Braga, sexta-feira

Gil Vicente inspirou os Sinos da Sé para cantar este Natal

Regional

26 Dezembro 2020

Redação

Lo Parió é o tema do novo trabalho que a Associação Cultural e Festiva Os Sinos da Sé acaba de divulgar. Para o terceiro tema deste ano, o grupo inspirou-se no Auto dos Reis Magos.

A Associação Cultural e Festiva ‘Os Sinos da Sé’ inspirou-se em Gil Vicente para criar a sua nova cantiga de Natal ‘Lo Parió’ que entra no repertório de um grupo que já leva mais de quatro décadas a recolher e a divulgar as tradições do folclore e não só.

O fundador e dirigente da Associação Cultural e Festiva “Os Sinos da Sé”, José Machado, pegou nas três estrofes da dança e do canto que as personagens interpretam no final do Auto dos Reis Magos, de Gil Vicente, e criou o tema que foi harmonizado pelo maestro António Costa Gomes e arranjado pelo músico Daniel Pereira Cristo.

‘Lo Parió’ foi divulgado na Rádio Antena Minho onde José Machado esteve à conversa com a locutora Manuela Barros.

A pandemia não permitiu uma participação mais ampla do grupo ‘Os Sinos da Sé’, mas com duas vozes masculinas, três vozes femininas, um tocador de viola braguesa e um clarinete, ficou “bem representado” sustenta José Machado que reconhece que “o ideal era que estivessem todos a participar”.

Um bom estúdio e as novas tecnologias permitem “fazer um belíssimo trabalho gravando uma pessoa de cada vez e mantendo o necessário distanciamento” afirma o dirigente de ‘Os Sinos da Sé’.

Tal como outros grupos folclóricos, “a pandemia confinou-nos” lamenta José Machado que reconhece que é uma actividade de risco: “somos expelidores de goticulas, além da proximidade física nas danças e nas coreografias”.

“Tivemos que parar, mas os grupos estão a recompor-se para este mundo virtual e das redes sociais” aponta o fundador da Associação Cultural e Festiva ‘Os Sinos da Sé’ que exemplifica com a actuação de coros e orquestras através da plataforma ‘zoom’.

‘Os Sinos da Sé’ não estão parados e com a inauguração do requalificado mercado de Braga, a associação propôs ao município um projecto cultural para aquele espaço.

“Há recantos onde pode estar arte e/ou um objecto da cultura tradicional” explica José Machado, dando conta que, neste momento, existe um presépio construído com troncos que remete, também, para a fogueira de Natal que, este ano, se tem que fazer de outra maneira.

Com 40 anos de actividade, a Associação Cultural e Festiva ‘Os Sinos da Sé’ conta já com vários trabalhos lançados e intervenções em espaços variados.

“Desenvolvemos projectos de transversalidade cultural” orgulha-se o fundador e dirigente da colectividade, realçando que a música folclórica pode, e tem sido, usada pelo grupo para veicular mensagens relacionadas com outras épocas ou eventos. “Experiências que nos satisfazem muito” reconhece José Machado, que se assume orgulhoso na história e no legado da associação.

“Participamos de maneira criativa nas festas e eventos da cidade” sublinha o dirigente que destaca as diferentes gerações que já passaram pelo grupo e o “fermento deixado” para gente nova.

Mesmo confinada, a Associação Cultural e Festiva ‘Os Sinos da Sé’ continua a trabalhar e anuncia para Março um reforço do repertório da Procissão da Burrinha, um dos eventos em que a colectividade tem estado envolvida. Com cerca de meia centena de elementos a participar nos ensaios e envolvidos nos momentos mais importantes da vida social e cultural da cidade, o grupo espera reocupar um espaço na antiga Escola Francisco Sanches que está em obras, onde esteve sediado e onde espera regressar para trabalhar.

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