Braga, quinta-feira

Cumprir um sonho de menino a quase 5000 Km de distância

Desporto

08 Abril 2020

Redação

Superar adversidades é uma realidade que Luis Asue conhece bem. Nascido na Guiné Equatorial, está em Braga desde o início da presente época, onde procura alcançar as metas que sempre sonhou.

O sonho de Asue é dos grandes, daqueles que superam a adversidades e que se conta em extensos 4812 km de distância. Nascido na Guiné Equatorial, foi nas ruas que o possante avançado marcou os primeiros golos antes de ingressar na academia local e, mais tarde, chegar à Cidade Desportiva do Sporting Clube de Braga para se juntar à equipa de juniores, no escalão sub-19 dos Guerreiros do Minho onde, em poucos meses, consegue já mostrar as suas qualidades e vai brilhando.

O talento falou sempre mais alto e uma viagem com data de regresso... acabou por se tornar definitiva. A porta de entrada para a Europa abriu-se, mas as raízes não foram esquecidas, revelando-se na forma de ser, estar e pensar do jovem de 18 anos. Maduro para a idade, Asue sabe muito bem o que quer e o que tem de fazer para lá chegar. Em Braga encontrou condições para isso e, mais importante ainda, uma nova ‘família’.

“Para todos os meninos africanos o mais importante é chegar aqui, todos sonham em chegar à Europa”, refere o jovem avançado dos bracarenses, para logo começar a recordara a sua história de vida: “em pequenino, na Guiné, estava sempre a jogar nas ruas. Um treinador meu disse que eu tinha talento e que tinha de passá-lo para os campos. Primeiro joguei os campeonatos na minha escola e depois fui para a academia”. Daí, até chegar ao SC Braga foi um processo rápido e que aconteceu de forma natural, perante as qualidades e capacidades evidenciadas. “Eu estava lá na Guiné, na academia, e de repente o meu treinador informou-me que vinha prestar provas no SC Braga. Era um clube que conhecia, mas nunca pensei que poderia chegar aqui. Vim no ano passado à experiência, correu bem, penso que toda a gente gostou de mim e voltei em Julho , fui inscrito e depois comecei a ser opção na equipa”, com estreia, nervosa, frente ao FC Famalicão: “No meu primeiro jogo estava muito nervoso, queria fazer todas as coisas bem... As partidas seguintes não correram como pretendia, não estava a conseguir marcar golos, fiquei chateado comigo mesmo. Mas com o passar do tempo, comecei a jogar melhor, com mais confiança e as coisas surgiram naturalmente”.

Habituado a trabalhar, Asue já apontou sete golos pelos bracarenses, mas quer mais, muito mais: “É sempre importante para um avançado fazer golos, sinto-me feliz e estou à espera de fazer muitos mais. O meu primeiro objectivo é ser jogador de I Liga, actuar a nível profissional. Só penso em trabalhar, sempre me disseram que com trabalho tudo é possível, por isso penso que com trabalho vou conseguir chegar lá”.

Em Braga encontrou uma nova casa, uma nova família. “Os primeiros tempos foram muito difíceis. É muito diferente o que fazemos aqui de África. Depois fui-me adaptando, estou num grande grupo que ajuda os novos jogadores e isso ajudou muito. Fiz amigos que são como irmãos, tenho colegas com os quais já fiquei muito tempo, já fui para as suas casas, conheci as suas famílias, sinto-me muito bem e estou muito feliz”.

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