Braga, quarta-feira

Feirantes sentiram pouco poder de compra de emigrantes e clientes habituais

Economia

26 Agosto 2020

Redação

Milhares de pessoas passaram ontem pela feira semanal de Braga, mas os feirantes queixaram-se de que havia pouca gente a comprar. A falta de dinheiro associada à crise causada pela pandemia foram as razões apontadas para a falta de negócios.

O pouco poder de compra dos clientes, principalmente dos emigrantes e as normas de segurança para prevenir a propagação do vírus Covid-19, foram os factores mais sentidos pelos feirantes de Braga na última feira semanal de Agosto. Se há quem admita que o negócio vai dando para as despesas, outros referem que quase nem compensa participar na feira semanal bracarense. “O negócio da feira está muito mau e os emigrantes vêm tesos, quase não fazem compras. Este mês de Agosto não tem nada com os outros meses. Está muito fraco”, admitiu Ricardo Francês, um dos feirantes do sector do vestuário e do calçado desportivo.


O mesmo comerciante acrescentou que “com a pandemia não dá para ganhar nada”.
 

Mais ao lado, numa banca de bijuterias e roupa interior, Rafael Ferreira considerou que a feira de Braga “não vale nada”, no mês de Agosto. “O pessoal não compra, em princípio por falta de dinheiro”, disse Rafael Ferreira.
 

Opinião idêntica tem Goreti Grilo, que sendo residente em Ponte de Lima faz feiras um pouco por todo o Minho. “Agosto é sempre um mês muito fraco para nós, porque infelizmente os emigrantes vão mais atrás dos artigos de contrafacção. Este é mesmo o nosso pior mês em termos de negócio”, alegou Goreti Grilo
 

A comerciante explicou que o negócio está tão fraco que quase não compensa participar na feira. “Não compensa de todo. Quase que só vimos aqui para marcar presença”, frisou Goreti Grilo.
 

Felício Pinto, também ele comerciante de roupa e artigos para senhora, admitiu que o negócio “não está nada interessante. Comparado com os outros anos, não compensa vir aqui em Agosto. Por causa da falta de dinheiro dos clientes e da pandemia, que nos afectou muito”. O volume de negócios, no caso de Felício Pinto, vai dando “para as despesas, mas o resto do ano é mesmo muito difícil. Quase todos os comerciantes têm tido dificuldades em fazer negócio. Este ano está mesmo muito fora do normal”.


Alguns dos feirantes apontaram também as más condições do espaço destinado à feira (um troço de uma Estrada Nacional, no Parque da Ponte) como um factor que afasta muitos clientes por não ter estacionamento ou casas de banho.


À entrada da feira era visível um cartaz com as regras ditadas pela prevenção da Covid-19 e todos os clientes e feirantes tinham máscara ou viseira. Nas bancas havia frascos de álcool - gel.
 

Artigos da feira semanal têm preços acessíveis
 

“Procuramos um pouco de tudo, desde que esteja a bom preço”. A indicação é de Daniel Ferreira emigrante no Mónaco, e que se deslocou à feira de Braga na companhia da esposa, Andreia Ribeiro. “Aproveitamos as férias para ver a família e vir à feira. Os preços são razoáveis. Tem artigos que não encontrámos lá fora”, disse Andreia Ribeiro.


Paulo Maciel, natural de Braga, assumiu que há muito tempo que não visitava a feira, mas ficou bem impressionado com o recinto, indicando que “está muito bem organizada e o espaço é muito bom e agradável. Acho que está muito maior.” Artigos para criança foram a motivação do casal Maciel para visitar a feira.
 

Bem impressionado com a feira ficou também João Barbosa. “Parece-me muito bem. Só vim dar uma vista de olhos, mas estou a gostar. Os preços são bastante acessíveis”.


De França (região de Paris) Jorge Martins deslocou-se à feira de Braga para procurar artigos a bom preço. “Todos os anos venho cá e gosto de ver esta feira. Os preços são os correctos e mais acessíveis do que no ano passado”. Entre os artigos adquiridos por Jorge Martins estão CD’s, “que são muito bons e muito mais baratos do que em França”.
 

Também proveniente de França, mas da zona de Menton, Cristóvão Peixoto veio à feira de Braga com a família, com a intenção de comprar uma panela.


“Vim aqui passear com a família, porque estou de férias, e aproveitei para comprar uma panela para fazer ‘Paella’ (prato tradicional da Andaluzia, em Espanha feito à base de marisco e arroz). Compensou comprar aqui porque os preços são muito mais baratos”, disse Cristóvão Peixoto.

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