Braga, segunda-feira

Equipa da Plataforma Trace Covid já rastreou mais de 20 mil contactos

Regional

29 Janeiro 2021

Redação

O Regimento de Cavalaria de Braga é uma das unidades do Exército Português com uma equipa dedicada à Plataforma Trace Covid, que efectua o rastreamento de cidadãos que contactaram com doentes Covid-19. O objectivo é evitar os contágios.

Militar desde 2014, com o estatuto de ‘trabalhadora-estudante’, a 1.ª cabo Ana Sofia Costa, que frequenta o curso de Solicitadoria no Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, é uma das operadoras da Plataforma ‘Trace Covid’ da equipa do Regimento de Cavalaria n.º 6 (RC6), alocada pelo Exército Português em mais este projecto de apoio ao combate à Covid-19. Desde Novembro último, o RC6 já rastreou mais de 20 mil cidadãos, a maior parte dos quais com “alto risco” de exposição e possível contracção da doença provocada pelo novo coronavírus.


A Plataforma ‘Trace Covid’ é também “uma prioridade” para as Forças Armadas, no âmbito do apoio militar de emergência de combate à pandemia, sublinha o capitão Paulo Rodrigues, chefe da equipa ‘Trace Covid’ do RC6, e também ele, um dos operadores ‘em linha’.


Actualmente, o Exército Português tem activas 19 equipas distribuídas pelas várias unidades em todo o país. Estas equipas incluem militares, técnicos superiores das autarquias e médicos dentistas, que colaboram com as administrações regionais de saúde, através de uma base de dados partilhada, actualizada diariamente pelo SNS com os novos casos positivos de Covid-19.


“Os operadores das equipas ‘Trace Covid’ contactam os doentes com Covid-19 para perceber se já foram contactados pelo Serviço Nacional de Saúde e se já estão a ser seguidos, mas o grande objectivo da chamada é um questionário que visa a identificação das pessoas com quem estiveram em contacto”, refere Paulo Rodrigues, indicando que as respostas podem ser dadas ‘na hora’ ou enviadas posteriormente por e-mail.


“Após a identificação, é contactada cada uma das pessoas que esteve em contacto com o doente Covid, e, mediante o tipo de contacto, podem constituir-se como alto ou baixo risco de ter contraído o vírus e de poder também ser um possível transmissor”, explana o responsável.


“O caso é considerado como ‘alto risco’ caso se tenha estado em contacto com um doente Covid mais de 15 minutos, a menos de dois metros e sem máscara. Dependendo do risco são indicadas as medidas a adoptar, pois no caso de ser avaliado como ‘alto risco’, essas pessoas têm que ficar em isolamento profiláctico durante 14 dias”, assevera o capitão Paulo Rodrigues.


Para a 1.ª cabo Ana Sofia Costa, umas das operadores ‘Trace Covid’ do RC6, foi uma “mudança total” ao nível das suas funções dentro do regimento, passando a realizar praticamente “atendimento ao público”. Uma tarefa que se tem revelado “muito desafiadora”, nomeadamente porque uma das suas preocupações é perceber se o doente Covid-19, ou com ‘alto risco’ de ter contraído a doença, está ou não a cumprir o respectivo isolamento profiláctico. “Apelo, vezes sem conta, ao ‘dever cívico’ que cabe a cada um individualmente”.


Neste caso, a ‘Trace Covid’ do RC6 trata especificamente das áreas de saúde mais críticas de Valongo, Maia e Gondomar, por indicação da Administração Regional de Saúde do Norte. “Nem sempre é fácil”, confessa, mencionando que “há muitas pessoas que ficam zangadas quando lhes ligamos para dizer que é considerada como ‘alto risco’ por ter estado em contacto directo com uma pessoa infectada com o SARS-CoV-2”, explicou a 1.ª cabo Ana Sofia Costa.


“A verdade é que a maior parte destas pessoas que rastreamos por terem estado ‘em contacto’ com alguém infectado, muitas vezes não têm sintomas e é preciso lembrá-las que, mesmo assim, têm que cumprir isolamento e, por vezes, é difícil fazê-las compreender que não podem sair de casa”, disse, indicando que os jovens entendem mais facilmente a mensagem do que os mais idosos.


Entre as dezenas de chamadas telefónicas e e-mails que diariamente efectua, a militar recorda um senhor com Covid que, ao ser-lhe perguntado com quem tinha estado em contacto, pediu para esta informação não ser partilhada com a esposa...


“Há de tudo. Até há pessoas com Covid que não querem dar os contactos das pessoas que poderão ter contagiado evocando a protecção de dados... mas é essencial que os cidadãos percebam a importância deste rastreamento que visa, acima de tudo, evitar mais contágios”.

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