Braga, quarta-feira

Guterres alerta para mundo a caminhar para "beco sem saída"

Internacional

06 Janeiro 2023

Lusa

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou hoje em Lisboa para o retrocesso dos direitos humanos e para o "beco sem saída", de que o mundo se aproxima, com o aumento de conflitos, ditaduras, opressão e desigualdades.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou hoje em Lisboa para o retrocesso dos direitos humanos e para o "beco sem saída", de que o mundo se aproxima, com o aumento de conflitos, ditaduras, opressão e desigualdades.

O líder da ONU falava hoje ao fim da tarde na Conferência Expresso 50 Anos "Deixar o Mundo Melhor", que assinala o aniversário da fundação do semanário.

Perante o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o antigo chefe de Estado Ramalho Eanes e o fundador do jornal e ex-primeiro-ministro, Francisco Pinto Balsemão, Guterres estabeleceu uma comparação entre o papel do Expresso na saída de Portugal do "beco" em que se encontrava antes do 25 Abril, e a relevância da liberdade imprensa, que considera que hoje se encontra ameaçada.

O antigo primeiro-ministro português aproveitou para recordar outra efeméride, os 75 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, e elencar regressões em vastas áreas.

"Olhando para o que são hoje os direitos humanos numa perspetiva mais ampla dos nossos tempos, é evidente que é a negação e o retrocesso desses direitos que em larga medida constituem o beco para o qual o mundo se foi empurrando a si próprio", declarou.

Referindo-se à liberdade de imprensa, Guterres salientou que esta é essencial, e insistiu na ideia de um "beco sem saída", em que "muitos dirigentes políticos pensam que a maneira de encontrar uma saída para o beco é cavando-o e, quando mais cavam, mais se afundam e, quando mais se afundam mais cavam".

Por isso, defende que a atualidade exige "transformações tão radicais como aquelas que ocorreram no 25 de Abril, para que o mundo possa sair do beco".

O secretário-geral das Nações Unidas disse, aliás, não ser defensor da revisão da Declaração Universal dos Direitos Humanos, por estar convencido que "acabaríamos com um texto muito pior do que hoje temos".

Deixa o teu comentário