Braga, terça-feira

Feirantes confiantes na retoma da actividade, mas de forma gradual

Regional

20 Maio 2020

Redação

Feira Semanal retomou ontem a sua actividade e os comerciantes esperam que a confiança dos clientes permita recuperar as perdas de dois meses de interregno. O uso de máscaras foi generalizado, assim como de soluções de desinfecção.

A boa afluência que se registou ontem na reabertura da feira semanal de Braga dá boas perspectivas aos feirante na retoma da actividade, embora de forma gradual.

Ao Correio do Minho, alguns dos feirantes que ontem decidiram reocupar o seu lugar após dois meses de interregno demonstraram a sua confiança no reavivar do negócio, embora consideram que este será um processo gradual e que vai depender essencialmente de dois factores: o evoluir da situação pandémica e o respeito pelas medidas de segurança por parte dos feirantes presentes que transmitam confiança a quem decide continuar a comprar na feira semanal.

O facto de ser realizada ao ar livre, dizem, dá-lhe uma vantagem relativamente às lojas de ruas e aos centros comerciais.

Os feirantes reconhecem que o poder de compra de muitas famílias ficará agora mais reduzido, mas acreditam que quem ter por hábito comprar na feira semanal continuará a fazê-lo.

Feirante há mais de 23 anos, Artur Andrade refere que este primeiro dia não acolheu o número de pessoas que habitualmente se desloca a este recinto, mas pensa que as próximas edições serão melhores. “Até é melhor que não venham tantos clientes como habitualmente para que possamos adaptar-nos a esta nova realidade”, diz o feirante que integra Associação de Feirantes do distrito.

Artur não tem dúvidas de que também neste sector se notará o impacto da crise económica causado pela pandemia, reflectida na perda de poder de compra por parte dos clientes, mas espera que a retoma aconteça para suprimir as graves dificuldades sentidas pela esmagadora maioria dos comerciantes que estiverem dois meses sem qualquer facturação. O feirante garante que não é por falta de segurança que o negócio não voltará a prosperar. “Os feirantes tomaram todas as medidas impostas pela Direcção-Geral da Saúde. Temos um plano de contingência que obriga feirantes e clientes ao uso de máscara. Todos têm desinfectantes nas suas bancas”, conta o feirante que investiu perto de quinhentos euros na aquisição de material de protecção, onde se inclui dez mil luvas descartáveis para os clientes mexerem na roupa e um dispensador de gel desinfectante para as mãos que não necessita de toque. O uso de máscaras, quer por clientes, quer por feirantes foi, aliás, a imagem mais representativa deste regresso da feira semanal que marca também o regresso a normalidade possível neste segmento de negócio.

À entrada do recinto estava um placard com as regras que terão de ser agora cumpridas e que, de forma generalizada, todos respeitaram. Além do uso de máscaras, todas as bancas tinham desinfectantes para a higienização das mãos, sendo proibido tocar nas bancas.

No que toca ainda a medidas de segurança e higiene, Artur Andrade, explica também que a maioria dos feirantes não permite que os clientes experimentem a roupa à venda. “As pessoas têm possibilidade de trocar na próxima semana”, conta o feirante, acrescentando que esses artigos são separados dos restantes e só voltam à banca na semana seguinte.

Na feira de Braga há três anos, Manuel confessa que este regresso à actividade “foi tranquilo”, denotando ainda um “certo receio” por parte dos clientes. Quanto às medas de segurança, o feirante exibe o gel desinfectante que tem na banca. “A medida de distanciamento é a própria banca”, conta-nos este comerciante, dando conta também que neste primeiro dia os clientes evitaram tocar nas peças de roupa.

Manuel só espera agora recuperar algum do rendimento perdido nestes dois meses. “Foi muito mau, umas férias forçadas. Sou eu e a minha esposa a trabalhar nesta área e o nosso rendimento foi zero”, explica o feirante que a partir de agora só pretende que pandemia o deixe “trabalhar com honestidade, como sempre fiz”.

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