Braga, sexta-feira

Estudo defende que radares registem contraordenações

Regional

13 Julho 2021

Marlene Cerqueira Marlene Cerqueira

Estudo da UMinho constata que três em quatro condutores não cumprem limite de velocidade e recomenda que radares deixem de ser meramente informativos e passem a registar contraordenações.

Três em quatro condutores desrespeitam indicadores de velocidade instalados na variante do Fojo, segundo um estudo observacional levado a cabo pelo Centro de Investigação em Estudos da Criança (CIEC) da Universidade do Minho.

Perante as conclusões do estudo, agora conhecidas, o investigador José Precioso recomenda que “os radares deixem de ser meramente informativos e passem a registar contra-ordenações dos condutores e eventualmente registem a matrícula do veículo e passem multa, pois só assim será possível moderar a velocidade nessas vias”.

De acordo com a informação divulgada ontem pela UMinho, o estudo ocorreu em Março e incidiu em 300 condutores de automóveis na variante do Fojo.

“Os indicadores de velocidade na berma da estrada devem passar a registar as contra-ordenações e coimas, pois 75% dos condutores estão a ultrapassar os limites apresentados”, refere a UMinho no comunicado, lembrando que já em 2017 tinha registado 57% de incumprimentos. “Os cientistas sugerem ainda mais fiscalização e sensibilização na segurança rodoviária”, realça a mesma fonte.

“No sentido nascente-poente, o limite de 50 km/h foi desrespeitado por 93% dos automobilistas, dos quais quase metade cometeriam uma infracção muito grave (a mais de 70 km/h). No sentido poente-nascente, o limite de 70 km/h foi ignorado em 56% dos casos, mas sem infracções muito graves. Face a um estudo em 2017 para o mesmo local, horário, clima e tipo de veículo, os valores subiram 11% e 25%, respectivamente para cada sentido. No global, passou-se em quatro anos de 57% para 75% de incumprimentos naquela via”, realça.

Ainda de acordo com o estudo, o sexo do condutor “não foi uma variável significativa na velocidade ou na infracção praticadas”.

O investigador José Precioso realizou o trabalho de investigação com as alunas de mestrado Cláudia Nunes e Mariana Branco e a doutoranda Regina Alves.

Outros estudos têm mostrado que só quando os radares começaram a ser de fiscalização é que a velocidade de circulação se moderou, como sucedeu na VCI (Via de Cintura Interna), no Porto - realça.
Os investigadores sugerem ainda mais vigilância policial “para reduzir o incumprimento manifestamente elevado”, até porque os radares informativos “indicam uma velocidade 4 ou 5 km inferior à que o automóvel circula”.

Os investigadores acrescentam que “conduzir em excesso de velocidade afecta a saúde, o ambiente e a economia. Quanto maior for a velocidade de circulação, maior é a probabilidade de acidente grave para os envolvidos, bem como do volume de gases poluentes, de poluição sonora, do consumo de combustíveis, do desgaste do veículo e das suas despesas de manutenção”.

“Muitas vezes conduz-se tão depressa para, afinal, esperar-se praticamente o mesmo tempo na fila de saída”, nota José Precioso.

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