enfermeiros. Hoje, ao serviço, temos duas funcionárias e uma enfermeira. É insuficiente", afirmou Manuel Vilares.

Contactado pela agência Lusa, o diretor do Centro Bem-Estar Social de Seixas, em Caminha, no distrito de Viana do Castelo, disse ainda que dos 46 funcionários da Instituição Particular de Segurança Social (IPSS9, nove estão infetados e 35 foram hoje testados.

"Tenho funcionárias que estão aqui desde o dia 01 e que eu não vou conseguir aguentar muito mais. Não tenho número suficiente de funcionárias em casa, a descansar, para substituir estas", lamentou.

Manuel Vilares referiu que devido àquela limitação "não consegue garantir a rotatividade dos funcionários de forma a prevenir infeções".

"Neste momento, não consigo fazer horários em espelho. Se as funcionárias que tenho ao serviço ficarem infetadas, não tenho ninguém e terei de retirar todos os utentes para o hospital de Viana do Castelo", reforçou.

O responsável adiantou que a instituição "está a tentar contratar funcionárias, ou recorrer a uma lista de voluntários para solucionar este problema", face à "resposta insuficiente" da equipa de intervenção rápida disponibilizada pela Cruz Vermelha.

"Na terça-feira, aparecerem seis pessoas que não tinham realizado testes à covid-19 e foram embora. No dia seguinte, apareceram só cinco. Uma desistiu porque só queria fazer horário noturno e, uma outra é diabética, pertence ao grupo de risco", especificou.

"Estas pessoas são enviadas através da Cruz Vermelha que por sua vez recorre a uma empresa de contratação de trabalho temporário. Muitas até sem formação na área", criticou.

No início de setembro, a ministra da Segurança Social anunciou que cerca de 400 profissionais iriam integrar as Brigadas de Intervenção Rápida para dar apoio imediato a lares atingidos por surtos de covid-19.

Cada distrito terá uma brigada que será composta por uma equipa multidisciplinar. "Serão 18 brigadas nos 18 distritos do país com cerca de 400 pessoas. As brigadas vão ter médicos, enfermeiros, psicólogos e auxiliares de técnicos de lares", explicou em declarações à Lusa a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho.

O objetivo das brigadas é garantir que há uma resposta "pronta a intervir" quando as instituições ficam sem pessoal devido a surtos graves de covid, acrescentou a ministra à margem da assinatura do protocolo de criação das brigadas celebrado hoje entre o Instituto da Segurança Social (ISS) e a Cruz Vermelha Portuguesa.

Segundo a ministra, as 18 brigadas terão diferentes dimensões em função dos distritos e do número de instituições que exista em cada região.

O diretor do lar de Seixas disse ainda que, na próxima segunda-feira, vão ser testados 20 utentes que, num primeiro despiste, deram negativo e, quarta-feira, serão repetidos testes aos 33 utentes positivos.

Do total de 53 utentes da instituição, dois estão internados no hospital de Santa Luzia, em Viana do Castelo, sendo que um está infetado e o outro não.

Desde 29 de setembro, dia em que a primeira funcionária da instituição informou estar infetada por covid-19, a instituição já realizou 137 testes de despiste da covid-19, e hoje viu garantido o apoio financeiro do Serviço Nacional e Saúde (SNS).

"Quando a funcionária nos comunicou que estava infetada, contactámos a saúde pública local que não valorizou e disse para aguardarmos. Não acatámos e testámos toda a gente, recorrendo a um laboratório privado. Hoje a Saúde Pública começou a passar as credenciais para suportar os custos dos testes", referiu.

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