Despedida de 2020 sem festejos com pandemia a marcar início de 2021

Regional

31 Dezembro 2020

Redação

Passagem de Ano cumpre-se, este ano, sem festejos, em nome do combate à pandemia. Nos concelhos de fronteira do Alto Minho, não há festa para partilhar com os vizinhos espanhóis que, além da boa vizinhança, ajuda(va)m à economia local.

O ano de 2021 começa sem festejos, pelo menos na rua. É o que ditam as restrições impostas pelo Governo com a proibição de circulação na via pública em todo o território nacional, a partir das 23 horas, e a circulação entre concelhos restringida até às 5 horas do próximo dia 4 de Janeiro.


As festas públicas e/ou abertas ao público também estão proibidas pelo que os municípios - os que têm esta tradição - nem chegaram a programar qualquer festa de passagem de ano.
 

 Em Caminha, que, nos últimos anos, assumiu o slogan “onde o Norte passa o ano”, foi cancelada a festa no terreiro e os estabelecimentos são obrigados a encerrar ás 22.30 horas.


“Trocamos a festa pelo bem que é a saúde” justifica o presidente da Câmara Municipal de Caminha, Miguel Alves, que não tem dúvidas da validade do argumento.
 

O Município de Caminha optou por não organizar qualquer evento, nem mesmo a programação que costuma animar a semana que medeia o Natal e o Ano Novo.
 

 “Entendemos que não deveríamos dar uma mensagem errada” reforça o edil caminhense.


Miguel Alves reconhece que o cancelamento dos festejos de Ano Novo constitui mais uma machadada na economia local.


“A câmara organiza este evento porque é importante para a dinâmica da economia local que é a que mais sofre” aponta o autarca.
 

Em varios concelhos do Alto Minho, as restrições em Portugal condicionam, também, os vizinhos galegos habituados a dividir a festa entre um e o outro lado da fronteira.


O Município de Caminha optou pela suspensão da travessia entre Caminha e La Guardia com a paragem do ferry boat que liga as duas margens do Rio Minho desde o Natal e até 5 de Janeiro.
 

 Em Valença, a mobilidade com a cidade galega de Tui é uma tradição, confirma o presidente da Câmara, Manuel Lopes, que explica que é habitual muitos valencianos aproveitarem as duas passagens de ano, dada a diferença de uma hora e a pouca distância entre as duas cidades.


O município de Valença também cancelou os festejos de passagem de ano que tem vindo a organizar.
 

As restrições à circulação, que também se verificam em várias cidades galegas e que se prolongam, no caso espanhol, até 7 de Janeiro, representam “uma perda grande para a economia local” aponta o autarca valenciano que constata: “o nosso comércio e restauração dependem em 90 por cento dos espanhóis”.
 

 Vila Nova de Cerveira também costuma duplicar, com a vizinha galega Tomiño, a festa de passagem de ano, numa verdadeira “animação transfronteiriça”.


Este ano, não há sequer trânsito entre os dois concelhos, constata o presidente do Município de Vila Nova de Cerveira, Fernando Nogueira, que lamenta a falta dos espanhóis que “também animam o comércio e a restauração cerveirense”.
 

De 2020 para 2021, o ano vai passar sem festa na rua e não conta com os galegos dos concelhos vizinhos onde também vigoram medidas restritivas devido à Covid-19, afirma o presidente da Câmara Municipal de Melgaço, Manoel Batista.


Nos últimos anos, o Município de Melgaço tem apoiado a iniciativa privada, associando-se, por exemplo, à Associação Empresarial Minho Fronteiriço na organização da festa de passagem de ano.


Este ano, a opção é um espectáculo de fogo de artifício que será transmitido à meia-noite, através das redes sociais do município, para que todos possam assistir a partir de casa, em família e em segurança, anuncia o município.


O Município de Monção não tem a tradição de organizar festa de passagem de ano, mas a juventude costuma juntar-se nos bares e restaurantes, confirma o edil, António Barbosa, que acredita que, este ano, as famílias vão juntar-se em casa e celebrar cumprindo as regras.
 

Caminha
 

“Grandes desafios para superar do ponto de vista social e económico”
 

É com "muita esperança" que o presidente da Câmara Municipal de Caminha, Miguel Alves, enfrenta o novo ano, vincando que "é importante manter este combustível da nossa superação".
 

 O autarca de Caminha não tem dúvidas de que "vamos ter um ano muito difícil, mais parecido com 2020 do que com 2019" mas apela: "temos que nos mentalizar que vamos superar, estando todos juntos, evitando o agravamento da situação de saúde, mas também da economia".


Miguel Alves reconhece que "temos grandes desafios para superar do ponto de vista social e económico" e, por isso, no primeiro dia útil do ano, 4 de Janeiro, vai a reunião de câmara uma proposta de prorrogação das medidas de apoio do município aos agentes económicos locais que deverão vigorar até Junho, sendo reavaliadas conforme a evolução da situação epidemiológica.
 

Vila Nova de Cerveira


Município de Cerveira mantém medidas de apoio em 2021
 

“Os efeitos económicos vão prevalecer para além da pandemia e prevê-se um ano difícil” aponta o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira, Fernando Nogueira, que anuncia que as medidas de apoio do município à economia local vão manter-se em 2021.
 

 Além da redução das tarifas de água e saneamento e das rendas, o município cerveirense irá manter a isenção do pagamento de taxas para as feiras e mercados, confirma Fernando Nogueira, que dá conta, também, do reforço dos apoios sociais às famílias e também no âmbito da acção social escolar.


De resto, para 2021, o autarca cerveirense faz votos de “saúde e trabalho para todos”, acreditando que “com saúde e trabalho estaremos prontos para enfrentar os desafios da vida”.
 

Valença
 

Orçamento municipal para 2021 reforça verbas para a acção social
 

O Município de Valença reforçou, no seu orçamento para 2021, as verbas para a acção social bem como os apoios para estudantes do ensino superior, antevendo as dificuldades decorrentes da pandemia.


O presidente da Câmara Municipal de Valença, Manuel Lopes, faz as contas não só àquilo que o Município gasta a mais com a pandemia, mas também às receitas que não entraram nos cofres municipais, fruto do abrandamento da actividade económica.


O autarca valenciano prevê que algumas das medidas de apoio à economia local implementadas pelo município se possam manter durante os primeiros meses de 2021, dando conta que as diferentes medidas serão avaliadas, caso a caso e conforme a evolução da situação epidemiológica.


Manuel Lopes revela que as medidas foram sendo adaptadas, pontualmente, mas algumas estão em vigor desde Março.

Monção


Município prepara pacote de medidas de apoio em várias frentes
 

“Que a vacina seja efectivamente eficaz”. É este o principal voto do presidente da Câmara Municipal de Monção, António Barbosa, para o ano de 2021.


Para o autarca monçanense, além da vertente da saúde das pessoas, a vacina poderá ajudar a retomar a confiança na economia que “mexe com toda a vida das pessoas”.


Para 2021, o Município de Monção está a preparar um pacote de medidas de apoio, antecipa António Barbosa, sem concretizar ainda as iniciativas, mas justificando com a necessidade de apoiar o relançamento da economia e de reforçar a tesouraria das empresas do concelho, dentro do que são as competências do Município. Além da prorrogação de medidas de apoio já adoptadas em 2020, o edil monçanense pretende avançar com novas medidas que abranjam não só as famílias, mas também o comércio e a indústria, sem esquecer as IPSS.
 

Melgaço


A esperança é que não seja preciso prorrogar medidas de apoio


“São votos de saúde que o presidente da Câmara Municipal de Melgaço, Manoel Batista, deixa para o novo ano, considerando a vacina "uma excelente notícia”.


Do ponto de vista da economia, Manoel Batista espera que “consigamos crescer” e que "o turismo comece a recuperar o seu vigor e volte a dar o seu contributo para a economia dos territórios” reconhecendo que é um sector importante no concelho.


Quanto ao resto da economia, a esperança de Manoel Batista é que não seja necessário prorrogar, ainda mais, as medidas de apoio que o Município reactivou na segunda vaga.


As medidas serão reavaliadas, mas são várias as que se mantêm em vigor pelo menos até Fevereiro como a redução de 50 por cento nas rendas e a isenção de taxas para feirantes, exemplifica o autarca melgacense, reconhecendo as feiras e mercados como “importantes para dinâmica social e económica”.

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