Braga, segunda-feira

Eixo Atlântico elogia fantástica organização desta Capital da Cultura

Regional

07 Fevereiro 2020

Redação

Xoán Mao não poupou nos elogios à forma como Braga preparou, ganhou e está a concretizar esta Capital da Cultura. O secretário-geral do Eixo Atlântico enalteceu ainda os criadores e artistas locais.

Xoán Mao deu ontem os parabéns a Braga pela forma “extraordinária” como organizou a VI Capital Europeia da Cultura do Eixo Atlântico, trabalho que se seguiu a uma “também fantástica candidatura”. O secretário geral do Eixo Atlântico realçou ainda a importância do evento para a promoção dos artistas e criadores desta região transfronteiriça.

Na apresentação da VI Capital da Cultura do Eixo Atlântico, Xoán Mao realçou o “bom entendimento” que houve entre o Município de Braga e o Eixo Atlântico, e mencionou, por várias vezes, Braga como um exemplo a seguir, porque “é uma cidade que regista o que é o espírito da eurorregião”.

“Braga é uma cidade que rejuvenesceu, uma cidade que quer fazer da cultura uma marca da sua identidade”, referiu, acrescentando que não é por acaso que há cada vez mais hotéis a abrir portas nesta cidade e que se ouve na rua, cada vez mais pessoas, turistas, a falar em línguas estrangeiras.

E Braga rejuvenesceu “porque tem captado investimento e tem apostado também na cultura” como um motor desse crescimento económico, apontou Xoán Mao, realçando assim o papel da cultura enquanto motor para a economia de uma cidade, algo que se vai projectar também neste ano que Braga se prepara para viver enquanto Capital da Cultura do Eixo Atlântico.

A Capital da Cultura do Eixo Atlântico é muito mais do que um programa, referiu, argumentando que a cultura também promove emprego, capta população e faz crescer o turismo. Traçando um paralelo, refere que esta Capital da Cultura deve ser o símbolo do que o Eixo Atlântico representa para a eurorregião, colocando a tónica na necessidade de promover aquilo que são os artistas e criadores locais.
“Um espectáculo com os The Rolling Stones é um grande evento, mas nunca integraria esta Capital da Cultura. O Eixo Atlântico quer é incentivar os nossos artistas e criadores e promover a cultura local, por isso tem de dar protagonismo aquilo que é nosso”, defendeu, aproveitando para criticar as autarquias que optam por entregar as programações culturais a promotores que depois só contratam grandes nomes do showbiz em detrimento dos seus próprios artistas.

“Nós queremos que as nossas câmaras contratem os jovens da nossa eurorregião. Queremos que apostem na cultura urbana, na cultura que os nossos jovens gostam de consumir; queremos que os grupos e companhias dos dois lados da fronteira apostem na cooperação, nos intercâmbios; queremos que façam produção cultural e que essa produção cultural tenha uma marca identitária própria”, referiu.

O secretário geral do Eixo Atlântico elogiou também a forma como o programa desta Capital da Cultura conjuga a cultura tradicional com a moderna do século XXI. “Ambas têm de ser impulsionadas”, reivindicou.

Nota final ainda para os ganhos que a cultura do Norte de Portugal e a galega conseguem com esta Capital da Cultura, uma vez que “quando a cultura do Norte de Portugal é promovida junto dos galegos, estamos a enriquecer a Galiza, e quando a cultura galega é promovida no Norte de Portugal estamos a promover esta região lusa”.

Quanto a orçamento, Xoán Mao não quis avançar números por considerar que estes eventos “só no final se podem contabilizar”. Certo é que “o saldo tem sido sempre positivo” para as cidades que acolheram este evento pela dinamização que promovem.

O presidente da Câmara de Braga, Ricardo Rio, precisou que esta Capital da Cultura significa um acréscimo de 400 mil euros no investimento que a Câmara Municipal de Braga faz com a sua programação cultural habitual.

Ricardo Rio: “Este é um momento de afirmação da nossa identidade”

“Queremos que a Braga 2020 - Capital da Cultura do Eixo Atlântico seja um momento de afirmação da nossa identidade e que contribua para aumentar a dinâmica cultural de cada uma das cidades que integram esta associação transfronteiriça.”

As palavras são de Ricardo Rio, presidente da Câmara de Braga, para quem esta Capital da Cultura do Eixo Atlântico se apresenta como a “celebração da cultura e cooperação transfronteiriça”.

Na apresentação do programa desta VI Capital da Cultura, Rio salientou a importância de Braga estar integrada nesta associação que descreve como “um espaço de exemplo à escala transfronteiriça na região europeia.

O edil começou por referir que Braga tem conseguido tirar benefícios no âmbito dos diferentes projectos em que participa no âmbito do Eixo Atlântico. Recordou que a cidade acolhe a Capital da Cultura depois de por cá já terem decorrido eventos importantes como a assembleia comemorativa dos 25 anos Eixo Atlântico, a conferência sobre a Agenda Urbana, a Expocidades e os Jogos do Eixo Atlântico.

“O facto de sermos agora Capital da Cultura é porque entendemos que a cultura é um veículo de ligação entre povos. Independentemente das fronteiras, há uma afinidade enorme entre os galegos e os portugueses do Norte de Portugal”, afirmou, acrescentando que Braga encara a Cultura “como um importante vector de desenvolvimento”.

E Braga encara também esta Capital da Cultura do Eixo Atlântico como “uma ponte importante para a construção da candidatura de Braga a Capital europeia da cultura em 2027”.

Este será mais um trunfo para Braga a juntar outros como a sua inclusão na rede de Cidades Criativas da UNESCO no domínio das Media Arts e o reconhecimento do Bom Jesus como Património Mundial.
Rio promete que 2020 será “um ano vibrante para a eurorregião” que terá oportunidade de desfrutar de uma vasta programação onde se destacam eventos já de referência do Município de Braga e um conjunto de novas iniciativas que contam com a colaboração de agentes culturais dos municípios do Norte de Portugal e da Galiza.

Recorde-se que Ricardo Rio vai ser hoje eleito presidente da comissão executiva do Eixo Atlântico, na assembleia geral que se realiza em Matosinhos. É primeira vez que vão ser eleitos os órgãos sociais do Eixo.

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