Drama intenso sobre a emigração portuguesa no palco de Theatro Circo

Diversos

26 Janeiro 2024

Marlene Cerqueira Marlene Cerqueira

O Salto, peça de teatro escrita e encenada por Tiago Correia, sobe esta noite ao palco do Theatro Circo. Drama transporta o público para um dos mais conturbados períodos da história Portugal.

‘O Salto’, peça de teatro escrita e encenada por Tiago Correia, é a proposta do Theatro Circo para esta noite. A partir das 21.30 horas, na sala principal, o público é desafiado a mergulhar num dos mais conturbados períodos da história em Portugal.


“Este espectáculo parte de uma investigação que fiz sobre o Estado Novo e as circunstâncias que levaram milhares de portugueses a deixar o país, nomeadamente a guerra colonial, a oposição ao regime e a fuga à pobreza extrema”, conta Tiago Correio, em conversa com o ‘Correio do Minho’.
 

O autor e encenador desvenda que a peça junta um grupo de jovens que, no início dos anos 70, sem se conhecerem, vão no mesmo carro com um “passador” para passarem a fronteira “a salto”. São pessoas que se viram obrigadas a deixar tudo para trás no país de origem para procurarem uma vida melhor para si e para os seus filhos, “tal como hoje ainda acontece e este é um tema que está na ordem do dia”, nota.


A passagem “a salto” acaba por correr mal. O grupo é apanhado pela polícia próximo à fronteira, foge e despista-se no meio do monte. O grave acidente é ponto de partida onde a peça começa. O público “testemunha esta hora trágica das suas vidas, em que eles têm de definir o que fazer, se vão para trás buscar ajuda ou seguem em frente em deixam os feridos para trás”.


“Esta peça centra-se no momento trágico da travessia. É uma peça de apenas um acto, mas é muito intensa, muito dura”, revela Tiago Correia, que depois desta obra sobre a emigração portuguesa dos anos 60/70 pretende agora fazer uma peça “sobre o que se passa na actualidade, sobre esta crise migratória na Europa e como estamos a receber os imigrantes”.


Quem assistir a esta segunda peça perceberá a ligação com ‘O Salto’, mas ela será uma obra autónoma que funcionará por si só para o público. “É uma peça em que vou iniciar agora a pesquisa, no Alentejo, pois vai debruçar-se sobre a imigração mais a sul, sobretudo na agricultura intensiva”, revela o autor e encenador.

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