Braga, sexta-feira

Gustavo Carona partilhou na Feira do Livro a missão mais difícil da sua vida

Diversos

19 Julho 2021

Lusa

Gustavo Carona partilhou ontem, na Feira do Livro de Braga, as razões que fazem da luta contra a Covid-19 a missão mais difícil da sua vida.

‘Diário de um Médico no Combate à Pandemia’, o título do seu mais recente livro, foi o mote para a conversa que ontem, na Feira do Livro de Braga, permitiu conhecer melhor o percurso de Gustavo Carona, médico anestesista e intensivista no Hospital de Matosinhos.


Neste seu terceiro livro, Gustavo Carona fala sobre a missão mais difícil da sua vida, uma missão em que está envolvido há 16 meses e que marca a vida de todos os profissionais de saúde: a luta conta a Covid-19.
 

 Nos seus dois primeiros livros, ‘1001 Cartas para Monsul’ e ‘O Mundo Precisa de Saber’ , Gustavo Carona inspirou-se nas missões humanitárias em que participa desde 2009. Já representou os Médicos Sem Fronteiras, os Médicos do Mundo e a Cruz Vermelha Internacional em zonas de carência humanitária extrema, como a República Centro Africana, o Sudão do Sul, Burundi, Afeganistão, Síria, Iraque, Iémen e Faixa Gaza.
 

Por incrível que possa parecer acabou por ser cá, na sua terra, que viveu aquela que assume como “a missão mais difícil”. Neste último livro, o médico faz “um relato profundamente humano da angústia e do heroísmo de médicos, enfermeiros e auxiliares diante de um inimigo mortal que, além de invisível e desconhecido, não raras vezes pareceu incomensuravelmente mais poderoso do que a resistência mais árdua dos homens e os conhecimentos mais avançados da ciência”, lê-se na apresentação da obra.


Ontem, no Altice Forum Braga, confessou que aquilo que tem vivido nos últimos 16 meses o transformou “para pior”, na medida em que acabou por perder “alguma ingenuidade” e também “energia positiva”. Recordou que esteve “em contacto com coisas muito feias” e que nunca tinha sentido “um cansaço desta dimensão”.
 

 Confessa que tem “uma relação de amor-ódio” com este ‘Diário de um Médico no Combate à Pandemia’, pois quer que as pessoas gostem de o ler, mas é assume que é um local onde não quer voltar.


Reconhece, porém que a pandemia também trouxe coisas positivas, pois faz questão de deixar uma mensagem positiva: “o que fica desta pandemia é também uma enormíssima dose de aprendizagem das pessoas boas que se tornaram ainda melhores e que mostraram a sua fibra perante um desafio épico”.


Quer dentro do hospital, quer nas acções solidárias fora do hospital, também viu “coisas bonitas”, pois “é nos momentos de crise que vemos e o pior, mas também, e sobretudo, o melhor das pessoas”.


“Esta pandemia, que ainda não acabou mas acredito que está perto disso, foi a maior crise colectiva que o mundo ocidental enfrentou nas últimas décadas”, referiu, rematando o que “por maior que seja a catástrofe, há sempre pessoas que querem ajudar e isso é positivo”.

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