Braga, quinta-feira

Covid-19: 'Todos os dias está a cair um Airbus em Portugal'

Regional

21 Janeiro 2021

Redação

Especialistas alertam que a pandemia pode ser a maior tragédia da história do país e defendem que é preciso fechar tudo para controlar os danos da terceira vaga.

“Estamos perante a maior tragédia dos últimos séculos. Todos os dias está a cair um Airbus em Portugal”, disse ontem Mário Freitas, médico consultor em saúde pública e delegado de saúde, na 3.ª sessão ‘COVID-i’ sobre a ‘Evolução e impacto da COVID-19 na região Norte’, numa sessão que contou também com a intervenção de Óscar Felgueiras, assessor do Conselho Directivo da Administração Regional de Saúde do Norte e professor do Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, numa discussão moderada por Luís António Santos, professor do Instituto de Ciências Sociais da UMinho.

Mário Freitas afirmou que “desperdiçamos tempo de preparação para a primeira vaga e não estranhamos o que ia acontecer em Janeiro. Esta demora na tomada de decisões, como se estivéssemos feito uma pausa e o vírus estivesse parado, mas isto continua a existir e nós continuamos a discutir”, lembrando que “as taxas de ocupação hospitalar estão no limite, os profissionais de saúde e não só estão exaustos”.

O médico consultor em saúde pública salienta que a “comu- nicação em saúde passa pelo exemplo. Ao longo destes meses, houve exemplos que foram dados e que a população interiorizou que isto já passou. A situação precisava de outro tipo de mensagens de que vamos andar mais um ano ou dois com a pandemia”.

“Salvar o maior número de vidas possível” é o desafio maior apontado por Mário Freitas, defendendo que “a vacinação deveria ter começado, massivamente, pelos idosos, particularmente nos lares porque sabemos que é a população mais vulnerável e com maior mortalidade. Agora é vacinar, rapidamente para que morra o menor número de gente possível”.

Quanto ao encerramento das escolas, os dois oradores afirmam que a questão “já nem se coloca. Temos que reduzir mobilidade, contaminação e reduzir urgentemente o Rt (índice de transmissão)”.
Num momento em que o número de casos da COVID-19 em Portugal regista valores históricos, nesta terceira sessão informativa ‘COVID-i’, Óscar Felgueiras traça um cenário “negro” no país, onde o distrito de Braga não é excepção, alertando que “nunca tivemos um índice de transmissibilidade (Rt) da Covid-19 tão alto (18,9)”.

Óscar Felgueiras dá nota que “numa curva de aceleração com uma média de 800 casos por dia no distrito” e com maior incidência nas faixas etárias dos 20 aos 29 e acima dos 80 anos e são os idosos que acabam por dar origem a mais internamentos e óbitos”.

O assessor do Conselho Directivo da ARS Norte e professor do de Matemática da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto traça um cenário “negro” da terceira vaga em Portugal, assinalando que “estamos perante a presença crescente da variante inglesa em Portugal e isso muda as regras do jogo”.

A sessão foi promovida pela Comissão de Elaboração e Gestão do Plano de Contingência Interno e integra-se no ciclo de sessões ‘COVID-i’ que visa promover a informação e o diálogo sobre matérias relativas à pandemia no seio da comunidade Universidade do Minho.

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