Investimento feito nos últimos anos coloca Braga numa posição interessante

Regional

01 Julho 2021

Patricia Sousa

III Encontro Nacional de Limpeza Urbana decorre até hoje no Altice Forum Braga. Presidente da Agere, Rui Morais, destacou a importância da criação da Associação Limpeza Urbana que quer tornar mais forte o parente pobre das autarquias.

Apesar de todos os municípios terem de “caminhar para melhor”, Braga está nas primeiras cinco posições no estudo apresentado ontem, no âmbito do III Encontro de Limpeza Urbana, no sector da limpeza urbana. A esta “posição interessante” não são alheios os investimentos feitos nos últimos anos. “Investimos cerca de oito milhões de euros no sector dos resíduos urba- nos e na limpeza urbana cerca de três milhões de euros nos últimos três anos e estes investimentos, a par dos cerca de 200 funcionários, têm permitido elevar o patamar”, assegurou o presidente da Agere, Rui Morais.


O evento, que se realiza até hoje no Altice Forum Braga, é promovido pela ALU - Associação Limpeza Urbana e reúne as autarquias de norte a sul do país e regiões autónomas, as empresas públicas e privadas do sector, a universidade e players internacionais relevantes com o objectivo de debater as estratégias para uma nova era dos serviços públicos.


A ALU surgiu em finais de 2018 da necessidade de divulgar este sector, considerado “o parente pobre” das autarquias. “Estamos a falar de uma área que diz respeito aos 308 municípios, mas cada um estava a trabalhar de forma isolada. A ideia de criar a associação surgiu das duas maiores empresas municipais (Cascais Ambiente e Agere) já que havia aqui muito know how interno que podia ser partilhado”, explicou Rui Morais, admitindo que “faltava esta partilha de informação que permitisse potenciar o trabalho de todos”.


Não sendo uma área concorrencial e sendo necessário identificar soluções, encontrar potencialidades e ter o efeito escala nas negociações e na própria compra de equipamentos e produtos “nada melhor que os municípios se juntarem”, justificou. Rui Morais explicou assim o intuito de criar esta associação e de promover este encontro.


Além disso, esta é uma área que não tem “uma regulação clara” para perceber até que ponto cada município pode actuar. “É preciso balizar a informação ao nível da comparabilidade, questionando a população e percebendo as reais necessidades”.


Se não há informação e se não se percebe as reais necessidades também não se pode exigir financiamento. “Há 308 municípios e há 308 necessidades diferentes e o estudo apresentado pretende balizar e perceber a média para depois exigir financiamento”, justificou.


Com uma intervenção “a curto prazo” já que se trata de uma área “crucial” para os municípios, que têm “um olhar diferente” sobre este sector, Rui Morais admitiu que “as exigências são cada vez maiores e as redes sociais vieram ampliar muito estas necessidades”. O presidente da Agere aproveitou para esclarecer que “há situações críticas e pontuais”, mas o que se tem que perceber é como a Agere e a autarquia respondem às solicitações. “Hoje já temos software que permite a qualquer funcionário e até aos cidadãos reportarem as situações o que permite actuar rapidamente. Aqui temos excelentes resultados”, assumiu.


Se há um ano e meio perguntassem se era possível criar uma associação de limpeza urbana, se ia ter cidades, freguesias e ainda empresas privadas, se ia realizar um encontro em Braga e no meio de uma pandemia “muitos poucos acreditariam”, constatou, entretanto, o presidente da ALU (Cascais Ambiente), Luís Almeida Capão, defendendo que “a ser possível é a prova que quando se quer e se tem competências consegue-se e é a prova que este sector necessitava de um ponto de encontro”.

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