Braga, sexta-feira

Estruturas de comercialização garantem a exportação

Economia

30 Março 2021

José Paulo Silva

Inglaterra é o principal cliente dos mirtilos produzidos no Vale do Cávado. Sucesso da exportação assenta na organização dos produtores para o tratamento e escoamento do pequeno fruto.

A quase totalidade da produção de mirtilo do Vale do Cávado é exportada. O sucesso comercial do pequeno fruto, com um preço médio ao produtor de 3,8 a 4 euros, assenta na existência, na freguesia de Gême, concelho de Vila Verde, de duas estruturas de recolha, tratamento, armazenamento e expedição de pequenos frutos.


À volta de 99% do mirtilo produzido nos concelhos de Vila Verde, Terras de Bouro, Amares, Braga e Barcelos passam por aquelas duas estruturas.
 

 Segundo o presidente da,ATAHCA, Mota Alves, a fluidez conseguida no processo de escoamento da produção do mirtilo tem sido base para a expansão da cultura, dada a segurança de rendimento que dá aos produtores. “Os produtores tiveram preocupação com a rede de comercialização e com o escoamento do fruto com qualidade”, considera o presidente da associação de desenvolvimento local.


Nas duas estruturas instaladas no parque industrial, uma cooperativa e uma empresa, os frutos são calibrados e embalados, tendo a Inglaterra como principal mercado de destino.


A cultura do mirtilo apresenta uma “rentabilidade interessante” para os produtores, apresentando como uma das principais exigências “muita mão de obra na colheita”.


O pequeno arbusto exige exclusividade das parcelas de terreno onde é plantado, sendo rentáveis explorações com 1,5 hectares, que constituem a maioria no Vale do Cávado.


Longe da produção de Vila Verde, os concelhos de Barcelos e Terras de Bouro surgem como outros dois onde a cultura de mirtilhos tem alguma expressão. Em Terras de Bouro, a produção andará nas 13 toneladas/ano e em Barcelos à volta das 15.
 

 Segundo dados da ATAHCA, o concelho de Braga produzirá entre 10 a 12 toneladas do pequeno fruto, sendo a produção no concelho de Amares inferior.
 

Os citrinos são nesta altura outra cultura em crescimento no Vale do Cávado, estimando a ATAHCA que a actual produção de 10 hectares, só no concelho de Vila Verde, possa chegar aos 50 em 2030.


O presidente da ATAHCA entende que, no caso dos citrinos, o escoamento para os circuitos de comercialização é um desafio, pelo que sugere o aproveitamento das duas estruturas já existentes para o armazenamento e comercialização de mirtilos. “Já têm estruturas técnicas e administrativas e também área de frio”, alega.


Se a região do Cávado, “tem condições excelentes” para a produção de citrinos, nomeadamente laranja, limão e cidrão, Mota Alves aconselha a que “as pessoas não façam plantações por impulso”, mas tendo em conta as condições dos terrenos para este tipo de cultura.


No caso da laranja de Amares, cuja qualidade é unanimemente reconhecida, o responsável entende que o principal entrave ao seu sucesso a dificuldade em entrar nos circuitos de comercialização.


A ATAHCA tem vindo a defender a criação de mercados de produtos locais a nível concelhio para o escoamento de pequenas produções, tendo sido já financiado um em Amares e perspectivando-se a criação de outro em Vila Verde.


Tratam-se de espaços de comercialização de periodicidade semanal, exclusivos para frutos, hortícolas frescos e animais de criação domésticos, directamente do produtor ao consumidor.

Deixa o teu comentário