Braga, quarta-feira

Incêndios: Ministro determina abertura de inquérito sobre fogo em canis em Santo Tirso

Regional

20 Julho 2020

Redação

O ministro da Administração Interna determinou hoje a abertura de um inquérito à atuação da GNR e da Proteção Civil no incêndio que atingiu no sábado dois canis ilegais no concelho de Santo Tirso, matando 54 animais.

O ministro da Administração Interna determinou hoje a abertura de um inquérito à atuação da GNR e da Proteção Civil no incêndio que atingiu no sábado dois canis ilegais no concelho de Santo Tirso, matando 54 animais.

Num despacho hoje assinado, Eduardo Cabrita determina à inspetora-geral da Administração Interna, Anabela Cabral Ferreira, a abertura de um inquérito "aos factos reportados, visando apurar eventuais responsabilidades".

O ministro considera que subsistem "dúvidas sobre os factos ocorridos na zona florestal da freguesia da Agrela", concelho de Santo Tirso, onde se localizam os dois canis afetados pelas chamas, bem como "sobre a atuação das diferentes autoridades no terreno".

O despacho cita notícias da imprensa segundo as quais "terão perdido a vida dezenas de animais" que se encontravam nos canis "Cantinho das Quatro Patas" e "Abrigo de Paredes", sendo "apontadas eventuais falhas à atuação da GNR e dos agentes da Proteção Civil no terreno".

Eduardo Cabrita refere que, na sequência das notícias, foram pedidos esclarecimentos à GNR e à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, tendo os mesmos sido prestados.

Segundo a GNR, a morte dos animais no incêndio não se deveu ao facto de ter impedido o acesso de populares ao local, mas à dimensão do fogo e à quantidade de animais.

Cento e noventa animais foram resgatados com vida dos dois canis, tendo sido acolhidos por canis municipais, associações e particulares.

No domingo, a Câmara Municipal de Santo Tirso alegou que apenas pôde executar o plano de retirada dos animais durante esse dia "porque não estavam, de acordo com as autoridades de proteção civil, reunidas as condições de segurança para o realojamento dos animais durante a madrugada".

De acordo com o Ministério da Agricultura, os dois canis funcionavam ilegalmente e já tinham sido alvo de "contraordenações e vistorias" de "várias entidades fiscalizadoras".

O Ministério Público arquivou uma queixa de maus-tratos apresentada em 2018 por populares, invocando "não haver crueldade em manter animais num espaço sujo, com lixo, dejetos e mau cheiro".

A morte de 52 cães e dois gatos carbonizados motivou reações dos partidos políticos, com PAN, BE e PCP a exigirem explicações do Governo.

O partido Pessoas Animais e Natureza (PAN) informou que apresentou queixa ao Ministério Público por "crime contra animais de companhia".

O PEV propôs hoje que o parlamento recomende ao Governo para que faça um levantamento nacional de abrigos particulares como os de Santo Tirso.

Secundando os partidos, a associação Animal pediu ao Governo e ao parlamento para que sejam apuradas responsabilidades.

Uma petição, com milhares de assinaturas já recolhidas, reclama justiça.

Para hoje à noite está marcada uma vigília em frente aos Paços do Concelho de Santo Tirso para exigir que se faça justiça pelos animais que morreram carbonizados nos dois canis.

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