Braga, segunda-feira

Eduardo Filipe: No ABC tive hipótese de dar um salto qualitativo enorme

Desporto

11 Maio 2020

Redação

Eduardo Filipe, senhor do andebol nacional, o mais internacional de sempre por Portugal e agora médico no SC Braga, recordou tempos e glórias passadas e falou da actualidade.

É um dos históricos do andebol português sendo, ainda actualmente, o jogador com mais internacionalizações com a camisola da equipa das quinas. Hoje em dia, já retirado das lides desportivas - enquanto jogador - o dono de um potentíssimo remate dedica-se em exlusivo à medicina, ocupando o cargo de coordenador clínico da Cidade Desportiva do Sporting Clube de Braga.

Eduarde Filipe fez, durante largos anos, as delícias dos amantes do andebol nacional, passou por quatro clubes portugueses, esteve três épocas em Espanha e deixou saudades, para além de ter também deixado a sua marcar em vários troféus.

Eduardo Filipe é uma das principais referências do andebol em Portugal. O sucesso reflete-se nos 11 títulos internos, ao nível de clubes, onde brilhou ao mais alto nível pelo FC Porto, bem como ao serviço da selecção nacional, tendo conquistado a medalha de ouro no Europeu de Sub-18 em 1992 e a medalha de bronze, no Mundial de Juniores, em 1995.

Agora dedicado a outras tarefas - mas sempre ligado ao desporto - esta ex-glória do andebol português recordou tempos antigos, histórias engraçadas e momentos bem vividos, contou como conciliou o andebol com outra paixão, a medicina, e falou também da actualidade , comentando as dificuldades e desafios que enfrentamos.

Começou a jogar no Colégio dos Carvalhos e transferiu-se para o FC Porto ainda muito jovem. “No início eu não fazia a mínima ideia que iria para o FC Porto. Quando comecei a jogar no Colégio dos Carvalhos, só pensava nesse clube e só no final do primeiro ano é que comecei a ter mais contacto com o FC Porto. Já conhecia muitos dos atletas desse clube, quando assinei, por causa das Seleções Regionais”, refere. Por lá passou grande parte da sua carreira, mas antes de sete anos consecutivos no Porto, passou pelo ABC (duas épocas) e pelo Boavista (uma).

“Todas as minhas mudanças foram no sentido de ir à procura de algo mais. Quando fui para o ABC, a equipa com mais aspirações a nível nacional e internacional, queria crescer como atleta, tinha lá o melhor grupo de jogadores em Portugal e também um treinador de referência. Não me arrependo minimamente, foi um ganho muito grande a todos os níveis e um salto qualitativo considerável. No final desses dois anos, tive um novo convite do Boavista para integrar um projecto com um grupo muito jovem. Foi um momento em que eu queria experimentar métodos diferentes e ter ainda mais tempo de jogo do que tinha em Braga, que já era bastante mas eu ainda queria mais. Esse foi um ano de passagem, a época correu-nos muito bem e o FC Porto voltou a querer apostar em atletas que já tinham pertencido aos quadros do clube. No fim dessa época, metade da equipa do Boavista FC transitou para o FC Porto e começou a construir-se, nesse momento, em 1996, o projecto que é hoje o actual”

Seguiram-se sete anos de dragão ao peito, onde se destacou ainda mais: “Nessa altura já estava constantemente nas selecções nacionais, estava sempre nas listas de melhores marcadores, felizmente já começavam a aparecer alguns convites internacionais, o que me dava um estímulo grande e fazia com que eu acreditasse no meu potencial”. E veio então a experiência em Espanha, na Liga Asobal, onde esteve três épocas. “O campeonato espanhol era, na altura, o melhor do mundo, indubitavelmente. Neste momento, não há nenhum campeonato que se possa comparar ao que o campeonato espanhol era nessa época. Hoje em dia, felizmente, há várias ligas muito fortes e os atletas estão mais distribuídos mas, naquela altura, a Liga Asobal tinha os quatros/cinco melhores jogadores do mundo por posto específico a actuar lá. Jogar no melhor campeonato do mundo foi extremamente aliciante para mim, a todos os níveis, pelo reconhecimento, por saber que me iria potenciar e para eu próprio também poder provar até onde eu poderia chegar. Sempre foi a minha ambição e consegui provar que era capaz tanto dentro de portas, como lá fora ao conseguir estar na lista dos melhores marcadores da Liga Asobal numa época dessas, foi extremamente valorizante”.

Depois dessa experiência regressou a Portugal, tendo terminado a carrera no FC Porto. “Quando saí de Espanha e voltei para o FC Porto, foi num momento em que estava a ter as melhores ofertas a nível internacional, tinha bastantes propostas em cima da mesa mas tive a possibilidade de regressar e poder fazer a especialidade em Medicina Desportiva, que era uma coisa que eu também tinha em mente.

Após acabar a carreira gostava de ficar ligado ao desporto e, através da Medicina Desportiva, seria o ideal. Consegui voltar ao FC Porto, ajudar o clube a regressar as vitórias e é algo que me deixa feliz quando olho para trás. Ainda no FC Porto, tinha deixado de jogar e passei a ser Médico do andebol junto com o futebol de formação” e assim começou a ligação, de forma exclusiva, à sua paixão pela medicina desportiva.

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