Braga, segunda-feira

Defensores da Confiança acusam câmara de Braga de favorecer especulação imobiliária

Regional

09 Janeiro 2020

Redação

A Plataforma Salvar a Confiança acusou a Câmara de Braga de querer vender "o mais rápido possível" o complexo da antiga saboaria, para promotores imobiliários o "transformarem num empreendimento de luxo" e "faturarem milhões" com património municipal.

A Plataforma Salvar a Confiança acusou a Câmara de Braga de querer vender "o mais rápido possível" o complexo da antiga saboaria, para promotores imobiliários o "transformarem num empreendimento de luxo" e "faturarem milhões" com património municipal.

Em comunicado enviado hoje à Lusa, o grupo explica que a solução apresentada pela autarquia para a antiga fábrica de perfumes e sabonetes vai "impulsionar o preço da habitação" estudantil e acusou ainda a câmara de se "recusar a ouvir moradores e associações".

Na quarta-feira, a câmara de Braga anunciou que vai avançar com a hasta pública do edifício, com o caderno de encargos a obrigar a transformar o complexo numa residência universitária e a conservar a volumetria do edifício.

Em declarações à Lusa, a autarquia, que já tinha lançado duas hastas públicas, ambas travadas por providências cautelares que deram provimento à intenção da câmara em alienar o complexo, refutou as acusações do grupo, com o autarca Ricardo Rio a dizer que é "disparatado" concluir que o aumento de oferta leva a um aumento de preço.

"A Câmara Municipal de Braga pretende vender o mais rápido possível a Fábrica Confiança para que promotores imobiliários transformem o edifício num empreendimento de luxo", acusa aquela plataforma.

O grupo salienta ainda que a o autarca, Ricardo Rio, "apresentou uma novidade ainda mais surpreendente e prejudicial aos interesses dos bracarenses", explicando que, "se na primeira tentativa de alienar a Fábrica Confiança, estava em causa apenas a venda do edifício histórico, agora vai também permitir a construção de um segundo prédio de sete andares (mais dois do que em 2018) sob a falácia da criação de uma residência "universitária" privada com 300 apartamentos e dois pisos subterrâneos para estacionamento".

Para os defensores da manutenção da Confiança na esfera municipal, "a consumar-se uma edificação desta dimensão no logradouro, desaparecerá, assim, o último potencial espaço público para fruição da população naquela zona da cidade já densamente edificada".

A avaliar pelas residências privadas existentes noutras cidades, destaca o texto, "este tipo de alojamento custa entre 700 e mil euros por mês" pelo que, conclui a plataforma, "a autarquia está, por isso, a vender património municipal que foi pago pelos bracarenses, para que um promotor imobiliário fature milhões de euros por ano, criando a ilusão de que está a responder à procura de alojamento de estudantes e que se trata de um equipamento de cariz social".

O texto refere ainda que "o projeto será mais um impulso para a subida galopante de preços da habitação em Braga, que se tem registado nos últimos anos, e que continua sem resposta por parte das entidades públicas".

Ricardo Rio respondeu que esta é uma acusação "completamente disparatada".

"É completamente disparatada, deve ser o primeiro caso em que o aumento de oferta faz subir os preços", disse, salientando ainda que "não é preciso salvar aquilo que está salvo e a Confiança fica salva com este projeto".

Para a plataforma, a câmara perde ainda um importante local para implementar políticas municipais de habitação, compensando a escalada de preços neste setor, ao passo que os privados dispõem de inúmeros locais nas redondezas para edificar o empreendimento agora anunciado", explica o comunicado.

A Plataforma Salvar a Confiança acusa ainda a autarquia de ter "conduzido todo o processo sem ouvir os moradores ou os coletivos e associações que têm lutado pela salvaguarda e defesa da Fábrica Confiança".

O edifício foi desenhado por José da Costa Vilaça e inaugurado em 1921, e produziu perfumes e sabonetes até 2005, tendo sido adquirido pela autarquia em 2012, após decidida a expropriação do edifício, que estava a deteriorar-se, com o objetivo de "perpetuar a memória" da unidade fabril.

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