Braga, quarta-feira

Grupo de ciclistas bracarense percorre EN2 em "aventura inesquecível"

Regional

07 Julho 2021

Marta Amaral Caldeira Marta Amaral Caldeira

"Uma prova dura e inesquecível". É assim que um grupo de amigos ciclistas de Braga caracteriza a aventura de ter percorrido em apenas 4,5 dias a Estrada Nacional 2, que liga Chaves a Faro ao longo de 738,5 quilómetros de estrada, percorrendo o país de Norte a Sul, desde as mais altas montanhas às planícies sem fim. Para o grupo de amigos e amantes do ciclismo de Braga esta grande aventura partilhada em quatro dias e meio serviu, sobretudo, "o espírito de camaradagem e de amizade".

Um grupo de ciclistas e amigos bracarenses, amadores mas completamente apaixonados pela modalidade, acabou de concretizar o sonho de percorrer a Estrada Nacional 2. Uma aventura dura, que põe à prova a resistência física e psicológica de cada um, mas que os ciclistas garantem ter sido “uma experiência fantástica” que dá para conhecer toda a paisagem do território português, desde a serra à planície.
Habituados a percorrer longas distâncias juntos, o grupo de amigos ciclistas bracarense aproveitou o ‘pretexto’ de um dos membros - Carlos Martins - celebrar os 50 anos e agregadas as vontades a partida deu-se no passado dia 23 de Junho, iniciando o percurso da Estrada Nacional n.º 2 (EN2), que liga Chaves a Faro.
Carlos Martins, Flávio Silva, Emanuel Melo e Rui Peixoto percorreram os 738,5 km da EN2 em, apenas, quatro dias e meio, realizando uma média de 150 Km/dia e apoiados por mais dois elementos - Vasco e Ricardo Silva- que os seguiram numa autocaravana que serviu de ‘hotel’ durante todo o trajecto. Todos garantem que esta foi “uma experiência inesquecível”, que começou com a realização de testes à Covid-19.
“Julgo que esta é verdadeiramente uma experiência única sobretudo porque ao fazermos o percurso de Chaves a Faro, atravessamos as diferentes paisagens de Portugal Continental, do Norte ao Sul do país e, de facto, a paisagem é algo que vai mudadando de dia para dia e às vezes até ao longo do próprio dia, à medida que vamos percorrendo os quilómetros da EN2”, indicou Flávio Silva, um dos participantes na aventura.
Confessando que todo o trajecto é, por si só, “uma surpresa”, dados os locais que vão sendo descobertos, Flávio Silva destaca, por exemplo, a Praia Fluvial de Góis e a subida de Góis, considerando-a “espectacular” mas também outros sítios como o início do trajecto entre Vidago e Vila Pouca de Aguiar, a planície alentejana, entre muitos mais como a zona de Pedrógão Grande e a Serra do Caldeirão com as suas “curvas espectaculares”.
“Para nós foram dias únicos. Éramos apenas nós e as bikes, rompemos as nossas rotina, sentimos a alegria do percurso e também as suas frustrações, fazendo-nos esquecer tudo - um verdadeiro ‘reset’ para a mente”, afirmou o ciclista bracarense.
Entre os maiores obstáculos registados, Flávio Silva indica que o terceiro dia “foi o mais difícil” e foi preciso gerir todo o esforço físico e mental.
Em termos de percurso, o ciclista refere que a passagem do rio Tejo até chegar a Montargil foi “muito complicada e stressante”, sobretudo, devido aos muitos camiões que faziam também o trajecto. Outra das dificuldades encontradas foi o mau estado da estrada, nomeadamente antes de chegar a Castro Verde, já no Alentejo.
A aventura do grupo de ciclistas bracarenses pela Estrada Nacional n.º 2 (EN2), que atravessa literalmente o país de Norte a Sul, esteve ainda “em xeque’ quando a autocarava avariou, mas ultrapassando mais este dilema do percurso, decidiu-se dar continuidade para cumprir a missão de chegar a Faro.
Um dos momentos emblemáticos, entre vários, foi a fotografia tirada pelo grupo junto ao marco gigante de Ferreira do Alentejo, ao Km 595. Apesar de terem encontrado paisagens deslumbrantes, Emanuel Melo, outro dos elementos do grupo de ciclistas que entrou nesta grande aventura em bicileta, aponta para a “falta de sinalização” da EN2 em vários pontos e embora alguns aldeias, vilas e cidades usem o ‘slogan’ como atractivo, outras há que nem sinalética têm indicando a direcção para seguir em frente na estrada. “
Garante que este foi “um grande desafio” que o grupo de amigos de Braga consegiu realizar, frisando que a grande mais-valia de todo o percurso se traduziu nos momentos de “camaradagem, amizade e convívio” entre todos.
Os ciclistas destacam também o facto de os laços entre si terem sido reforçados, até ao nível logístico, pois no fim de cada jornada tinham que cozinhar e deixar a autocaravana ‘limpinha’ para a próxima etapa. Dizem que esta é uma aventura que todos devem experimentar seja em que modo de localoção for, mas se a opção for a bicicleta, o melhor é fazê-lo durante uma semana para tirar proveito da pedalada e de todos os cantinhos de Portugal.

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