Braga, sexta-feira

Freguesia de Barcelos e IP trocam queixas por causa das passagens de nível

Regional

19 Dezembro 2019

Redação

A União de Freguesias de Quintiães e Aguiar, em Barcelos, vai processar a Infraestruturas de Portugal (IP) pelo alegado deficiente funcionamento das três passagens de nível automatizadas que servem aquelas localidades, disse hoje o presidente da junta.

A União de Freguesias de Quintiães e Aguiar, em Barcelos, vai processar a Infraestruturas de Portugal (IP) pelo alegado “deficiente funcionamento” das três passagens de nível automatizadas que servem aquelas localidades, disse hoje o presidente da junta.

Contactada pela Lusa, a IP refere que não foi detetada qualquer anomalia naquelas passagens de nível e acrescenta que já apresentou uma queixa na GNR contra terceiros, face às “sistemáticas acusações” de mau funcionamento e das “constantes denúncias”, que a empresa “considera caluniosas”.

Segundo o presidente da União de Freguesias de Quintiães e Aguiar, António Pereira, desde o início do ano há registo de “uma dezena” de casos em que a sinalização das passagens de nível “não funcionou”, mantendo-se a travessia livre para o trânsito automóvel ao mesmo tempo que ali passavam comboios.

“As barreiras mantiveram-se ao alto e os sinais sonoros e luminosos não emitiram qualquer sinal de perigo, só não se tendo registado nenhuma tragédia por milagre”, referiu o autarca, garantindo que já está a tratar com um advogado a apresentação de uma queixa-crime contra a IP, por negligência.

António Pereira disse que, numa das situações, uma carrinha de um espaço de atividades de tempos livres cheia de crianças atravessou uma passagem de nível e, “imediatamente a seguir”, passou o comboio.

A junta já colocou, por sua iniciativa, “sinais de perigo” junto às três passagens de nível, para alertar os condutores.

“Perigo, sinais por vezes avariados” é a mensagem deixada nos “sinais”, que apelam ao “cuidado” dos condutores e que incluem ainda o habitual “pare, escute e olhe”.

A IP refere que se trata de placas com “informação falsa, que pode conduzir os utilizadores” das passagens de nível “a ignorar as indicações da sinalização e a assumirem comportamentos de risco no atravessamento”, pelo que essa também é uma matéria que consta da queixa apresentada na GNR.

A IP questionou igualmente a junta sobre a colocação das referidas placas, “que violam as regras do Código da Estrada”.

Além das placas, a autarquia colocou também uma tarja preta apelando à supressão das três passagens de nível, onde, de acordo com António Pereira, já morreram cerca de 10 pessoas.

“Não sei de que é que se está à espera para tomar medidas que ponham termo a estas autênticas guilhotinas”, referiu António Pereira, garantindo que a junta e a população “não se vão calar” enquanto o problema não estiver resolvido.

A IP esclarece que o sistema de aviso automático da aproximação de comboios instalados nas passagens de nível efetua o registo automático de todos os eventos, “não tendo sido registada qualquer anomalia relativa ao funcionamento” daquelas passagens.

Diz ainda que o sistema, quando deteta anomalia no funcionamento previsto, “gera alarme relativo a uma desconformidade”, uma situação que não foi identificada relativamente às passagens de nível de Quintiães e Aguiar.

A empresa acrescenta não ter recebido qualquer relato de maquinistas do operador ferroviário a reportar qualquer anomalia no funcionamento daquelas passagens de nível, “situação que integra os procedimentos de segurança”.

Para este sábado, está marcada, junto à passagem de nível de Quintiães, uma manifestação de protesto, que António Pereira estima que poderá reunir “entre 300 a 400 pessoas”.

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