Braga, sexta-feira

'Governo tem-se demitido das suas funções no que toca ao desporto'

Regional

06 Janeiro 2021

Redação

Sameiro Araújo, vereadora do Desporto do município de Braga, fez o balanço dos constrangimentos que a pandemia provocou, enalteceu espírito resiliente dos atletas que vão lutando contra as adversidades e ainda perspectivou um 2021 difícil, mas encorajador. Pelo meio, deixou críticas ao governo português por não incluir na lista de prioridades, de ajuda à retoma, o sector do desporto. Apelos ao contínuo apoio das empresas.

O real impacto da paragem provocada pela pandemia ainda não é fácil de perceber, mas Sameiro Araújo já antevê que “terá consequências na saúde física e mental dos mais jovens”.

“Infelizmente, o desporto em Portugal tem sido relegado para um plano secundário, deixando de ser prioridade política como é em muitos países da União Europeia. Segundo os dados oficiosos, estamos a falar de uma quebra de cerca de 70 por cento da actividade desportiva federada, contribuindo isso para um sedentarismo sem precedentes, esquecendo que a prática desportiva continua a ser o instrumento mais barato de saúde pública”, apontando os 200 mil como o número de jovens que deixou de praticar desporto.

“Por exemplo, na modalidade de futebol, a quebra de inscrições na AF Braga foi de 83%. No futsal, a quebra foi na ordem dos 73%. No basquetebol, a quebra foi menor, mas ainda assim tivemos cerca de 30%”, apontou, aludindo ainda aos programas desportivos do município, com alguns a encontrarem-se, ainda, suspensos. Ainda assim, os que vão desenvolvendo, têm muito menos utentes do que aqueles que se verificavam em 2019. “Os grandes problemas centraram-se nas modalidades colectivas e de pavilhão. Aí, sim, são preocupantes os números porque é muito difícil fazer-se desporto com as actuais medidas da DGS, nomeadamente para os escalões da formação”, lamentou.

Pela situação actual, o município tem desenvolvido esforços no sentido de apoiar as associações e os clubes locais.

“Nos últimos dois anos, os contratos-programa que fizemos, quer com as associações desportivas, quer com os clubes, tinham associado um montante de 900 mil euros por época. Agora, nesta época 2020/21, estamos a manter o mesmo apoio à formação desportiva e tivemos, a título excepcional, um contrato desportivo no valor dos 50 mil euros, que contempla 20 clubes do conselho e cerca de 400 atletas de quatro modalidades distintas, no escalão sénior”, observou, prosseguindo.

“Temos apoiado no que nos é possível, estamos ao lado dos clubes. Contemplamos e pagamos uma percentagem bastante elevada dos testes covid às modalidades onde esses testes são obrigatórios em todos os jogos, como é o caso do rugby. Estamos atentos e, mediante as necessidades, estamos aqui para conseguir dar resposta”, disse.

Em Maio, durante os primeiros períodos de desconfinamento, o município disponibilizou espaços ‘outdoor’ para que ginásios e health clubs pudessem realizar as suas actividades. Uma medida que, no entender da vice-presidente Sameiro Araújo “foi muito bem aproveitada”.

“Oferecemos essa possibilidade e posso dizer que foi muito bem aproveitado por alguns clubes e alguns ginásios. Tão importante como a saúde física é a condição mental das pessoas. O tempo o dirá, mas certamente existirão estudos que o vão confirmar. A saúde mental das nossas crianças vai sofrer muito, como também dos nossos idosos. Ao fazerem a sua actividade física desportiva saíam de casa, combatiam o isolamento social. Era um factor de convívio. Esses contactos foram reduzidos e julgo que os nossos seniores estão também a ser muito penalizados com esta pandemia.

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