Braga, quarta-feira

Educação, inovação, coesão social e territorial na rota dos fundos europeus

Regional

08 Junho 2020

Redação

O empresário Pedro Fraga defende que o dinheiro oriundo do fundo europeu criado para a recuperação social e económica deve privilegiar a malha social e a coesão territorial, levando mais conhecimento para o interior.

Pedro Fraga, CEO da F3M - Informations Systems SA, defende que o Estado Central deve utilizar as verbas do Fundo de Recuperação da União Europeia de 500 mil milhões para a educação, a inovação sem esquecer a coesão social e territorial.

Convidado desta semana do programa ‘Da Europa para o Minho’, da Rádio Rádio Antena Minho, Pedro Fraga foi interpelado pelo eurodeputado José Manuel Fernandes, convidado permanente deste programa, a opinar sobre o melhor destino, ou projectos, a dar aos 15,5 mil milhões de euros a fundo perdido destinados a Portugal a partir deste fundo, ao qual se acrescentará 33 mil milhões do quadro financeiro plurianual que está em cima da mesa - o que perfaz um total de 48,5 mil milhões, quase 19 milhões por dia - Pedro Fraga diz que até aqui o foco tem sido, a nível empresarial, a inovação e investigação, mas que o?Estado Central deve usar a partir de agora, parte dessas verbas para a promoção da coesão territorial e social.

“As instituições do terceiro sector, que são normalmente, em momentos de crise, quem seguram este país, precisam claramente de serem alavancadas financeiramente. Os pagamentos do Estado têm de servir para a coesão social”, diz Pedro Fraga, considerando que Portugal deve aproveitar este bolo financeiro para diminuir o fosso social existente.

O empresário é da opinião que Portugal é ainda uma país a “algumas velocidades”, onde o interior tem sucessivamente ficado para trás e à margem dos investimentos. “A coesão territorial passa por aí, passa por incentivar o mercado empresarial a investir no interior do país. Se fizermos mais do mesmo, vamos ter um desaproveitamento daquilo que são valores previstos”, explica.

“Não há evolução sem inovação e não há inovação sem investigação”

Com forte ligação ao meio académico, nomeadamente à UMinho e ao Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, Pedro Fraga assume que num mundo global e competitivo “não há evolução sem inovação e, dificilmente há inovação sem investigação e desenvolvimento”, sendo que as empresas, nomeadamente as médias empresas, desenvolverão aos seus projectos sem intervenção directa do mundo académica. Por isso, esta relação tem sido “virtuosa”.

“Penso que as empresas perceberam que hoje não se exporta sem inovar”, continua o empresário, considerando que até pelo modelo de financiamento a que estão sujeitas, as universidades e institutos politécnicos são hoje fortemente “compelidas” a trabalhar em cooperação com empresas nacionais e internacionais. “Isso está a formar uma massa crítica absolutamente única. Não me lembro de um momento tão activo e intenso, nos últimos dois, três anos, de colaboração entre as empresas e os centros de saber”, explica.

Interpelado sobre a gestão da crise gerada pelo Covid-19 em determinados sectores, que fez com que Portugal, e própria Europa, dependesse de outros países como, por exemplo, na aquisição de ventiladores ou até mesmo de medicamentos e se há possibilidade da Europa ser auto-suficientes em sectores que podem ser críticos, o empresário assume claramente que a Europa “foi pelo mais cómodo, que é entregar uma parte substancial daquilo que hoje necessitamos desesperadamente para viver como sociedade a um outro continente”, referindo-se à China.

“Penso que União Europeia deverá ter uma acção concertada em áreas fundamentais porque não podemos estar absolutamente dependentes, mas também não fedendo uma estratégia unitária”, conclui.

Resistência, União Europeia e vacina

Resistência é uma das palavras de ordem deixadas por Pedro Fraga no que diz respeito à superação da actual crise provocada pelo novo coronavírus. “Temos de ter um discurso de resistência no sector social, privado, sem deixar o sector público totalmente de fora do esforço que tem sido feito por estes dois últimos”, diz o empresário, cabendo ao Presidente da República e ao primeiro-ministro um papel primordial neste âmbito para “apelar a esta resiliência”, afirma.

Em termos de medidas, o empresário diz que terão de ser tomadas “à boleia” do que a União Europeia permitir. “Com o país podemos apenas discutir o afinamento de algumas medidas, mas não podemos ir muito mais longe”, considera Pedro Fraga, adiantando que, a partir de agora, será necessário usar de forma “comedida e adequada” aquilo que União Europeia disponibilizar, quer no regime de subvenção ou de empréstimos.

Numa última nota, Pedro Fraga comunga da opinião geral de que a retoma é feita com confiança.

“Este é essencialmente um problema que passa pela confiança. Termos passado de um discurso do ‘Fiquem todos em casa’ para ‘Vão todos para’ a rua não foi o ideal”, diz o responsável, criticando o discurso do poder central neste âmbito, revelando que só quando tivermos uma vacina de uso generalizado é que “voltaremos a consumir” e que o prazo de recuperação “será curto”.

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