Braga, sexta-feira

Hospital de Braga aposta em tratamento para impedir ocorrência de AVC em jovens

Regional

11 Julho 2021

Marta Amaral Caldeira Marta Amaral Caldeira

É uma nova aposta do Hospital de Braga, que avança agora com um novo procedimento na área da Cardiologia de Intervenção Estrutural com vista a impedir, por exemplo, a ocorrência de AVC (Acidente Vascular Cerebral) na população jovem.

É com o objectivo maior de baixar a taxa de novas ocorrências de AVC (Acidente Vascular Cerebral) em jovens que o Laboratório de Hemodinâmica do Serviço de Cardiologia do Hospital de Braga avança agora com o novo procedimento de encerramento do Foramen Oval Patente (FOP) - uma persistência de um orifício entre a parede que separa as aurículas do coração, com elevada prevalência na população em geral, que, em casos extremos, pode conduzir a problemas graves de saúde como o AVC. “Este procedimento é um avanço na abordagem da doença cerebrovascular”, garante Carlos Galvão Braga, cardiologista de intervenção do Hospital de Braga.


É em nome de uma “assistência diferenciada” aos utentes que o Hospital de Braga continua a dar passos seguros em serviços e tratamentos inovadores, como é o caso deste novo procedimento de encerramento do FOP - que não é mais do que ‘fechar’ o orifício localizado entre as aurículas do coração , que, por estar aberto, permite a comunicação entre os lados direito e esquerdo. A presença do FOP não é a causa em si do AVC, mas pode servir como ponto de passagem de pequenos coágulos de sangue para o lado esquerdo da circulação, nomeadamente para o cérebro, podendo entupir uma artéria cerebral e conduzir, consequentemente, a uma situação de AVC.
 

 Carlos Galvão Braga, que trabalha há cinco anos no Laboratório de Hemodinâmica do Hospital de Braga, explica que o normal é que este ‘orifício’ (Foramen Oval) esteja aberto quando o feto está ainda na barriga da mãe, fechando após o nascimento do bebé, quando os pulmões entram em funcionamento.


“É muito frequente que o encerramento deste orifício não ocorra”, aponta o especialista, frisando que uma em cada quatro pessoas revela na fase adulta o FOP - Foramen Oval Patente (orifício aberto) - o que significa que, em 25% das pessoas em geral, o orifício permanece aberto - no entanto o procedimento médico para o encerrar não é indicado para toda a gente.


“O procedimento de encerramento do FOP, que tem como objectivo evitar novas ocorrências de AVC, por exemplo, só é referenciado para pessoas jovens, que já tenham tido um AVC sem causa aparente após um estudo neurológico completo e se considere, em reunião médica de Cardiologia e Neurologia, que o FOP desempenhou um papel fundamental na origem do AVC. Aí pode-se atribuir o AVC à presença do FOP - sendo necessária a intervenção”, explicou o cardiologista Carlos Galvão Braga.

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